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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Livro revela lado humano e menos mítico de Kardec


Biografia mostra os dilemas e angústias do codificador do espiritismo
 durante o trabalho de revelar a nova doutrina ao mundo

A história de Allan Kardec, francês que há 156 anos colocou no papel as instruções dos espíritos e organizou a doutrina espírita, merecia ser resgatada e contada com uma roupagem mais moderna. O jornalista Marcel Souto Maior estava com esta ideia na cabeça desde que escreveu As Vidas de Chico Xavier, que posteriormente serviu como base para o filme a respeito do mítico médium mineiro.

A tarefa era não só apresentar este francês nascido em Lyon, em 3 de outubro de 1804, mas desvendar o homem por trás do mito. Contar, prioritariamente, o intenso período de 13 anos em que Kardec, um cético assim como Marcel, compreendeu a importância da comunicação dos espíritos, iniciou o trabalho de codificação que resultou em cinco livros e arregaçou as mangas para consolidar e defender a recém-nascida doutrina.

Graças a isso, o perfil que emerge de Kardec, a Biografia é o de um homem com angústias e dilemas, centralizador e envolvido em desgastantes embates.

- Queria entender a transformação do professor cético a missionário de campanha. O que deu a ele tanta certeza sobre a existência e influência dos espíritos? A biografia é a história desta conversão. Uma saga pontuada por altos e baixos, com razão e emoção, surpresas e decepções, fraudes e revelações”, explicou o jornalista à imprensa no lançamento da obra.

A biografia aponta ainda que, assim como o famoso médium brasileiro, o precursor do espiritismo teve seu tempo totalmente tomado pelas demandas vindas do outro lado do véu. Os benfeitores espirituais não brincam em serviço e exigem dedicação total de seus parceiros encarnados.

Mas pelo menos os amigos no invisível são sinceros e avisam antes o tamanho da missão de cada um dos escolhidos.

- Caberá a você organizar e divulgar uma nova doutrina, capaz de revolucionar o pensamento científico, filosófico e religioso. Não esqueças que podes triunfar, como pode falir. Neste último caso, outro te substituirá...Previno-te que a tua missão é rude e não vai bastar publicar alguns livros e ir para casa. É necessário que te mostres no conflito, esclareceu o Espírito da Verdade, o mentor que iria acompanhar e auxiliar Kardec na longa caminhada em direção à nova doutrina.

Da mesma forma como Chico, Kardec topou o desafio. Em 1856, aos 54 anos, o professor  Hippolyte Léon Denizard Rivail iniciava a jornada de transformação que o levaria a se tornar Allan Kardec.
Pelas páginas escritas por Marcel, as mesas girantes, os diversos e controvertidos espetáculos mediúnicos na época, as irmãs Fox e os casos de materialização ganham vida. O leitor é transportado para aquele efervescente meio do século 19. Percebe ainda como a manifestação dos espíritos era assunto popular na sociedade francesa.

No entanto, o que para muitos era apenas diversão, para Kardec aquelas ações estranhas e, de certo modo, incompreensíveis, sugeriram algo a mais:

- Todo efeito tem uma causa. Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. O poder da causa corresponde à grandeza do efeito, analisava Rivail após observar com espanto as comunicações dos espíritos por meio das mesas girantes e das pancadas que respondiam às perguntas dos encarnados.

A biografia acompanha as conversas iniciais de Kardec com os espíritos.  Apresenta quem foram as primeiras médiuns que ajudaram o professor no contato com a espiritualidade, já que o codificador não possuía esta habilidade mediúnica.

No livro, a história é contatada de forma linear e objetiva, sem ser laudatória. Marcel mostra com muitas informações recolhidas de suas pesquisas e quatro viagens a Paris as angústias e temores de Kardec pelo tamanho e complexidade da tarefa que tinha pela frente.

Um dos medos do francês era ser enganado pelos espíritos. Daí a obsessão de fazer a diversos médiuns e espíritos as mesmas perguntas e garimpar a concordância das respostas. Afinal, para ele, era melhor rejeitar 10 verdades a publicar uma mentira.

- Observar, comparar e julgar, essa a regra que constantemente segui, dizia o racional Rivail.

Além de apresentar o Espírito da Verdade, mas sem revelar sua identidade, o autor da biografia faz uma interessante contextualização das outras entidades que colaboraram com Kardec, como São Luis e Erasto, de importantes médiuns, como a jovem Ermance Dufaux, e de personalidades da época que também mantinham seus contatos com o além, como o escritor Victor Hugo.

A biografia traz ainda o lado centralizador e obsessivo de Kardec. Temeroso em colocar a recém-nascida doutrina em perigo, ele decidia sozinho não só o que iria publicar nos livros, mas também como a sociedade espírita fundada por ele deveria agir. Dentro do mesmo princípio, ele mesmo era quem respondia as polêmicas surgidas, editava praticamente sozinho a Revista Espírita e ainda encontrava tempo para despachar a volumosa correspondência.

Justamente por ser um controlador nato, Kardec temia pelo futuro da doutrina quando desencarnasse. Marcel aponta as preocupações do codificador em saber quem seria o seu sucessor. Os espíritos, contudo, não revelaram o nome. Apenas diziam que esta pessoa já existia.

Marcel resolveu também criar este suspense no leitor e não menciona em nenhum momento a obra de Léon Denis, outro francês e que foi a grande referência à doutrina espírita após o falecimento de Kardec, ocorrido em 31 de março de 1869. Com sua oratória envolvente e livros que explicavam de forma didática o espiritismo, Denis consolidou os princípios da doutrina e a duras penas unificou o movimento.

Curiosamente, um mês depois que Denis desencarnou, em 12 de abril de 1927, Chico Xavier, aos 17 anos, fazia o primeiro contato com o espiritismo. Em junho, ele fundava o centro espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo, e, em 8 de julho, o médium mineiro participava de sua primeira psicografia. Enquanto a doutrina ganhava alento no Brasil, perdia força e ímpeto na França.

Apesar de não expor estes fatos no texto, Marcel traz outros casos curiosos, como a revolta das primeiras médiuns que levou ao rompimento com Kardec por não terem os nomes publicados no Livro dos Espíritos. Ilustra ainda o surgimento de cada um dos exemplares do Pentateuco espírita e detalha as diversas polêmicas em que Kardec e o espiritismo estiveram envolvidos na época. Uma história envolvente e que em breve deverá também ser atração nos cinemas.

Ficha técnica

Livro: Kardec, a Biografia
Autor: Marcel Souto Maior
Editora: Record
Número de páginas: 322

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Religião para ateus - uma resenha

É curioso como de tempos em tempos sempre aparece alguém que faz algo de maneira inusitada. É um talento que pode construir catedrais, descobrir uma vacina, desvendar leis da natureza ou até mesmo fazer jogadas geniais em um campo de futebol. Pode ser um exagero da minha parte, mas gosto de colocar o filósofo suíço Alain de Botton nesta categoria. Há tempos acompanho seus livros e documentários (no marcador filosofia deste blog você poderá encontrar muitos textos baseados em suas explicações). E o que faz Alain de Botton de tão especial? Ele é claro nos seus ensinamentos, didático, bem articulado e vê a filosofia não como algo inatingível para seres mortais como eu e você. Ao contrário, ele traz para o nosso cotidiano pensatas de antigos filósofos que nos ajudam a compreender as nossas angústias nesta agitada vida moderna.
     Neste seu caminho inusitado, Alain lançou recentemente Religião para ateus (editora Intrínseca). O livro é de leitura fácil, como é de praxe em seus trabalhos, mas sem cair no superficialismo. Ele tem a habilidade de abordar conceitos complexos ou ideias sofisticadas com uma naturalidade como se tivesse conversando com amigos em um almoço.
     E a proposta da obra é bem instigante. Alain analisa as religiões e procura encontrar aspectos que possam ser adaptados com sucesso em uma vida secular. A angústia dele é que a religião de uma forma ou de outra supre com muita competência necessidades interiores de cada ser humano. O problema é que se você é um ateu, como o autor,  qualquer menção à igreja é logo vista com desdém. E desta forma essas pessoas se distanciam de valores morais e filosóficos importantes. Como ele explica, "as religiões conseguiram combinar teorias sobre ética e metafísica com um envolvimento prático em educação, moda, política, viagem, hospedaria, cerimônias de iniciação, edição de livros, arte e arquitetura - uma gama de interesses que eclipsa a extensão de conquistas até mesmo dos maiores e mais influentes movimentos e indivíduos seculares da história".
     A partir deste mote ele vai costurando seu livro em capítulos como Comunidade, Gentileza, Educação, Ternura, Pessimismo, Perspectiva, Arte, Arquitetura e Instituições. Em cada seção ele surpreende o leitor com análises de como a religião foi competente para influenciar cada um destes aspectos abordados e as dificuldades que a vida secular mostra em dar respostas com a mesma eficiência.
     Um dos casos analisados é sobre a educação. Botton afirma que no início do século 19 havia o "sonho de que a cultura pudesse ser tão efetiva quanto a religião em sua capacidade de guiar, humanizar e consolar". Em vez de usarmos passagens bíblicas nos ensinamentos morais, chamaríamos as máximas de Marco Aurélio ou as óperas de Wagner já que as "lições éticas da religião se espalham pelo cânone cultural". Mas isso não deu certo. E por que? Botton tem uma teoria interessante. Para ele as "universidades conquistaram uma competência sem paralelos na transmissão de informação factual acerca de cultura, porém elas permanecem de todo desinteressadas em treinar estudantes para usá-la como repertório de sabedoria". Em outras palavras, como viver não faz parte do currículo escolar.
     Botton propõe uma solução para corrigir este problema. As universidades precisariam alterar seu currículo não mais para que os alunos acumulassem informação, mas usar o conteúdo cultural para iluminar a vida deles em vez de estimulá-los a atingir objetivos acadêmicos. Desta forma, "os romances Anna Karenina e Madame Bovary seriam alocados em um curso sobre tensões do casamento...Uma universidade interessada nas verdadeiras responsabilidades dos artefatos culturais dentro de uma era secular estabeleceria um Departamento de Relacionamento, um Instituto de Morrer e um Centro para o Autoconhecimento".
     Tudo isso pode dar a impressão de ser uma grande viagem do autor. No entanto, a partir deste exercício de imaginação vemos de maneira objetiva, muitas vezes cruel, como é cada vez mais premente repensar  como recebemos e distribuímos o conhecimento. E como estas falhas nos distanciam de valores éticos e morais e do necessário autoconhecimento. Itens fundamentais para termos uma vida melhor, como as religiões sempre souberam e foram tão eficazes ao longo dos milênios em nos ensinar. Enquanto este novo mundo de Botton não surge, termino a leitura imaginando se não valeria a pena olhar com menos preconceito para este aspecto das religiões e encontrar o conforto necessário que este mundo moderno e tecnologicamente avançado nos nega.

Saiba mais
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Palestra de Alain de Botton no TED (com legendas em português)

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Montaigne e a autoestima (legendado)

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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Religião para ateus

Um dos filósofos atuais que mais gosto é o suíço Alain de Botton. Quem acompanha este blog sabe que em  muitos posts menciono as ideias dele. É só clicar no marcador filosofia para ver alguns destes textos. Um deles, Schopenhauer e o amor, é um dos mais acessados por aqui. Gosto dele porque ele é simples, direto e sem afetação em suas explicações. E o melhor de tudo: foca a filosofia no dia a dia das pessoas. Tenta trazer respostas para nossas angústias, medos, amores, raivas, inseguranças etc. É a filosofia usada para melhorar o nosso interior e para que possamos viver com mais tranquilidade. Os espíritas chamariam isso de reforma íntima e usariam os ensinamentos de Jesus como norte. Botton é ateu e usa os filósofos para ir nesta mesma direção.
     Ele esteve no Brasil por esses dias para o lançamento do livro Religião para Ateus, que ainda não tive a oportunidade de ler, mas em breve vou fazer isso e postar algumas considerações por aqui. Bom, o interessante é que ele concedeu uma entrevista para a revista Exame que gostaria de compartilhar com vocês. Um bate papo com boas perguntas e ótimas respostas. Coloquei a íntegra abaixo. Espero que gostem.


“Nós somos uma espécie ingrata”, diz filósofo Alain de Botton

Em entrevista a EXAME.com, o filósofo do cotidiano falou sobre o desejo de status e o paradoxo do sucesso material

São Paulo – Sem frases altamente complexas ou raciocínios muito abstratos, o filósofo suíço Alain de Botton expõe as ideias que tem construído ao longo de quase duas décadas de carreira. Ele popularizou a filosofia com seus livros, focado nos problemas do cotidiano e sempre recorrendo a uma bagagem de diversos pensadores e artistas.
Uma delas é “Como Proust pode mudar sua vida” (1997), onde o autor usa os ensinamentos de Marcel Proust para ajudar o leitor em campos como o amor, o sofrimento, a felicidade, a arte e a amizade. Já na obra “Desejo de Status” (2004), Alain de Botton fala sobre a ansiedade de ter status e riqueza, e da frustração que isso causa, quando o sucesso não é alcançado.Nesta semana, de Botton veio ao Brasil para participar do ciclo de palestras Fronteiras do Pensamento e para lançar sua obra mais recente, “Religião para Ateus” (2011). No livro, ele fala sobre os ensinamentos que as religiões podem dar mesmo àqueles que não possuem uma crença. Antes, o filósofo escreveu outras nove publicações que foram best-sellers.
Diferentemente da ambição, que é uma vontade de crescer para satisfação pessoal, o “desejo de status” se origina da preocupação com o que os outros vão pensar. As consequências podem ser várias, desde a riqueza até o suicídio. É exatamente sobre esse assunto que o filósofo falou a EXAME.com. Confira trechos da entrevista.
EXAME.com: De que depende a felicidade no trabalho?
Alain de Botton: 
Felicidade no trabalho é muito complicada. Eu acho que ela basicamente depende de algo dentro de você. Algo precioso e importante, uma habilidade, um talento, um interesse sendo conectados com algo no mundo que gera dinheiro. Na maior parte do tempo, as coisas pelas quais a gente realmente se importa não fazem dinheiro. E as coisas que fazem dinheiro nos matam por dentro. Nós não gostamos de fazê-las. Esse é o problema do capitalismo. A maior parte do dinheiro no mundo moderno é gerada em empresas que não são tão interessantes para nosso espírito, para nossas mentes
EXAME.com: As pessoas estão mais infelizes com suas carreiras e seu trabalho atualmente em relação às gerações de décadas atrás?
de Botton:
 Esse é definitivamente o caso em que quanto mais você espera da vida, mais a vida tem que dar, do contrário, você fica infeliz. É o paradoxo do sucesso material. À medida que a sociedade fica mais bem sucedida, as expectativas das pessoas aumentam e, por isso, elas ficam ingratas sobre coisas que seus pais ou seus avós ficariam muito agradecidos. Nós somos uma espécie ingrata. Nós sempre pensamos naquilo que nós não temos. Não se trata de não tentar conseguir mais, mas, na medida em que tentamos conseguir mais, nós deveríamos sempre lembrar que isso vai entregar apenas uma pequena porcentagem da felicidade que nós imaginamos. Nós devemos estar prontos para isso.
EXAME.com: O senhor diz que meritocracia não é 100% eficiente. Na sua opinião, há um modo melhor de avaliar as pessoas e suas competências, que possa reduzir o “desejo de status”?
de Botton: 
Nós deveríamos sempre tentar criar um mundo meritocrático, um mundo onde, se você tiver talento e energia, você deveria conseguir subir. O problema é que nós devemos sempre reconhecer que isso é um sonho do mundo perfeito. Porque todos nós somos mais talentosos, mais interessantes, mais habilidosos do que o mundo poderá saber, que nós poderemos saber um dia. O sonho é a gente poder pegar tudo que é bom em nós e fazer dinheiro com isso. Isso é uma coisa que apenas 0,001% da população pode um dia fazer. Nós precisamos reconhecer isso, falar sobre isso e nos entristecer com relação a isso, juntos, em uma sexta-feira à noite após o trabalho.
EXAME.com: As redes sociais, como Facebook e Twitter, que permitem que as pessoas se tornem webcelebridades, aumentam o “desejo de status”? O que o senhor pensa sobre esse assunto?
de Botton:
 As redes sociais oferecem às pessoas uma maneira de ter status fora do sistema financeiro. Porque muita gente acessa o Twitter, por exemplo, não por dinheiro, mas simplesmente porque elas gostam de ter outras pessoas ouvindo o que elas querem falar e respondendo a elas. Isso mostra uma coisa muito interessante sobre a natureza humana, que é que, mesmo que nós gostemos de ganhar dinheiro, no final do dia, ainda mais importante do que dinheiro, depois de um momento básico, é o amor. Nós queremos o amor do mundo.
EXAME.com: No Brasil, tem havido um aumento do número de ateus e agnósticos, segundo levantamentos recentes. A falta de fé pode tornar mais difícil lidar com o “desejo de status”?
de Botton:
 Eu sou um ateu, então eu não acho que a resposta seja nós nos voltarmos para a fé. Mas, sim, quando a religião declina, certas coisas realmente pioram do ponto de vista dessa ansiedade. Mesmo um rei, no Cristianismo, fica de joelhos diante de Jesus. Essa é uma ideia muito bonita e, uma vez que você se livra de Jesus, o que você tem? O que vai ser maior do que a humanidade? O perigo é: nada. O perigo é nós pensarmos “nós somos fantásticos. Nós temos Steve Jobs, que inventou o iPad”.
Nós nos adoramos e isso nos leva à loucura. Nós precisamos de momentos em que podemos fugir do narcisismo humano e olhar para outros lugares. É por isso que as pessoas hoje estão mais impressionadas com a natureza. Não é apenas uma questão ambiental, é também uma questão psicológica. Você olha para a natureza e pensa: isso é uma coisa que existe fora da humanidade. E ela é maravilhosa, porque ela não pensa em nós, assim como animais, árvores, estrelas, até mesmo crianças pequenas. Esses são exemplos de coisas que estão fora do sistema do dinheiro, fora do sistema do status, e elas são muito, muito relaxantes e necessárias para nossa alma.
EXAME.com: O senhor também diz que ninguém é independente e auto-suficiente. Onde é possível encontrar ajuda e conselhos para lidar com nossos problemas, dúvidas e ansiedade?
de Botton:
 Bem, o interessante é que o mundo moderno, onde nós temos tanto de tudo, que é tão bom em dar-nos carros, roupas e todo resto, quando diz respeito à nossa vida interior, a ajuda é quase como a Rússia nos tempos comunistas. É muito, muito má. O modelo mais sistemático que existe para a vida interior é provavelmente a psicoterapia, que no Brasil e no resto é ainda uma coisa menor. Acho que precisamos de ajuda, e minha esperança é que os empreendedores do futuro não pensem apenas no corpo e suas necessidades, mas também pensem na mente e em suas necessidades.
EXAME.com: Quais são as possíveis soluções para o “desejo de status”?
de Botton:
 O maior inimigo nesta situação é a solidão, paranoia, a sensação de que estamos completamente sozinhos. É muito vergonhoso sentir o “desejo de status”. Ele não é algo que você pode realmente admitir, não é fácil admitir a inveja de alguém. E, ainda assim, a inveja é enorme. Eu acredito que nós precisamos de alguns mecanismos para admitir isso, nós precisamos de amizades que são capazes de aceitar esse nosso lado, nós precisamos ser capazes de falar sobre isso.Todo problema é reduzido ao se falar sobre ele. E nós precisamos achar grupos de status que serão tolerantes e faça-nos sentir relativamente relaxados. No mundo moderno, nós somos jogados contra pessoas que realmente destroem nossa paz interior, suas ambições nos levam à loucura e, talvez isso não seja para nós. Talvez nós precisemos apenas perder alguns amigos. Meu conselho seria fazer alguns amigos e perder outros, para nos focarmos no que nós realmente queremos.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Mais paixões históricas

Outra das minhas paixões históricas é a Revolução Cubana. Acho fantástica a maneira como os revolucionários tomaram o poder. Principalmente quando se leva em consideração que o desembarque dos primeiros combatentes à ilha foi um desastre e só escaparam 12 pessoas. Foi a partir deste pequeno núcleo (com Fidel, Guevara e Raul) que a longa jornada até Havana começou. Eles se embrenharam em Sierra Maestra, fizeram articulações com os camponeses e conseguiram ajuda no esforço da sociedade cubana para derrubar o ditador Fulgêncio Batista.

É interessante observar como Fidel desempenhava o papel político, o articulador entre as várias facções. Em suma, o animador cultural da campanha. Outro personagem fascinante é Che Guevara. Ele começa a aventura como médico do grupo. Aos poucos foi se destacando tanto nos combates quanto com atos de coragem. E tudo isso mesmo sendo asmático...Logo vira um dos comandantes junto com Camilo Cienfuegos (um camponês brilhante) e Raul (o irmão mais novo de Fidel). Nesta época Fidel passa a comandante-em-chefe.

Uma excelente maneira de entender com profundidade esta história é ler a biografia de Che Guevara escrita pelo jornalista americano John Lee Anderson. O trabalho foi considerado uma das melhores biografias já escritas. Realmente o trabalho é impecável e ajuda a desmistificar as bobagens que são ditas por desinformados e mal-intencionados que querem estigmatizar a vitória dos guerrilheiros.

Acho que os pecados graves cometidos a posteriori pela trupe foi tentar criar o tal homem socialista (o ser humano gosta de ter coisas, possuir, lutar para conquistar melhores condições de vida), não permitir uma distensão política organizada (o que acabou entronizando Fidel no poder por décadas e instigou os EUA a manterem o criminoso bloqueio comercial à Cuba) e ter colocado no papel as estratégias usadas nos combates. A obra escrita por Guevara pretendia ser um manual para incentivar outras ações guerrilheiras pelo continente. Erro crasso. Nem serviu a este propósito e ainda deu de bandeja informações valiosas à CIA, que, com o uso desses dados, conseguiu caçar e assassinar Che na Bolívia.

Mas o que fica para mim como moral da história é que na vida temos sempre que manter um pensamento revolucionário. Isso é fundamental. É inspirador ver aqueles 12 jovens pouco armados e sem mantimentos conseguir dois anos depois chegar ao poder. É quase tudo uma questão de esforço, determinação e a busca pela realização de um sonho.


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terça-feira, 3 de julho de 2007

Schopenhauer e o amor

Voltemos aos nossos posts filosóficos. Agora é a vez de Arthur Schopenhauer. No livro que não canso de mencionar "As Consolações da Filosofia", de Alain de Botton, há um capítulo dedicado a este pensador nascido na Polônia, mas que passou grande parte de sua vida na Alemanha. Schopenhauer tinha uma idéia curiosa sobre o amor. Para ele a paixão acomete os seres humanos com um único propósito inconsciente: perpetuar a espécie. "O momento em que o amor - ou, para ser mais exato, o desejo - entre duas pessoas começa a florescer deve, na realidade, ser encarado como o primeiro passo para a formação de um novo indivíduo", diz ele.

Prossegue Schopenhauer: "Há algo de bastante peculiar na seriedade profunda e inconsciente com que um jovem casal observa um ao outro no primeiro encontro. A troca de olhares sutis e perscrutadores, a cuidadosa inspeção mútua da aparência, o exame rigoroso de todos os traços que compõem cada individualidade nada mais é do que a meditação do espírito, a indagar sobre a viabilidade de ser gerado um novo ser humano"

Portanto, quando estamos atrás do nosso par ideal buscamos na verdade evidências de que teremos uma prole saudável. Não é genial? Mas o melhor está por vir. Segundo Schopenhauer, há um efeito colateral nesta história toda. Somos totalmente ludibriados ao escolher o parceiro a partir das premissas de geração de filhos saudáveis. Achamos que encontramos o par perfeito, mas na verdade nosso interesse é outro. E mais tarde podemos perceber o erro que cometemos. Nas palavras de Alain de Botton:

"...a pessoa que escolhemos como sendo a mais indicada para ter um filho conosco quase nunca é a mais indicada para nós (embora sejamos incapazes de perceber isto no momento que a escolhemos porque a vontade de viver nos ofuscou o raciocínio). " Conseguir que a conveniência e a paixão caminhem de braços dados é o mesmo que receber o mais raro bafejo da sorte", observou Schopenhauer. "

"O parceiro amoroso que livra nosso filho de nascer com um queixo protuberante ou uma índole efeminada não costuma ser a mesma pessoa que nos fará feliz por toda a vida. A busca da felicidade pessoal e da geração de filhos saudáveis são projetos radicalmente opostos que o amor maliciosamente nos confunde e nos leva a pensar que se tratam de um só por um bom número de anos. Não deveríamos nos surpreender com o casamento entre duas pessoas que jamais teriam sido amigas uma da outra. "

Ainda Schopenhauer: " O amor...lança-se sobre as pessoas que fora da relação sexual, seriam detestáveis, desprezíveis e mesmo repugnantes como amantes. A vontade de perpetuação da espécie é tão mais poderosa que a do indivíduo que faz o apaixonado fechar os olhos para todas as qualidades que lhe são repugnantes, tudo tolera, tudo distorce, e acaba por unir-se para sempre ao objeto de sua paixão. Ele se mostra, desta forma, completamente enfeitiçado por uma ilusão, que se desfaz tão logo o desejo de perpetuação da espécie seja satisfeito, mas deixa como herança um cônjuge detestável para o resto da vida..."

Botton finaliza com a seguinte alegoria: Então, um dia, uma mulher com ares de rapaz e um homem com ares de moças irão se aproximar do altar por motivos que nenhum dos dois, ou qualquer outra pessoa, possa ter imaginado...Apenas mais tarde, quando as necessidades da vontade forem satisfeitas e um garoto robusto estiver brincando com sua bola em um quintal de subúrbio, o ardil será descoberto. O casal se separa ou passará a dividir a mesa do jantar em meio a um silêncio hostil" . Como diz Schopenhauer, "a geração futura é providenciada à custa da geração atual".

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terça-feira, 19 de junho de 2007

Máscaras e a simplicidade

Voltemos ao filósofo Sêneca, um dos hits deste blog (veja os posts mais lidos). Agora, dentro da obra Tranqüilidade da Alma vamos abordar um capítulo bem curtinho chamado Praticar a Simplicidade. Para o autor este é um dos grandes males que inquietam a alma das pessoas. O desafio diário de ter uma máscara ou encarnar um personagem perante as outras pessoas torna a vida mais complicada e longe da frugalidade. A questão do filósofo: precisamos mesmo esconder quem realmente somos? Abaixo o pensamento de Sêneca:

" Um outro gênero de inquietude nasce do cuidado que o homem emprega em fingir e em jamais se deixar ver como é. É o caso de muitas pessoas, cuja vida só é hipocrisia e comédia. Que tormento, esta permanente vigilância sobre si mesmo, este terror de ser surpreendido num papel diferente do que aquele que se escolheu! E esta preocupação não nos deixa mais, desde o instante em que nos persuadimos de que somos julgados a cada olhar que nos lançam. Com efeito, aparecem mil incidentes, que nos revelam contra nossa vontade; e quando logramos nos observar sem desfalecimento, que satisfação! Mas que segurança pode oferecer uma existência inteira passada sob uma máscara?

Que encanto, ao contrário, na espontânea simplicidade de um caráter, que desconhece os ornamentos artificiais e que despreza disfarçar-se! É verdade que corremos o risco de perder a consideração, abrindo-nos ingenuamente demais a todos: pois não faltam pessoas para menosprezar o que se lhes torna acessível. Mas a virtude não pode ser de modo algum desprezada, quando oferecida a todos os olhares; e não é melhor ser menosprezado por sua franqueza do que importa-se o suplício de uma dissimulação perpétua? Todavia, não excedamos à medida: pois há muita diferença entre a sinceridade e a falta de modéstia"

Curiosamente, a revista Vida Simples de junho trouxe este mesmo assunto como reportagem de capa (ler aqui)

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domingo, 10 de junho de 2007

Epicuro e a busca da felicidade

Continuo devorando o livro As Consolações da Filosofia, de Alain de Botton. Estou no capítulo dedicado ao filósofo Epicuro (341 a.C). Ele viveu boa parte da vida em Atenas e fundou uma comunidade, digamos, alternativa. Era um grupo de amigos que compartilhava uma casa modesta no subúrbio, fazia plantação de subsistência e passava horas discutindo filosofia.

No entanto, Epicuro leva a fama de ser o autor da idéia de que temos que aproveitar as boas coisas da vida. Conceito que evoluiu de maneira equivocada para comer e beber do melhor; morar em casas confortáveis e luxuosas; vestir-se com requinte... Mas não era nada disso que ele pregava!

O filósofo acreditava que só uma vida em torno de amigos, com liberdade e reflexão traria a felicidade. No primeiro caso, nas palavras de Botton, "...O desejo de possuir riqueza talvez não deva ser sempre entendido como ânsia por uma vida luxuosa. Um motivo mais importante talvez fosse o desejo de ser admirado e bem tratado. Podemos almejar a fortuna como o único objetivo de assegurar o respeito e a atenção de pessoas que, em outras circunstâncias, nos desprezariam. Epicuro, ao discernir nossa carência subjacente, reconheceu que um punhado de bons amigos sinceros poderia prover o amor e o respeito que mesmo a riqueza não pode".

Já a liberdade, para Epicuro, é não ter que se submeter a trabalhar com pessoas de quem não se gosta ou conviver com chefes e suas ordens. Por isso, o filósofo e seus amigos optaram por uma vida mais simples, porém que se afastava deste modelo de dependência a terceiros. Fundaram a comunidade alternativa "Jardim" e conseguiram uma vida equilibrada. Para Botton, " a simplicidade não afetava o senso de status quo dos amigos porque, ao se distanciarem dos valores de Atenas, deixaram de julgar a si próprios segundo bases materiais. Não havia necessidade de constrangimento diante de paredes nuas e nenhum benefício em exibir a posse de ouro. Entre um grupo de amigos que vivia afastado do centro político e econômico da cidade não havia - no sentido financeiro - nada a provar"

Finalmente, Epicuro considerava a reflexão como a terceiro pilar para a busca da felicidade. Na reflexão você consegue combater a ansiedade. O filósofo acreditava que "quando anotamos um problema ou verbalizamos em uma conversa, permitimos que seus aspectos essenciais venham à tona. Uma vez identificado seu caráter, eliminamos, se não o problema em si, pelo menos as características secundárias que o agravam: confusão, indecisão, perplexidade".

Portanto, para Epicuro, ter dinheiro não quer dizer, necessariamente, ter felicidade. Sem amigos, liberdade e uma vida baseada na reflexão, "jamais seremos verdadeiramente felizes. E. se temos tudo, com exceção do dinheiro, jamais seremos infelizes... " . Alain de Botton faz uma reflexão genial na seqüência: "Por que, então, somos tão fortemente atraídos por coisas caras, se elas não podem nos trazer alegrias extraordinárias? ...porque objetos caros podem parecer soluções plausíveis para necessidades que não compreendemos. Os objetos imitam, em uma dimensão material, aquilo de que necessitamos no plano psicológico. Precisamos reorganizar nossas mentes, mas somos seduzidos por prateleiras repletas de novidades. Compramos um cardigã de caxemira como um substituto para conselho de amigos".

Claro que não é fácil escapar do consumismo. Epicuro alertava para o perigo das opiniões vãs. Seriamos influenciados pelo meio que nos cerca (amigos, publicidade, cidade etc), o que causa uma enfatização ao luxo e à riqueza. " A prevalência de uma opinião vã não é uma coincidência. Faz parte dos interesses do mundo dos negócios que esta hierarquia natural de nossas necessidades (amizade, liberdade e reflexão) seja desvirtuada, para a promoção de uma visão material do bem e uma desvalorização do que não pode ser comprado. E a maneira de nos seduzir é estabelecer uma associação astuciosa entre os artigos supérfluos e nossas outras necessidades esquecidas (por exemplo, propaganda de um jipe = a liberdade)".

Prossegue Botton, "...A publicidade não seria tão vitoriosa se não fôssemos criaturas tão sugestionáveis. Cobiçamos coisas que nos são apresentadas vistosamente...Lucrécio (filósofo grego) lamentava a maneira pela qual aquilo que desejamos é escolhido mais por influência da opinião alheia do que pelo que nos revelam nossos sentidos. Proliferam imagens atraentes de produtos e locais suntuosos, e pouco se fala de ambientes e pessoas comuns. Recebemos pouco incentivo para tomar em consideração recompensas modestas: brincar com uma criança, conversar com amigos, uma tarde ao sol, uma casa limpa, um pouco de queijo sobre uma fatia de pão fresco. "

Enfim, viva uma vida mais simples. O que nos custa apreciar uma tarde ensolarada de outono? Andar com o cachorro, tirar um tempo para conversar com amigos, tomar sorvete de mãos dadas com a pessoa amada...Com este pensamento vamos em busca de algo mais profundo e menos epidérmico e ainda ajudamos a tornar a vida em nosso planeta mais sustentável. Afinal, com tanta coisa boa e de graça oferecida pela natureza, por que incentivar o consumismo que, no final das contas, está destruindo Gaia?

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Sêneca e a tranqüilidade da alma
Maus efeitos da riqueza
O pensamento socrático
Filosofia para o dia-a-dia
Coisas simples


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quinta-feira, 7 de junho de 2007

O pensamento socrático

Vivemos em tempos midiáticos em que a percepção vale mais do que a razão. Há uma constante (de)formação da opinião pública a partir de depoimentos na imprensa de pessoas acima de qualquer suspeita. Personalidades que muitas vezes usam argumentos com a profundidade de um pires, mas que ao ser dita junto com outros, torna-se, na visão do cidadão desavisado, algo sensato e que deve ser seguido.

Por exemplo (prometo que não será o mote principal deste post), para a mídia e nossa elite econômica e política, Hugo Chávez é um ditador. Não importa que ele tenha sido eleito pelo voto direto e que tomou todas as decisões dentro de um ambiente reconhecidamente democrático. Isso não importa. O fato é que ele é um déspota e tudo o que ele representa ou faz tem que ser achincalhado. Isso faz com que a população comece a ter idéias preconcebidas e acabe aceitando a percepção negativa. Uma ou outra voz se levanta contra este raciocínio, mas são gotas no tsunami midiático.

Vocês que acompanham este blog sabem que estou afundado em leituras filosóficas. Pois bem. Comprei o livro de Allain Button, As consolações da Filosofia, que depois serviu de base para o documentário Filosofia para o dia-a-dia, já abordado neste blog. O primeiro capítulo trata do raciocínio socrático e como o pensamento comum de uma sociedade muitas vezes não passa por um exame banal de lógica.

A cada página que ia lendo percebia que muitas das coisas que vemos hoje, como o exemplo citado acima, cabem como uma luva no pensamento de Sócrates e o que ele tanto procurou revelar à sociedade ateniense. Claro que este tipo de questionamento lógico incomoda muita gente e destrói as percepções que parte da elite quer passar para o resto das pessoas. Justamente por causa disso, o filósofo grego foi acusado, julgado e condenado a morte...

Em homenagem a Sócrates, que nos empresta a frase Só sei que nada sei, reproduzo alguns trechos do livro de Botton para que vcs também tirem suas conclusões e reflitam sobre quais idéias, opiniões, conceitos tentam nos empurrar goela abaixo diariamente e como nos proteger desta lavagem cerebral.

"...mas não é apenas a hostilidade alheia que pode nos impedir de questionar o status quo. Nosso desejo de levantar dúvidas pode ser salpicado por uma sensação íntima de que as convenções sociais devem ter bases sólidas, mesmo se não sabemos discernir exatamente que bases seriam estas pelo fato de terem sido adotadas por tantas pessoas há tanto tempo. Parece implausível que a nossa sociedade esteja profundamente equivocada em suas crenças e, ao mesmo tempo, que seríamos os únicos a perceber este fato. Reprimimos nossas dúvidas e nos incorporamos ao rebanho porque não conseguimos nos imaginar pioneiros na tarefa de desvendar as verdades desconhecidas e dolorosas...

...Se evitamos questionar o status quo, é principalmente porque - à parte o clima e o tamanho das nossas cidades - associamos o que é popular com o que é certo. O filósofo descalço (Sócrates) levantava um número incontável de questões para determinar se o que era popular fazia ou não sentido...

...Outras pessoas podem estar erradas, mesmo quando ocupam posições importantes, mesmo quando estão advogando crenças adquiridas durante séculos por uma vasta maioria. E a razão é simples: estas pessoas não submeteram suas crenças ao crivo da lógica...Para ressaltar a peculiaridade de sua passividade (ao senso comum) comparou o ato de viver sem raciocinar de maneira sistemática à pratica de uma atividade como a olaria ou a confecção de sapatos sem que se adotem ou mesmo se conheçam as técnicas necessárias para tal. Ninguém jamais iria imaginar que um vaso ou um sapato bem-feitos poderiam resultar apenas da intuição; por que, então, supor que a tarefa mais complexa de se gerir a própria vida poderia ser executada sem qualquer reflexão contínua e sistemática sobre suas premissas e objetivos?

Talvez porque não acreditamos que o ato de gerir nossas vidas seja na realidade complicado. Determinadas atividades difíceis parecem muito difíceis vistas à distância, enquanto outras igualmente difíceis parecem muito fáceis. Ter concepções corretas sobre como viver recai na segunda categoria, fazer um vaso ou um sapato, na primeira...

...O método de Sócrates de examinar o senso comum é observável tanto nos primeiros diálogos de Platão quanto nos chamados diálogos da maturidade e, porque ele segue passos coerentes, pode sem injustiça ser apresentado na linguagem de um livro de receitas ou de um manual, e aplicado a qualquer conceito que alguém foi solicitado a aceitar ou se sente inclinado a contestar. A correção de uma afirmativa não pode, segundo sugere o método, ser determinado pelo fato de ser ou não aceita por uma maioria ou pelo fato de ser seguida há muito tempo por pessoas importantes. Uma afirmativa correta é aquela que não dá margem a ser racionalmente contestada. Uma afirmativa é verdadeira se não se pode ser invalidada. Se puder, não importa o número ou a posição social das pessoas que nela acreditam, ela deve ser falsa e nós estamos certos em duvidar dela."

Não acabou ainda. Voltarei ao nosso filósofo Sócrates em posts futuros.

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terça-feira, 5 de junho de 2007

Lei da Atração 3

Conforme prometido, cá estou com minha modesta análise do livro A Lei da Atração - o segredo colocado em prática, de Michael J. Losier, e publicado pela Nova Fronteira. Livro no estilo manual, com linguagem direta e abordagem bem acessível. Os conceitos apresentados são os mesmos citados em outros livros e no filme. Por exemplo, para conseguir que a Lei da Atração funcione vc precisa seguir os três passos: peça, acredite e receba. Também menciona o poder da vibração, que já vimos em posts anteriores e até recomendo uma releitura do Tudo Vibra. Até aí, concordo, nada demais.

A graça do livro, no entanto, está em duas sacadas do autor e que minimizam (mas não evitam totalmente) algumas das "pegadinhas" já abordadaas neste espaço (veja links abaixo). Uma delas (e a principal) é que para a lei dar certo vc precisa acreditar muuiiito. Não pode dar margem para dúvidas porque atrai a tal vibração negativa. Vc não pode acreditar só 99,99%. Tem que ser 100% ou nada! Bom, e como conseguir isso? Aí vem a idéia matuta do gringo: dizer na fase do acredite que vc está em processo de obter um desejo. Algo assim como "estou em processo de conseguir um sítio na Serra da Mantiqueira". Para o autor, com esta construção da frase não há possibilidade de dúvida. Precisa só ver se a lei da atração é tão tolinha para cair nessa...

A segunda idéia interessante, na verdade técnicas para reprogramar sua vibração, deve ser aplicada no momento do receba, aliás o ponto crítico em todo o processo da Lei da Atração e campeã em "pegadinhas". Terreno altamente pantanoso. Na verdade o receba nada mais é do que vc mesmo permitir que a Lei da Atração lhe dê o que foi pedido. E vc só permite se estiver vibrando totalmente de maneira positiva. Com 1% de vibração negativa já é suficiente para impedir a concretização do desejo. Loucura, não?

Não é por acaso que o autor gasta boa parte do livro para apresentar algumas técnicas que ajudam a espantar qualquer dúvida de quem está praticando a Lei da Atração. É uma variação da primeira sacada, mas muito mais radical. Losier oferece no livro várias opções do que ele denomina de "ferramentas" e que servem para fulminar todo ceticismo e a vibração negativa. Entre as idéias apresentadas estão:

1)Afirmações que permitem: vc quer fazer algo mas acha que não é capaz? Bom, outras pessoas como vc já conseguiram? Então vc também é capaz! Escreva isso!!
2) Celebre a evidência da prova: conseguiu uma pequena prova da Lei da Atração? Comemore.
3) Registre a prova da Lei da Atração: coloque no papel cada manifestação que vc suponha ser resultado da Lei da Atração.
4) Aprecie e seja grato: seja o que for - encontro com amigos, passear em um dia ensolarado. Isso aumenta a sua vibração positiva e diminui o espaço para as dúvidas.

E por aí vão se sucedendo as ferramentas. Sempre com foco no fim das dúvidas, a grande maldição para que a Lei da Atração funcione. Enfim, por 23 paus (pesquise porque tem livrarias cobrando mais pelo livro) não é um investimento que um leitor ávido por saber mais sobre O Segredo vá pensar duas vezes em gastar. E nem precisa ler o livro antes para dirimir qualquer questionamento na hora de colocar a mão no bolso. De qualquer forma, cada vez mais me convenço que a tal Lei da Atração funciona muito bem é para estes autores...O receba deles é pontual!

Leia outros posts sobre este assunto:
Lei da Atração - primeira parte
Lei da Atração 2
Você acredita na Lei da Atração?
Alimente os Grandes Sonhos
Lei da Atração na prática
Ainda O Segredo - sobre a reportagem na Veja
Tudo vibra
O Caibalion


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sábado, 2 de junho de 2007

Sêneca e a tranqüilidade da alma

Depois de ver o DVD sobre filosofia da revista Vida Simples (ver post) acabei me interessando por Sêneca, um dos personagens do documentário. Resgatei entre meus livros a coleção Os Pensadores, da Abril Cultural, e lá estava a obra do filósofo nascido na Espanha e um dos mentores de Nero (depois, claro, convidado ao suicídio pelo déspota). O capítulo dedicado a Sêneca é Da Tranqüilidade da Alma, considerado um dos melhores do autor. Ele procura mostrar como evitar a angústia, a irritação e outros percalços que costumam nos tirar do sério. Mesmo tendo sido escrito há centenas de anos, o livro é muito atual e ainda nos convida a reflexão.

Por exemplo, no tópico Fugir a Agitação estéril, Sêneca nos diz:
" ...A primeira coisa a evitar é desperdiçar nosso esforço ou em objetos inúteis ou de maneira inútil: quero dizer. imaginar ambições irrealizáveis ou reparar um pouco tarde, uma vez satisfeitos nossos desejos, que nos esforçamos sem proveito. Em outras palavras, evitemos de um lado os esforços estéreis e sem resultado, e de outro lado os resultados desproporcionados ao esforço. Pois é quase certo que nosso humor se entristeça, seja depois de um insucesso, seja depois de um sucesso do qual nos temos de envergonhar...

...Este é também o pensamento de Demócrito (filósofo grego), quando ele começa nestes termos:
Quem quiser viver com alma tranqüila não deve ter muitas ocupações: nem de ordem particular nem de ordem pública. Trata-se aqui naturalmente de ocupações inúteis, pois, desde que elas são necessárias, devemos, tanto particulares como públicas, ter não somente muitas, mas inúmeras; ao contrário, quando nenhum dever imperioso nos ordena, devemos saber reprimir nossa atividade. Pois quem multiplica suas ações se expõe a cada instante à sorte. Ora, o mais certo é provocá-la o menos possível, mas pensar nela sem cessar, sem jamais confiar na sua constância...

Eis que isto nos leva a dizer que nada acontece ao sábio contra sua expectativa: não o subtraímos das desgraças humanas, mas sim dos vícios humanos; e todas as coisas lhe sucedem não conforme seus desejos, mas conforme suas previsões. Ora, o que ele prevê, antes de tudo, é que os obstáculos podem sempre opor-se aos seus projetos. Não é, pois, evidente que o pesar causado por uma decepção é bem menos sensível quando não se prometeu antecipadamente o sucesso com segurança?"

Voltarei a Sêneca em outros posts.

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domingo, 27 de maio de 2007

Filosofia para o dia-a-dia

Costumo visitar a banca de jornais uma vez por semana. Normalmente aos sábados. Religiosamente compro a Carta Capital e mais alguma revista que me emocione. São raras, aliás. Duas revistas espanholas de história e a mensal Vida Simples costumam ser as poucas exceções. Às vezes levo uma Rolling Stones, a Caros Amigos, a Época Negócios ou mesmo a Época (esta mais raramente). Cansei de gastar dinheiro com revistas com pautas fracas, abordagens superficiais e muitas vezes com viés político, como a Veja e a Exame. Por isso, decidi só comprar o que me dá prazer na leitura. E a Vida Simples é uma delas. Não que adore todas as edições. Acho que há um descompasso nas pautas, o que faz alguns números serem muito bons e outros medianos. Mas mesmo assim, na média, não ofende e sempre tem algo de interessante.

Mas toda esta volta é para citar um DVD que a revista acaba de lançar. Na minha visita à banca, esbarrei no produto da Vida Simples chamado "Filosofia para o dia-a-dia". Já está à venda o primeiro número (são dois) que aborda em três capítulos "Sêneca e a raiva", "Schopenhauer e o amor" e "Montaigne e a auto-estima". Tudo baseado na obra do escritor suíço Alain de Botton, que tenta em sua trabalho levar a filosofia para o cotidiano das pessoas. Claro que por ser filmes de 24 minutos não é possível uma abordagem muito profunda, mas o pouco que oferece já é muito estimulante e vale pagar os 30 reais pedidos.

Não vi todo o DVD ainda. Consegui assistir a dois dos três capítulos. Alain apresenta o documentário e procura mostrar quem é o filósofo abordado, contextualizar a obra dentro do período em que viveu e como podemos aplicar aquele pensamento em nosso dia-a-dia. No caso de Sêneca, por exemplo, a raiva vem da nossa necessidade de querer que o mundo funcione à nossa maneira. Por isso, temos que estar sempre preparados para quando as coisas fujam do controle. Prever o que pode dar errado faz com que nossa irritação seja bem menor e não nos frustremos. No trânsito, por exemplo, saber que existem motoristas barbeiros e que a qualquer momento vc pode ser fechado por um deles elimina a raiva quando isso realmente acontece.

Ver o documentário dá vontade de ir mais fundo no tema, comprar livros, pesquisar na internet etc. O problema é que muitas vezes esta busca acaba sendo frustrante porque quem fala ou escreve sobre o tema pode não ter o mesmo didatismo de Alain de Botton e aí alguns conceitos são quase impenetráveis. Mas só o fato de o DVD instigar a querer saber mais sobre temas filosóficos já é um grande mérito.

Leia também os posts
Sêneca e a tranqüilidade da alma
Maus efeitos da riqueza

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Alimente os grandes sonhos

Recebi um e-mail de um internauta que me pergunta se é possível tornar realidade desejos muito difíceis. Em tese, segundo os adeptos da Lei da Atração, seria possível sim. Como não sou o maior especialista vivo sobre este assunto, recorri aos alfarrábios. O livro Peça e será atendido tem um tópico chamado Alimente os grandes sonhos que esclarece um pouco mais esta questão e mostra outra pegadinha da tal lei (ver as outras no post Lei da Atração 2). Reproduzo um trecho:

"Não se impressione com a dimensão dos seus desejos. Use a imaginação para criar qualquer sonho e alimente seus grandes sonhos com tanta freqüência que eles acabarão se tornando familiares, e sua manifestação será a etapa lógica seguinte.
Por exemplo, uma mãe e sua filha adulta estavam pretendendo comprar uma casa grande em uma área agradável para nela instalarem uma pensão. A filha disse à mãe: "Se pudéssemos comprar essa casa, eu ficaria feliz pelo resto da vida. Se isso acontecesse, compensaria todas as coisas que eu quis e que não aconteceram".
Explicamos que a vibração do desejo da filha ainda não estava no lugar certo para permitir que essa experiência se concretizasse. Quando você tem a sensação de que o seu desejo é tão grande que parece inalcançável, ele não está próximo da manifestação. Mas quando tem a impressão de que o seu desejo é a próxima etapa lógica, então ele fica à beira da manifestação"


Outros posts sobre o assunto:
Lei da Atração - primeira parte
Lei da Atração 2
Tudo vibra
O Caibalion
Branas para leigos
Lei da Atração (marcador com todos os posts sobre o tema)

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sexta-feira, 11 de maio de 2007

Mais bem-aventurança

No post especial desta sexta, volto ao tema da bem-aventurança. É um conceito poderoso para mim que estou nesta busca pessoal. Começo um novo momento em minha vida e estou na expectativa que as portas se abram, que o poder de atração não me abandone e que tudo dê certo. Acredito que minhas vibrações estejam positivas. Torçam por mim!
Bom, hoje vou mencionar aqui um outro trecho de Joseph Campbell explicando a bem-aventurança no livro O Poder do Mito. No final, coloquei links para outros posts que abordam esta obra e têm mais partes interessantes transcritas. Clicando no marcador bem-aventurança você pode ler todos de uma vez. Boa leitura.

"CAMPBELL:...Voltei da Europa, como estudante, em 1929, exatamente três semanas antes da quebra da Bolsa de Nova Iorque, de modo que fiquei desempregado por cinco anos. Simplesmente não havia emprego. Para mim foi um período esplêndido.

MOYERS: Esplêndido? O auge da Depressão? O que havia de maravilhoso nisso?

CAMPBELL: Eu não me sentia pobre, apenas sabia que não tinha dinheiro. As pessoas eram muito boas umas com as outras, naquele tempo. Por exemplo, descobri Frobenius, que de repente me entusiasmou, e eu quis ler tudo o que ele tinha escrito. Então simplesmente fiz a encomenda a uma livraria que tinha conhecido, em Nova Iorque, e eles me enviaram os livros, dizendo que não precisava pagar, até conseguir emprego - o que aconteceu quatro anos depois.
Havia um velhinho maravilhoso, em Woodstock, que tinha uma propriedade com uns poucos quartinhos que ele alugava por vinte dólares ao ano, pouco mais, pouco menos, a qualquer jovem que, na opinião dele, tivesse algum futuro nas artes. Não havia água corrente, apenas aqui e ali um poço e uma bomba. Ele dizia que não mandava instalar água corrente porque não gostava do tipo de gente que isso atraía. Foi lá que realizei a maior parte das minhas leituras básicas. Foi esplêndido. Eu estava no encalço da minha bem-aventurança.
Bem, eu cheguei a esta idéia de bem-aventurança porque em sânscrito, a grande linguagem espiritual do mundo, há três termos que representam a margem, o trampolim para o oceano da transcendência: Sat, Chit e Ananda, A palavra Sat significa "ser"; Chit significa "consciência"; Ananda significa "bem-aventurança" ou "enlevo". Pensei: "Não sei se minha consciência é propriamente consciência ou não; não sei se o que entendo pelo meu ser é o meu próprio ser ou não; mas sei onde está o meu enlevo. Então vou apegar-me ao meu enlevo, e isso me trata tanto a minha consciência como o meu "ser". Creio que funcionou.

MOYERS: Será que chegamos a saber a verdade? Será que chegamos a encontrá-la?

CAMPBELL: Cada um possui a sua própria profundidade, a sua própria experiência, e alguma convicção quanto a estar em contato com sua própria sat-chit-amanda, seu próprio ser, através da consciência e da bem-aventurança. Os religiosos dizem que não chegamos a experimentar verdadeiramente a bem-aventurança antes de morrermos e irmos para o céu. Mas eu acredito em atingir o máximo possível dessa experiência enquanto estamos vivos.

MOYERS: A bem-aventurança é agora.

CAMPBELL: No céu, você terá um enlevo tão maravilhoso contemplando Deus que nem terá condições de se dedicar à sua própria experiência. O céu não é o lugar para ter essa experiência - o lugar para ela é aqui.

MOYERS: Você já teve a sensação, como eu tenho às vezes, ao perseguir a sua bem-aventurança, de estar sendo ajudado por mãos invisíveis?

CAMPBELL: O tempo todo. É milagroso. Tenho até mesmo uma superstição, que se desenvolveu em mim como resultado dessas mãos invisíveis agindo o tempo todo, a superstição, por exemplo, de que, pondo-se no encalço da sua bem-aventurança, você se coloca numa espécie de trilha que esteve aí o tempo todo, à sua espera, e a vida que você tem que viver é essa mesma que você está vivendo. Quando consegue ver isso, você começa a encontrar pessoas que estão no campo da sua bem-aventurança, e elas abrem as portas para você. Eu costumo dizer: Persiga a sua bem-aventurança e não tenha medo, que as portas se abrirão, lá onde você não sabia que havia portas.

MOYERS: Você já sentiu simpatia pelo homem que não dispõe desse tipo de apoio invisível?

CAMPBELL: Quem não tem esse tipo de apoio? Bem, esse é o tipo que evoca compaixão, o pobre coitado. Vê-lo tropeçando, desajeitado, quando todas as águas da vida estão exatamente ali, ao alcance da mão, realmente desperta piedade.

MOYERS: As águas da vida eterna estão exatamente ali? Onde?

CAMPBELL: Onde quer que você esteja, se estiver no encalço da sua bem-aventurança, você estará desfrutando aquele frescor, aquela vida intensa dentro de você, o tempo todo.

Livro: O Poder do Mito - editora Palas Athena - páginas 126, 127 e 128

Veja abaixo outros links para posts sobre Joseph Campbell, O Poder do Mito e a bem-aventurança:
Especial de sexta
Em busca da bem-aventurança

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sexta-feira, 4 de maio de 2007

Um visão holística e ecológica

O especial desta sexta-feira e do fim de semana é o livro A Teia da Vida, de Fritjof Capra. Na verdade não vamos abordar tanto o livro, mas mais especificamente o conceito holístico e ecológico que o autor usa. Nesta época em que estamos rompendo paradigmas em relação ao meio ambiente, afinal deixou de ser coisa de chato falar de ecologia, vale a pena uma releitura do que é ser holístico e ecológico e ter uma visão menos cartesiana da vida. Até mesmo entender que tudo está integrado em redes sistêmicas e que não podemos mais olhar apenas para o interesse pessoal de cada um. Isso já nos levou a este quase abismo. Veremos se teremos forças para reverter parcialmente este quadro. Boa leitura!

" Há soluções para os principais problemas de nosso tempo, algumas delas até mesmo simples. Mas requerem uma mudança radical em nossas percepções, no nosso pensamento e nos nossos valores. E, de fato, estamos agora no princípio dessa mudança fundamental de visão do mundo na ciência e na sociedade, uma mudança de paradigma tão radical como o foi a revolução copernicana. Porém, essa compreensão ainda não despontou entre a maioria dos nossos líderes políticos. O reconhecimento de que é necessária uma profunda mudança de percepção e de pensamento para garantir nossa sobrevivência ainda não atingiu a maioria dos líderes das nossas corporações, nem os administradores e os professores das nossas grandes universidades.
Nossos líderes não só deixam de reconhecer como diferentes problemas estão interrelacionados; eles também se recusam a reconhecer como as suas assim chamadas soluções afetam as gerações futuras. A partir do ponto de vista sistêmico, as únicas soluções viáveis são as soluções "sustentáveis". O conceito de sustentabilidade adquiriu importância-chave no movimento ecológico e é realmente fundamental. Lester Brown, do Wordlwatch Institute, deu uma definição simples, clara e bela: "Uma sociedade sustentável é aquela que satisfaz suas necessidades sem diminuir as perspectivas das gerações futuras". Este, em resumo, é o grande desafio do nosso tempo: criar comunidades sustentáveis - isto é, ambientes sociais e culturais onde podemos satisfazer as nossas necessidades e aspirações sem diminuir as chances das gerações futuras...
...O paradigma que está agora retrocedendo dominou a nossa cultura por várias centenas de anos, durante as quais modelou nossa moderna sociedade ocidental e influenciou significativamente o restante do mundo. Esse paradigma consiste em várias idéias e valores entrincheirados, entre os quais a visão do universo como um sistema mecânico composto de blocos de construção elementares, a visão do corpo humano como uma máquina, a visão da vida em sociedade como uma luta competitiva pela existência, a crença no progresso material ilimitado, a ser obtido por intermédio de crescimento econômico e tecnológico, e - por fim, mas não menos importante, a crença em que uma sociedade na qual a mulher é, por toda a parte, classificada em posição inferior à do homem é uma sociedade que segue uma lei básica da natureza. Todas essas suposições têm sido decisivamente desafiadas por eventos recentes...
O novo paradigma pode ser chamado de uma visão de mundo holística, que concebe o mundo como um todo integrado, e não como uma coleção de partes dissociadas. Pode também ser denominado visão ecológica, se o termo "ecológica" for empregado num sentido muito mais amplo e mais profundo do que o usual. A percepção ecológica profunda reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos, e o fato de que , enquanto indivíduos e sociedades, estamos todos encaixados nos processos cíclicos da natureza (e, em última análise, somos dependentes desses processos).
Os dois termos, "holístico" e "ecológico", diferem ligeiramente em seus significados, e parece que "holístico" é um pouco menos apropriado para descrever o novo paradigma. Uma visão holística , digamos, de uma bicicleta significa ver a bicicleta como um todo funcional e compreender, em conformidade com isso, as interdependências das suas partes. Uma visão ecológica da bicicleta inclui isso, mas acrescenta-lhe a percepção de como a bicicleta está encaixada no seu ambiente natural e social - de ponde vêm as matérias-primas que entram nela, como foi fabricada, como o seu uso afeta o meio ambiente natural e a comunidade pela qual ela é usada, e assim por diante. Essa distinção entre "holístico" e "ecológico" é ainda mais importante quando falamos sobre sistemas vivos, para os quais as conexões com o meio ambiente são muito mais vitais...
...O que isso implica é o fato de que o vínculo entre uma percepção ecológica do mundo e o comportamento correspondente não é uma conexão lógica, mas psicológica. A lógica não nos persuade de que deveríamos viver respeitando certas normas, uma vez que somos parte integral da teia da vida. No entanto, se temos a percepção, ou a experiência, ecológica profunda de sermos parte da teia da vida, então estaremos (em oposição a deveríamos estar) inclinados a cuidar de toda a natureza viva. De fato, mal podemos deixar de responder dessa maneira...."

Trechos extraídos das páginas 24, 25 e 29 do livro a Teia da Vida, de Fritjof Capra. Editora Cultrix

Leia outros posts sobre sustentabilidade

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quinta-feira, 3 de maio de 2007

Lei da Atração 2

Já vimos como em tese a Lei da Atração usa a vibração para atrair os desejos de quem pede. Porém, há uma grande confusão entre pedir e achar que vai ser facilmente atendido. Na comunidade de O Segredo no Orkut reparei que a grande maioria das questões no fórum eram de pessoas que desdenhavam com vários exemplos mal-sucedidos da tal lei. O problema é que há algumas pegadinhas que tornam a possibilidade de ser atendido mais difícil, no entanto pouca gente repara nisso. Obviamente, com terreno tão pantanoso, os céticos têm alguma razão em desconfiar. Veja abaixo um check-list do que pode dar errado na Lei da Atração:
1) Bem-estar - vc precisa estar feliz com a vida, ter pensamentos positivos, estar em busca da felicidade, sumir com as emoções negativas. Tudo isso ajuda a ter uma vibração positiva. Deu para reparar na dificuldade de estar assim a maior parte do tempo?
2) Poder da vibração - pessoas ainda no "pré-primário" da Lei da Atração tendem a ter uma força menor do que os iniciados. Isso porque os pensamentos são confusos, há pouca concentração, a pessoa deseja o que não quer etc. A prática correta só virá com o tempo e muito treinamento.
3) Tempo - mesmo com um alto poder de vibração, leva algum tempo para conseguir o que se deseja. A Lei da Atração, dizem os entendidos, não é uma rede fast food com entrega imediata. E aí vc tem que ter paciência e aguardar, mesmo sem saber se conseguiu passar pelos itens 1 e 2...
4) Permitir receber - Esta é a pior de todas. Tudo o que vc pede é atendido, mas vc precisa permitir receber a resposta! Caso contrário, nada acontece. No livro Peça e será atendido essa regra chama-se Arte da Permissão. Sua vibração precisa estar sintonizada e em harmonia com o universo. Voltamos ao ponto 1...
Portanto, a Lei da Atração não é a panacéia que faz parecer à primeira vista. Não é almoço grátis. Para dar certo vai exigir uma série de mudanças em atitudes e comportamentos. Fácil de falar, mas difícil de fazer.
No livro Peça e será atendido tem alguns trechos sobre o tema acima que reproduzo aqui para fechar este post e deixá-los com seus pensamentos e reflexões:

"Se vc decidir "ir em busca da felicidade", mas estiver pensando em uma situação de vida problemática, sua decisão não será bem-sucedida, porque a Lei da Atração não pode atrair um pensamento com tanta diferença vibrátil...Mais uma vez: cada emoção indica quanta Energia você está atraindo por causa do seu desejo; as crenças e os pensamentos predominantes que você mantém com relação a esse desejo é que permitem que a Energia flua em maior ou menor quantidade...Quando suas emoções fortes são negativas (como depressão, medo ou raiva) você está oferecendo resistência ao seu desejo....Parece óbvio que a situação criadora perfeita consiste em querer muito algo que você verdadeiramente acredita ser possível. Quando essa combinação de desejo e crença está presente em você, as coisas se desenrolam de maneira fácil e rápida na sua experiência..."

Alguns links interessantes:

Lei da Atração - primeira parte
Alimente os Grandes Sonhos
Lei da Atração na prática
Você acredita na Lei da Atração?
Tudo vibra

O Caibalion
Branas para leigos
Lei da Atração

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quarta-feira, 2 de maio de 2007

A lei da atração

Como já vimos em posts anteriores, tudo vibra neste universo. Este conceito vem desde tempos imemoriais com o Caibalion, passando pela física quântica e pela Teoria das Cordas (que ainda precisa ser comprovada cientificamente). E qual é o principal foco da Lei da Atração, que voltou à ribalta recentemente pelo filme O Segredo? A vibração, claro.
No livro Peça e será atendido há uma farta explicação sobre isso e que merece uma atenção especial de nossa parte. Diz lá que "você é um ser vibrátil...é um transmissor vibrátil e está transmitindo seu sinal em todos os momentos da sua existência. Enquanto está desperto, você projeta constantemente um sinal específico e facilmente identificável que é instantaneamente compreendido e respondido"
Por isso que a grande chave para que a Lei da Atração funcione está na consciência. Pelo que li neste livro e em outros locais, o treinamento do pensamento é fundamental. "Você pode aprender a moldar a energia que cria mundos com a concentração de sua mente. Você concentra através da projeção do pensamento".
Outro ponto importante é o bem-estar. A pessoa precisa estar totalmente equilibrada emocionalmente para que as vibrações funcionem. O bem-estar seria uma espécie de "cabo", "conexão" com o universo. "Você está bem. Você é amado, e o bem-estar flui constantemente em sua direção. Se você permitir sua entrada, ele se manifestará de todas as formas em sua experiência"
A partir daí começa o pulo do gato. Quando você dá atenção para alguma coisa já está vibrando energia. Ao focar muitas vezes naquela coisa cria-se uma crença. E aí funciona a lei da atração por meio da vibração desta coisa que você deseja. Por isso, diz o livro, é fundamental que você aceite sua condição de ser vibrátil. E acreditar nisso. "Você vive em universo vibrátil e é mais energia, vibração ou eletricidade do que percebe. Se você aceitar essa nova orientação e passa a aceitar-se como um ser vibrátil que atrai todas as coisas que lhe acontecem, então começará a deliciosa jornada rumo à Criação Intencional"
Bom, para início de conversa, acho que esta introdução resolve as questões iniciais e empolga por corresponder a algumas questões que a física nos apresenta. Mas voltaremos a este tema polêmico.
Abaixo alguns links de posts anteriores sobre vibração, teoria das cordas, física quântica e lei da atração.

Leia outros posts sobre este assunto:
Lei da Atração 2
Alimente os Grandes Sonhos
Lei da Atração na prática
Você acredita na Lei da Atração?
Tudo vibra
O Caibalion
Branas para leigos
Lei da Atração -

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Paulo Coelho x Roberto Carlos

A notícia da proibição da venda da biografia do cantor Roberto Carlos me surpreendeu, mas surpresa maior foi a falta de protestos contra a censura que a medida definida em acordo judicial trouxe. Para minha satisfação vi que o escritor Paulo Coelho também ficou indignado com o caso e desanca o cantor e sua própria editora, a Planeta, por ter aceitado passivamente os termos da ação judicial. Com o sugestivo título O que é "contexto desfavorável"? , o mago faz um belo artigo na Folha de hoje. Abaixo alguns trechos e link para a íntegra:

"...é com grande tristeza que leio nos jornais que, na 20ª Vara Criminal da Barra Funda, em São Paulo, os advogados do cantor Roberto Carlos e da editora Planeta fizeram um acordo que prevê a interrupção definitiva da produção e comercialização da biografia não-autorizada "Roberto Carlos em Detalhes", do jornalista e historiador Paulo Cesar Araújo. O editor diz um disparate para salvar a honra, o cantor não diz nada e o autor fica proibido de dar declarações a respeito. E estamos conversados. Estamos conversados? Não, não estamos, e tenho autoridade para dizer isso. Tenho autoridade porque, desde que publiquei meu primeiro livro, tenho sido sistematicamente atacado. Creio que qualquer pessoa em seu juízo normal sabe que, a partir do momento em que sua carreira se torna pública, está exposta a ter sua vida esquadrinhada, suas fotos publicadas, seu trabalho louvado ou enxovalhado pelos críticos. Isso faz parte do jogo e vale para escritores, políticos, músicos, esportistas. Nem sempre essas críticas são justas e, muitas vezes, descambam para ataques pessoais."
"...Diz o velho ditado: "Quem está no fogo é para se queimar". Eu acrescento: Quem está no fogo é para ajudar a fogueira a brilhar mais ainda. Não adianta o meu editor declarar que fez o acordo "porque o contexto era desfavorável". Ele precisa vir a público explicar qual é esse contexto -ou seja, se estamos falando de calúnia. Neste caso, tem meu apoio integral, pois calúnia é sinônimo de infâmia. Mas, caso contrário, está colaborando para que comece a se criar um sério precedente -a volta da censura. Roberto Carlos tem muito mais anos na mídia do que eu; já devia ter se acostumado. Continuarei comprando seus discos, mas estou extremamente chocado com sua atitude infantil, como se grande parte das coisas que li na imprensa justificando a razão da "invasão de privacidade" já não fosse mais do que conhecida por todos os seus fãs. "
"...gostaria que minha editora, dinâmica, corajosa, se instalando agora no Brasil, explicasse a todos nós, brasileiros, o que significa esse tal de "contexto desfavorável". Desfavorável é fazer acordo a portas fechadas, colocando em risco uma liberdade reconquistada com muito sacrifício depois de ter sido seqüestrada por anos a fio pela ditadura militar... "

Leia aqui o texto completo (só para assinantes)

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sábado, 28 de abril de 2007

Lixo nuclear em casa

Leio na Folha que a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, é totalmente contrária à construção de usinas nucleares no país. Por ela, Angra 3 não sai do papel. Graças a essa posição, o governo Lula não consegue há 4 anos decidir se manda construir ou não a usina. Não conheço a ministra e é difícil avaliar o seu trabalho a partir do noticiário sempre tendencioso. Cria-se a impressão que todas as obras importantes do país estão paradas por causa de entraves burocráticos dentro do ministério do Meio Ambiente. Bom, mas este post pretende apenas mostrar que esta questão da energia nuclear precisa ser melhor debatida e alguns dogmas, como o da ministra, têm que ser revistos. Não podemos ficar naquela mesma posição de que energia nuclear é um perigo sem nos questionar se o que temos é um medo real ou uma falsa percepção de perigo. O fato é que nestes dias de aquecimento global, a energia nuclear se mostra uma das fontes mais limpas de geração de eletricidade. No clássico A Vingança de Gaia (já citado em outros posts), o autor e cientista James Lovelock é incisivo:
"Acho triste, mas tipicamente humano, que existam vastas burocracias preocupadas com os resíduos nucleares, organizações enormes dedicadas a desativar usinas nucleares, mas nada semelhante para lidar com o resíduo realmente maligno: o dióxido de carbono.
Mas não basta apresentar este argumento a favor de um uso maior da energia nuclear, porque a crença do grande público na nocividade dessa energia é forte demais para ser derrubada por um simples argumento. Por isso, ofereci-me em público para receber todos os resíduos de alto nível produzidos durante um ano por uma usina nuclear, que seriam depositados em meu pequeno terreno. Eles ocupariam um espaço de cerca de um metro cúbico e caberiam com segurança num fosso de concreto, e eu aproveitaria o calor do decaimento de seus elementos radioativos para aquecer minha casa. Seria um desperdício não fazê-lo. Mais importante, eu, minha família ou a vida selvagem não correríamos nenhum risco..."

"...Franklin Roosevelt disse uma frase memorável ao assumir a presidência em 1933: "Não temos nada a temer, a não ser o próprio medo". A maioria de nós tem medos irracionais que penetram furtivos na mente e provocam um estremecimento: o meu é de torrentes avassaladoras de água barrenta, de ver e ouvir uma muralha gigantesca de água se precipitando sobre mim..."
"Precisamos de fontes de energia livres de emissões imediatamente, e não há nenhum concorrente sério à fissão nuclear. Assim como superar nosso medo da energia nuclear?..."
"...Uma estimativa mais sólida e útil da segurança comparativa das diferentes fontes de energia vem do Instituto Paul Scherrer, na Suíça, em seu relatório de 2001. Eles examinaram todas as fontes de energia de larga escala do mundo para comparar seus históricos de segurança. Expressaram o perigo de cada uma em termos do número de mortos, de 1970 a 1992, por terrawatts/ano (twa) de energia produzida. Os resultados mostraram a seguinte seqüência: carvão (6400 mortos), hidroeletricidade (4 mil), gás (1200) e nuclear (31).
Achei espantosa a constatação de que a energia nuclear é a mais segura das fontes de larga escala..."

Leia outros posts sobre James Lovelock
Em Busca de mais energia
Um trecho de A vingança de Gaia
A tal de sustentabilidade

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sexta-feira, 27 de abril de 2007

Especial de sexta

Estava relendo pela enésima vez o Poder do Mito, clássica entrevista de Joseph Campbell a Bill Moyers, e destaquei alguns trechos que gostaria de compartilhar com vcs sobre a bem-aventurança. Fica sendo um post especial de sexta, de véspera de feriadão e de um mês de blog!

MOYERS - O que acontece quando vc persegue a bem-aventurança?

CAMPBELL - Vc atinge a bem-aventurança. Na Idade Média, uma imagem predileta, que ocorre em muitos, muitos contextos, é a da roda da fortuna. Existe o eixo da roda e existe a borda da roda. Por exemplo, se vc estiver preso à borda da roda da fortuna, vc estará ou acima, no caminho descendente, ou abaixo, no caminho ascendente. Mas se estiver no eixo, vc estará no mesmo lugar o tempo todo, no centro. Este é o sentido do voto de casamento - eu aceito na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza: no caminho ascendente ou descendente. Se eu a tomo como o meu centro, minha esposa é a minha bem-aventurança, não a riqueza que possa trazer-me, não o prestígio social, mas ela em si. Isso é que é perseguir a bem-aventurança.

MOYERS - De que modo poderíamos estabelecer contato com esse manancial da vida eterna, essa bem-aventurança que está exatamente aí?

CAMPBELL - Estamos vivendo o tempo todo experiências que podem, ocasionalmente, conduzir a isso, uma breve intuição de onde está nossa bem-aventurança. Agarre-a. Ninguém pode dizer-lhe o que será. Vc precisa aprender a reconhecer a sua própria profundidade....
... A maioria das pessoas se preocupa com outras coisas. Envolvem-se em atividades econômicas e políticas ou se deixam engajar numa guerra que não é aquela em que estavam interessadas; nessas circunstâncias é muito difícil manter-se fiel ao propósito essencial. Trata-se de uma técnica que cada um precisa desenvolver por sua própria conta.
Mas muitas pessoas que vivem naquela âmbito de interesses que podem ser chamadas de triviais possuem a capacidade, que apenas aguarda ser despertada, de progredirem na direção de um âmbito mais elevado. Eu sei disso. Vi acontecer com muitos estudantes.
Quando ensinava numa escola preparatória, para meninos, eu gostava de conversar com os que cogitavam sobre a carreira que pretendiam seguir. Um garoto se aproximava e perguntava: "Vc acha que eu posso ser escritor?". "Ah", eu dizia, " não sei. Vc é capaz de suportar dez anos de frustração, ninguém prestando atenção a vc, ou vc acha que vai escrever um best-seller logo na primeira tentativa? Se vc tem garra para perseverar no que realmente quer, não importa o que aconteça, então vá em frente."
Então aparecia o papai e dizia: "Não, vc deve estudar Direito, porque oferece muito mais perspectiva financeira, vc sabe". Bem, isso é a borda da roda, não o eixo; não é perseguir a bem-aventurança. Vc pretende se dedicar à fortuna ou à bem-aventurança?...

Extraído das páginas 125 e 126 de O Poder do Mito - Editora Palas Athena.

Leia post "Em busca da bem-aventurança"

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quarta-feira, 25 de abril de 2007

O Segredo e os livros

Era inevitável. Depois do filme O Segredo começou a corrida do ouro das editoras pelos títulos que ajudam a explicar a teoria da atração (o tal segredo). Quem saiu na frente nesta nova leva de auto-ajuda "atracional" foi a Sextante com o Peça e será atendido. A versão em papel de O Segredo chegou às livrarias esta semana. Dos dois, o primeiro tem mais conteúdo e custa baratinho (19 paus). Quando digo conteúdo esclareça-se que além de ser mais minucioso é também mais didático ao apresentar os conceitos, exemplos e definições. O livro oficial fica muito em cima de frases dos participantes do filme que muitas vezes não esclarecem direito algumas questões. Já o Peça consegue jogar alguma luz em questões obscuras, principalmente nos motivos pelos quais vc pede e não consegue ser atendido e o que deve ser feito para tentar reverter o quadro. Claro que nenhuma solução apresentada é fácil, mas para aqueles que viram o filme e procuram mais detalhes me pareceu ser a melhor opção.

Leia posts anteriores sobre O Segredo

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