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sábado, 8 de setembro de 2007

Pitbulls e a deformação da opinião pública

Tenho uma cadela da raça pitbull. Seu nome é Mel e está com quase 8 meses e 18 quilos. Rápida e brincalhona, o animal é companhia constante nas minhas caminhadas pelas ruas do bairro. Seriam até passeios diários se o dia-a-dia no trabalho não fosse tão massacrante. O engraçado é que nunca dei muita bola para cachorros em geral. Um dia, como a patroa implorava por ter um, fomos até um desses mega-petshops. Lá minha esposa se encantou justamente com um filhotinho de pitbull. A raça ela só foi saber depois. Pensava que fosse um vira-lata ou um labrador.

A Mel realmente engana porque não é pitbull do tipo red noise, aquele mais comum que vemos em fotos. Tem o focinho comprido e pelo curto da cor creme sem manchas brancas, outras características que não combinam com um pitbull do nosso imaginário. Como decidimos não cortar as orelhas e o rabo (providência largamente utilizada pelos donos destes cães), muitas pessoas não reconhecem de imediato a nossa cachorra como um pitbull. Brincam, passam a mão no pelo, fazem mil agrados e depois perguntam: que raça é? Quando dizemos que é pitbull, as reações são fantásticas. Alguns pulam de lado, outros mudam rapidamente a feição e se afastam só uns poucos, os que conhecem realmente cachorro, é que não se importam e continuam a brincar com a cadela.

E essas reações negativas se baseiam principalmente na lavagem cerebral que parte da imprensa faz a partir dos tais ataques de pitbulls a crianças e idosos, por exemplo. Não se discute aqui se o fato ocorreu ou não. Claro que existiu. Pessoas se machucaram ou morreram por causa de algum ataque destes animais. Mas o que me incomoda é que se faz um jornalismo preguiçoso, alarmista, de manchete fácil. É muito melhor tratar o assunto como um drama do que investigar o que levou o pitbull a ter aquele comportamento. Porém, fazer essa investigação dá trabalho, exige tempo e recursos. E assim ficamos na epiderme do assunto e a deformação da opinião pública vai se perpetrando. Daí para aparecer algum político oportunista propondo uma lei absurda do tipo extermínio da raça de pitbull, será um passo.

Aí com um projeto desses na pauta e a mídia bombando desinformação é claro que haverá quase um clamor popular para ocorrer alguma bobagem dessas. Não terá governante com coragem suficiente para comprar uma briga dessas. É quase um prato-feito. Ninguém que dependa de votos vai se opor a uma medida que contrarie os "mais nobres anseios da população". Afinal, logo logo tem eleição...

Para mim, a discussão sobre o pitbull deve antes passar por uma investigação mais criteriosa das causas que levaram esses animais a ter um comportamento agressivo. E isso não se vê nas reportagens. Só a seguinte estrutura é mostrada: cão ataca e pessoa morre - família indignada - vizinhos temerosos - cão é morto no centro de zoonoses. Certo, mas o que levou o cão a fazer isso? Que treinadores respeitados de animais foram ouvidos para explicar como se desperta o lado agressivo de um cachorro? Claro, que nada disso foi questionado e optou-se pelo caminho mais fácil e demagógico.

Não sou o maior especialista vivo em cachorros. Estou aprendendo a cuidar de um, mas já li livros e conversei com vários treinadores. Todas as fontes são unânimes em dizer que o pitbull não é um cachorro agressivo. Ele só se torna agressivo se o dono cometer vários erros, como treiná-lo para atacar, bater e maltratá-lo, deixá-lo confinado diariamente em um curto pedaço de terreno, mantê-lo preso o tempo todo em uma corrente, não fazer nenhum tipo de atividade rotineira com o cão etc etc. Um coisa dessas feitas regularmente prejudica o comportamento de qualquer cachorro e não só de pitbull. É uma fórmula infalível para transformar cães normais em maníacos de quatro patas.

Portanto, a lei tem que existir é para o dono do cachorro. É ele quem precisa cuidar corretamente do cão para que o animal não vire um delinquente canino. Ou seja, a pessoa tem que ter responsabilidade e não achar que pode tratar de qualquer jeito um cachorro. Eu sou um dono responsável e minha pitbull Mel é brincalhona e adora carinho, principalmente de crianças. Como eu outras pessoas têm cachorros desta raça com o mesmo comportamento pacífico. Será uma injustiça que todos sejam prejudicados por causa de meia dúzia de celerados que não trataram corretamente o seu cão.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Tranqüilidade no trabalho existe?

Esta é uma dúvida que me assola vez ou outra. E quando chega, desanima a tal ponto que nem as coisas legais, como postar neste blog, me dão alguma alegria. Será que existe algum ambiente de trabalho que seja legal, com poucos problemas, com equipe comprometida e que não cause confusões e ainda traga soluções? Sei lá. Nunca encontrei um lugar assim e cada vez mais me convenço que estou atrás de um Santo Graal, do unicórnio, de um dragão...

O fato é que às vezes me dá vontade de largar tudo e ir para algum lugar bem distante onde possa ter alguma atividade econômica bem básica que gere alguma renda (por menor que seja) mas que em contrapartida me garanta paz e sossego. Será que estou querendo muito? Olho para meu guru Joseph Campbell e ficou pensando: cadê as minhas portas???

Num destes estados de melancolia fui a um evento de trabalho. Não conhecia ninguém e estava só representando uma entidade. Logo puxei papo com outro deslocado na festa. Uns 20 minutos depois chegou para minha surpresa um velho conhecido e diretor de marketing. Papo vem e papo vai o assunto da rodinha envereda para trabalho e felicidade. E saibam que nem provoquei o tema. Surgiu misteriosamente.

Os dois colegas defenderam a tese que não existe vida fácil em ambientes corporativos, mas que todos os executivos sempre reclamam da pressão mas adoram fazer o que fazem. A tese é que quando sua empresa (ou o ambiente de trabalho) o motiva intelectualmente e/ou o instiga a ser desafiado e o coloca à prova regularmente, você gosta do que faz. Sente prazer. Trabalha como um burro, mas adora aquilo e não o trocaria por nada neste mundo.

Como se vê as percepções das pessoas podem ser muito díspares. Enquanto acho que esta vida que levamos é uma insanidade, outras querem mais disso. E até acham que a felicidade está lá, neste mundo corporativo caótico. Já experimentei um pouco destas euforias e sempre foram efêmeras. O problema todo é que não consigo dar este salto para o outro lado do rio. Me libertar de um destes círculos do inferno de Dante...Enquanto isso, vou batalhando diariamente nesta minha Bagda particular.

Independência

Sempre me preocupei em não ser uma pessoa dependente. Nunca dependi, por exemplo, de aluguel. Aos 24 anos entrei em um financiamento da CEF e comprei uma casa. Procurei poupar para ter algum colchão financeiro que me protegesse das intempéries. Nunca dei um passo maior que a perna. Também nunca usei cheque especial. Enfim, só gasto o que tenho. E, se possível, poupo algum dindim.

Não sei qual a motivação psicológica que me levou a ser assim, mas o fato é que isso virou um hábito que tem sido muito útil na minha vida. Com planejamento consigo comprar algumas coisas à vista e pechinchar descontos. Acho que a única vez que me meti em dívida foi com o financiamento da CEF e, se na época era o único meio de adquirir a casa própria, depois me arrependi ao ver que "comprei" quase duas casas com o valor final ao somar tudo o que foi pago.

Recentemente estava lendo a boa revista Época Negócios (edição de agosto) e me deparei com uma entrevista com Manoel Horácio, presidente do banco Fator, no qual ele menciona o hábito de poupar e como isso lhe garantiu segurança até para demitir seus chefes (algo que também aconteceu comigo este ano). Vejam os principais trechos:

"Sempre usei os conceitos econômicos ensinados por minha mãe, uma mulher muito forte. Um deles é o do pote. Quando o dinheiro é pouco, que todos depositem o seu num mesmo pote para que possa se multiplicar. Isso valeu para mim e meus irmãos até os 21 anos. É o conceito de caixa único, que utilizei na reestruturação de empresas. Ela também me ensinou que, sem dinheiro, não se deve comprar nada. Nunca usei cheque especial. O único financiamento que fiz foi para adquirir um apartamento. Nunca mais tive uma dívida.

Não dá para crescer na carreira sem gostar do que se faz. Por isso é importante ser independente, o que significa construir uma poupança que possibilite, quando preciso, mandar o empregador passear e procurar outra coisa. "

Fantástico! Fiquei até emocionado. A mesma estratégia que eu costumo usar e até as mesmas situações vividas. Enfim, achei que valia a pena compartilhar com vcs este modo de viver. Não sei se é o melhor nem o mais recomendável, mas para mim funciona. Planejamento financeiro é como dieta. Cada um tem que escolher um caminho que seja o mais confortável possível.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Mais paixões históricas

Outra das minhas paixões históricas é a Revolução Cubana. Acho fantástica a maneira como os revolucionários tomaram o poder. Principalmente quando se leva em consideração que o desembarque dos primeiros combatentes à ilha foi um desastre e só escaparam 12 pessoas. Foi a partir deste pequeno núcleo (com Fidel, Guevara e Raul) que a longa jornada até Havana começou. Eles se embrenharam em Sierra Maestra, fizeram articulações com os camponeses e conseguiram ajuda no esforço da sociedade cubana para derrubar o ditador Fulgêncio Batista.

É interessante observar como Fidel desempenhava o papel político, o articulador entre as várias facções. Em suma, o animador cultural da campanha. Outro personagem fascinante é Che Guevara. Ele começa a aventura como médico do grupo. Aos poucos foi se destacando tanto nos combates quanto com atos de coragem. E tudo isso mesmo sendo asmático...Logo vira um dos comandantes junto com Camilo Cienfuegos (um camponês brilhante) e Raul (o irmão mais novo de Fidel). Nesta época Fidel passa a comandante-em-chefe.

Uma excelente maneira de entender com profundidade esta história é ler a biografia de Che Guevara escrita pelo jornalista americano John Lee Anderson. O trabalho foi considerado uma das melhores biografias já escritas. Realmente o trabalho é impecável e ajuda a desmistificar as bobagens que são ditas por desinformados e mal-intencionados que querem estigmatizar a vitória dos guerrilheiros.

Acho que os pecados graves cometidos a posteriori pela trupe foi tentar criar o tal homem socialista (o ser humano gosta de ter coisas, possuir, lutar para conquistar melhores condições de vida), não permitir uma distensão política organizada (o que acabou entronizando Fidel no poder por décadas e instigou os EUA a manterem o criminoso bloqueio comercial à Cuba) e ter colocado no papel as estratégias usadas nos combates. A obra escrita por Guevara pretendia ser um manual para incentivar outras ações guerrilheiras pelo continente. Erro crasso. Nem serviu a este propósito e ainda deu de bandeja informações valiosas à CIA, que, com o uso desses dados, conseguiu caçar e assassinar Che na Bolívia.

Mas o que fica para mim como moral da história é que na vida temos sempre que manter um pensamento revolucionário. Isso é fundamental. É inspirador ver aqueles 12 jovens pouco armados e sem mantimentos conseguir dois anos depois chegar ao poder. É quase tudo uma questão de esforço, determinação e a busca pela realização de um sonho.


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quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Paixões históricas

O general americano George Patton foi um dos mais brilhantes e polêmicos militares na época da Segunda Guerra Mundial. Ele surpreendia as pessoas dizendo que em vidas passadas tinha acompanhado grandes militares, como Júlio César, e de ter participado de várias batalhas históricas. Às vezes acho que tive uma experiência parecida. Por exemplo, devo ter lutado na Guerra Civil Espanhola (1936-39) ou pelo menos vivido naquele momento. É uma das minhas pequenas obsessões. A outra é a revolução Cubana (1959).

Tenho livros, filmes, gravações sobre os dois momentos mais interessantes, na minha opinião, do século XX. O que me apaixona na Guerra Civil Espanhola é o esforço de vários voluntários de todas as partes do mundo em lutar para defender a República. Este contingente estrangeiro deu origem às aguerridas brigadas internacionais. Em nenhum momento da história da humanidade houve tal engajamento por um ideal. Vc consegue se imaginar abandonando casa, família, país, enfim, tudo, para lutar e até morrer por uma causa? Pois é. Acho que agora vcs entenderam a minha admiração.

Claro que não estou sozinho neste fã-clube. Milhares de livros e filmes já foram produzidos sobre o tema. Alguns exemplos: George Orwell (A Revolução dos Bichos) escreveu "Homenagem à Catulunha", Ernest Hemingway fez sua única peça de teatro sobre a guerra civil: "A Quinta Coluna". Ele usou ainda o conflito como pano de fundo no romance "Por quem os sinos dobram". André Malraux legou "A Esperança". O conflito teve até a participação de um brasileiro notável, Apolônio de Carvalho, que depois de lutar na Espanha foi ajudar a resistência francesa contra os nazistas. No excelente livro "Vale a Pena Sonhar" ele conta suas aventuras. No cinema, gosto muito de "Terra e Liberdade", de Ken Loach. Ele faz um belo apanhado da história e mostra como a chegada dos soviéticos acabou com o sonho das brigadas internacionais e foi um dos pontos determinantes na derrocada da República frente aos fascistas do general Franco.

Para minha alegria, uma boa e antiga obra histórica sobre o período foi lançada finalmente no Brasil. É a "A Batalha pela Espanha", do consagrado Antony Beevor (autor de Stalingrado e Berlim - 1945). Ele usa uma linguagem jornalística, mas detalha e analisa como ninguém os episódios do conflito. Já li os livros anteriores dele e comecei agora a ler este lançamento. Enfim, a cada página me vejo lá participando das batalhas. Quem sabe não estive por lá assim como Patton, em seus delírios, tinha lutado contra os cartagineses?

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quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Três cantoras e o you tube

Estou aqui matando o meu tempo fora de casa. Graças a um computador, acesso à internet e o You Tube passei horas (literalmente) agradáveis na companhia de três cantoras das quais sou fã ardoroso. Comecei meu passeio virtual com a vocalista do extinto Cramberries, Dolores O'Riordan. Encontrei várias músicas e entrevistas. Tem até um clipe da música Ordinary Day que faz parte do recém-lançado primeiro álbum solo dela "Are You Listening". Para minha alegria ela fará um show agora no final do mês em SP. Já garanti o meu ingresso.

Outra cantora que me emociona é a Joan Baez. Não só por sua linda voz, mas principalmente pela coerência na defesa dos direitos civis. O You Tube tem registros de performances antológicas, como um show que ela fez na famosa prisão de Sing Sing, além de dobradinhas com Bob Dylan. Selecionei para este post um trecho mais inusitado: Joan Baez cantando Me and Bobby Mc Gee com o acompanhamento da orquestra Boston Pops.

Finalizo esta homenagem com a Madeleine Peyroux . A mulher é fantástica. A voz lembra a Billie Holiday, mas ela tem um estilo próprio e acompanha todas as músicas com seu violão. Já fez uma apresentação no Brasil (estive lá!) e repetirá a dose agora em setembro (estarei lá!). Adorei este vídeo no You Tube com a música Careless Love. Jazz e improviso da melhor qualidade. Uma bela amostra da capacidade de madame Peyroux.

Espero que gostem desta modesta seleção.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Post 100

Quatro meses depois de lançar este blog chegamos ao post 100! Nem eu acredito que consegui chegar a esta marca. Mas está sendo muito divertido, enriquecedor e espero que esteja fazendo a diferença para algumas pessoas. Obrigado pela paciência e continuem prestigiando o Branas.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Tristeza? Joseph Campbell nela!

Ando me sentindo um pouco deprimido, triste, angustiado. Como Nietzsche explica bem, não há conquista sem sofrimento e acho que estou passando justamente por este momento. Enfim, para escapar desta depressão sempre recorro aos sábios e um deles é Joseph Campbell. Você pode olhar aí no canto superior direito uma singela homenagem deste blog a este importante pensador. A frase capta bem o sentimento de buscar a bem-aventurança. Onde ela estiver. Quem acompanha o Branas sabe que um dos assuntos recorrentes aqui é este tema (que pode ser melhor entendido ao ler os posts no marcador Jornada e bem-aventurança) .

Bom, estou aqui longe da minha biblioteca, confinado a uma trincheira com quatro paredes e um computador e tentando resolver todos os abacaxis possíveis. Dei um google para encontrar algum texto sobre e de Joseph Campbell para tornar alguns minutos deste dia um pouco mais prazerosos. Acabei esbarrando em uma reportagem antiga da revista Vida Simples que mencionava o autor de O Herói das Mil faces. A alentada matéria de junho de 2004 é bem didática e conta muito sobre a vida dele e os conceitos principais de sua obra. Vale conferir neste link http://vidasimples.abril.com.br/livre/edicoes/017/04.shtml . O final do texto é muito bom e reproduzo aqui o parágrafo inteiro:

"O que é bem-aventurança
Conceito central no pensamento de Campbell, a bem-aventurança, diz ele, está naquilo que nos enche de satisfação e entusiasmo e dá aquele sentimento de estar realmente vivo. E essa busca não é o mesmo que ir atrás de felicidade. Pelo contrário: a jornada tem sofrimento, armadilhas e monstros terríveis. Mas é o que vai fazer, enfim, o herói completar sua transformação para encontrar a dádiva final. Ulisses, o herói da Odisséia, não sai em uma jornada de aventuras porque é a opção que lhe parece a mais feliz. Pelo contrário, ele só parte porque não consegue evitar - ele até finge estar louco para ver se escapa. No final não consegue evitar o chamado, deixa a vida feliz e a amada Penélope para sair em uma longa viagem. Só depois de enfrentar ciclopes, sereias e outros tantos perigos e tentações volta vitorioso para os braços da fiel Penélope. "

Veja abaixo outros links para posts sobre Joseph Campbell, O Poder do Mito e a bem-aventurança:
Especial de sexta
Em busca da bem-aventurança
Mais bem-aventurança

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sábado, 7 de julho de 2007

Aviso aos navegantes

Duas notícias rápidas. Já chegou às bancas o segundo e último DVD Filosofia para o dia-a-dia. Alain de Botton agora nos fala de Sócrates, Epicuro e Nietzsche. Vale a pena. Depois vejam alguns posts neste blog no marcador filosofia onde abordo este assunto e menciono algumas passagens do programa e do livro Consolações da Filosofia, do mesmo Botton e que inspirou o DVD.
A segunda nota é que nossos amigos do site Saindo da Matrix revelam que estará no Brasil em agosto o físico Amit Goswami, autor de A Física da Alma e personagem principal do filme Quem Somos Nós. Os detalhes sobre a visita podem ser lidos aqui.

domingo, 17 de junho de 2007

Branas e as novas dimensões

O físico Marcelo Gleiser toca, em sua coluna na Folha de hoje, em um assunto que é muito caro a este blog: "as dimensões do espaço e como saber se a nossa percepção da realidade não é enganosa? ". O texto é muito esclarecedor e didático mesmo para quem ainda não conhece as últimas novidades da física, principalmene as que envolvem a Teoria das Cordas e a Teoria M. Os dois temas já foram abordados neste blog (ver abaixo alguns links). O texto de Gleiser é uma boa introdução e acredito que esta história, quando comprovada, ainda vai nos fazer compreender melhor questões metafísicas que por enquanto carecem de uma leitura mais científica. Esperemos viver para ver este momento. Enquanto isso, aproveitem o texto do físico:

"Quantas dimensões espaciais existem? "Fácil", diria o leitor, "são três: comprimento, largura e altura. Ou, se você preferir, norte-sul, leste-oeste e a vertical". Sem dúvida, são essas as dimensões que percebemos no nosso dia-a-dia, as dimensões em que nos locomovemos. Mas será que é só isso? E se existirem dimensões que são invisíveis aos nossos olhos, ou mesmo microscópicas, por serem muito pequenas? Como se certificar de que nossa percepção da realidade não é enganosa? Dou um exemplo. Imagine uma mangueira num jardim. De perto, a mangueira é um cilindro bem longo, tendo duas dimensões: seu comprimento e sua circunferência. Uma formiga pode tanto andar ao longo da mangueira quanto dar voltas ao seu redor. Mas, de longe, a mangueira vai se parecendo cada vez mais com uma linha e menos com um tubo. Perdemos a percepção de que ela tem também uma largura. Bem de longe, a mangueira é indistinguível de um objeto com uma dimensão apenas, seu comprimento. Nem sempre nossa percepção da dimensionalidade do espaço corresponde à realidade. Tudo depende de perspectiva e da precisão dos nossos instrumentos de medida.

Como dizia o filósofo francês do final do século 17 Bernard Le Bovier de Fontenelle, queremos sempre saber mais do que enxergamos. A filosofia (leia-se busca pelo conhecimento) é conseqüência da combinação da nossa curiosidade com nossa miopia. Voltando às dimensões do espaço, talvez sejamos apenas míopes. Em matemática, pensar sobre dimensões extras é relativamente simples. Basta adicioná-las às equações descrevendo às propriedades do espaço. Essa é uma das maravilhas da matemática, nos fornecer meios de especular sobre realidades imaginárias, cuja estrutura depende apenas de consistência lógica, sem qualquer compromisso com a realidade. Mas em física a coisa é diferente.

As ciências físicas têm como missão descrever a realidade natural, além das aparências ou das especulações. Podemos especular sobre quantas dimensões espaciais existem, mas a realidade é uma só. A física busca por uma descrição da realidade cada vez mais completa. A idéia de que existem dimensões extras surgiu em 1919. O físico-matemático alemão Theodor Kaluza sugeriu que duas forças fundamentais da natureza, a gravidade e o eletromagnetismo, são, na verdade, uma só quando vistas em um espaço de quatro dimensões espaciais. Ou seja, ilhados na nossa percepção da realidade, limitada à três dimensões, deixamos de vislumbrar a unidade fundamental que existe na natureza. Essa idéia tem um apelo que vai além do científico. Hoje, físicos continuam a formular teorias de unificação das forças em espaços com mais de três dimensões.

Desde a época de Kaluza, foram descobertas mais duas forças fundamentais, as forças nucleares forte e fraca, que atuam no interior do núcleo atômico. Para acolher essas duas novas forças, segundo as teorias atuais, são necessárias nove dimensões espaciais, seis a mais do que as que percebemos. Onde estão elas? Se existem, são muito pequenas para serem percebidas, mesmo com nossos microscópios mais poderosos. Existe a possibilidade, remota, de que seus efeitos sejam medidos em uma máquina gigantesca prestes a entrar em funcionamento na Suíça, um acelerador de partículas conhecido como LHC, que já mencionamos em outras colunas. Caso não sejam, provavelmente serão décadas até que possamos testar essa idéia. No meio tempo, é bom lembrar de que o que vemos é apenas a pequena parte da realidade. "

Alguns posts e links sobre o assunto:
Branas para leigos
Entrevista com a física Lisa Randall
Marcelo Glesiser e a Teoria das Cordas
Resenha da revista Ciência Hoje sobre o livro Universo Elegante
LHC (o acelerador do CERN) é explicado de forma didática no site do Rede Nacional de Ensino e Pesquisa

Pesquise no Buscapé preços de livros de Marcelo Gleiser, Lisa Randall, da obra Universo Elegante e demais publicações sobre a teoria das cordas

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Mas você não consome?

Esta foi a questão levantada por um internauta no branas@uol.com.br . "É fácil falar para não consumir. Tenho certeza de que vc anda de carro, faz compras no shopping, come carne etc, fulminou meu crítico virtual. Toda a indignação foi causada pelo post A ONU e os bicombustíveis, no qual defendo que não adianta ficar falando de sustentabilidade e medidas paliativas como os biocombustíveis. O que vai salvar o planeta é diminuir o consumo. Daí para quase ser chamado de hipócrita foi um passo.

Mas são questões pertinentes e que valem a pena ser respondidas. Óbvio que sou um ser-humano normal e com todas as deficiências crônicas de uma erva daninha neste planeta. Porém, acho que não estou entre os piores e mostro uma evidente evolução.

Tenho entre os pontos positivos o fato de que nunca fui muito ligado à moda, consumo, carros etc. Tomo trem e metrô sem nenhuma crise. Aliás, até me sinto uma pessoa civilizada fazendo isso. Meus gostos mais perdulários, vocês que acompanham o blog já devem ter percebido, são os livros. Curto também traquitanas tecnológicas, mas, não, ainda não tenho tela de plasma, home theater, ipod e outros brinquedinhos modernosos e símbolos de status.

Por outro lado, as coisas duram comigo. Celular, por exemplo, só troco depois de uns 4 anos de uso intenso. Por mim nem trocava, mas os aparelhinhos não aguentam muito tempo. Foram feitos para se dissolverem depois de uma data limite...Meu vídeo-cassete (sim vídeo-cassete) ainda roda umas fitas vhs.

Mas nada disso realmente me emociona mais do que dar algumas voltas em dias ensolarados de outono. Ou mesmo tomar um banho na cachoeira, ficar reunido com a família e amigos. Cada vez mais dou importância a estas pequenas coisas e menos em comprar, consumir, se mostrar, ter status. Gosto da idéia do budismo sobre o desapego.

Porém, antes que alguém queira me canonizar já vou avisando que a única coisa que me recuso mesmo a fazer, e posso até ser apedrejado em praça pública por causa disso, é parar de comer carne! Não dá. Mas quem sabe neste meu caminho da iluminação eu acabe me convencendo e consigo mudar os meus hábitos? E vc? O que vc faz para diminuir o seu consumo? Envie o seu e-mail ou deixe um comentário e vamos compartilhar experiências. O Branas está aqui para isso.

sábado, 9 de junho de 2007

Caridade

Não sei se vcs repararam, mas o exercício da caridade é um ponto em comum entre algumas religiões, como o judaísmo, budismo, espiritismo, umbanda, catolicismo etc. O ato de dar é um dos pilares principais para o bem-estar da pessoa, seja material ou espiritual. Há uma frase que é atribuída a Buda que diz que "se soubéssemos qual o fruto do ato de dar, nós não deixaríamos passar nem sequer uma simples refeição sem dividi-la".

Pensem nisso e comecem a fazer caridade. Atos simples como oferecer refeição para povo na rua (uma pessoa que seja), dar aulas de reforço para crianças carentes, fazer doação de alimentos para orfanato ou asilo, dar kits de lápis de cor e caderno de desenho para crianças na rua etc são exemplos de envolvimento direto na caridade. Mas se vc não tem muito tempo disponível, pode ajudar com uma pequena contribuição em dinheiro alguma associação de caridade que vc conheça (e é bom conhecer mesmo para ver como o trabalho é desenvolvido) .

Pronto. Garanto que você vai se sentir outra pessoa e com energia renovada após um ato de caridade. Além disso, se cada um ajudasse um pouquinho que fosse, as desigualdades sociais no Brasil seriam bem menores. Mãos à obra!

quinta-feira, 31 de maio de 2007

A Lei da Atração colocada em prática

Acabei de receber o livro A Lei da Atração - O Segredo colocado em prática de Michael J. Loser. Não deu para ler tudo, mas o pouco que consultei mostra que é uma obra bem didática e tenta desarmar (não sei se com sucesso) algumas das "pegadinhas" que já mencionei em posts anteriores. Traz ilustrações, texto curto e direto, muitas recomendações e fórmulas. Em breve trarei mais detalhes e comentários sobre este livro. Espero que o autor consiga responder algumas das questões ainda deixadas em aberto pelo filme O Segredo e publicações que tratam do tema e foram lançadas anteriormente. É ver para crer...

Leia posts anteriores sobre Lei da Atração

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Branas mês dois

Completamos o segundo mês de atividades do blog Branas. Compartilho com vcs alguns números bem bacanas: praticamente dobrou o número de visitantes em relação ao mês de abril (384). Outro dado interessante é que quase triplicou a quantidade de páginas visitadas (799). Agradeço a todos que estejam consultando este blog e fico sempre no aguardo de comentários e e-mails. Sua opinião é muito importante para que possamos melhorar ainda mais este sítio.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Coisas simples

Não sei se é o avançar da idade ou a busca pelo auto-conhecimento, talvez uma mistura dos dois, mas o fato é que tenho dado cada vez mais valor a momentos que antes não reparava com a mesma atenção. Por exemplo, apreciar uma tarde de outono. Nunca me senti tão bem ao caminhar com aquele friozinho no rosto, um pouco de sol e o céu azul.

E passear com o cachorro então? Todo o dia chego à noite e dou uma volta de 20 a 30 minutos. Posso estar cansado depois de um dia duro, mas tudo isso desaparece ao começar o passeio. Se for noites tropicais com aquele calor gostoso, ótimo. Se for com frio, como na última semana, tudo bem também. É prazeroso sentir as mudanças do clima, da temperatura, o cheiro das flores. Melhor ainda se consigo levar a alma gêmea na caminhada. Aí aproveitamos tudo isso e ainda colocamos a conversa em dia. Com calma e sem a correria de rápidos telefonemas ou trocas de e-mail.

Alguns filósofos argumentavam que a felicidade não estava necessariamente na riqueza ou na posse de bens materiais, mas nas coisas simples. Buda dizia que o que faz o homem sofrer é a necessidade de querer ter e um infinito apego ao mundo material. Como muitas vezes não conseguimos alcançar nosso objetivo, temos frustração, raiva e sofrimento. Portanto, prestem atenção no seu dia-a-dia e reparem se vcs estão aproveitando bem aqueles momentos simples, frugais, singelos, porém extremamente valiosos e próximos do que podemos definir como felicidade.

domingo, 27 de maio de 2007

Você acredita na Lei da Atração?

Esta é a principal questão que vivo recebendo no e-mail branas@uol.com.br. Alguns gostam de provocar e chegam a dizer que sou contraditório. Não é bem assim. Claro que tudo é uma questão de fé, porém este blog tem a missão de discutir estes temas metafísicos contudo sem esquecer de exercer o espírito crítico.

Explico o que eu quero dizer com um exemplo. Trabalhei durante muito tempo em uma grande editora. Como em toda grande corporação há um departamento chamado Tecnologia da Informação (TI para os íntimos). Também para não fugir à regra esta TI era odiada pelos funcionários. Chegavam a dizer que o setor era o Ladro Negro da Força (uma analogia à Guerra nas Estrelas e o vilão Darth Vader). Pois bem. Um dia um gênio de lá nos impôs um mecanismo de busca para ser colocado nos sites da empresa. Dizia que era o estado da arte em busca (mesmo não sendo do Google, mas esta é outra história). Beirava a perfeição, alardeava.

Claro que não era nada disso. O sistema dependia de tantas variáveis e keywords cadastradas para dar certo que era pior que o cubo mágico ou um destes joguinhos do tipo Lego de montar. Vc solucionava um problema no entanto causava um desequilíbrio em outra forma de busca que até então funcionava muito bem. Aí vc ia reclamar que o sistema não funcionava e o informata dizia que a ferramenta era boa. A culpa do não fucionamento correto era sua...E não adiantava argumentar.

Esta historinha real da série comédia corporativa cabe como uma luva na Lei da Atração. Parece ser realmente uma excelente ferramenta (diferentemente da minha busca). No entanto possui tantas variáveis e premissas (que já denominei de "pegadinhas" em posts anteriores) que tornam sua execução uma tarefa bem menos simples do que aparenta ser ou como é vendida nos fimes e livros.

Por ser um conceito muito empolgante e do bem não nos custa nada estudar a respeito e tentar colocá-lo em prática. Começo o dia, por exemplo, sempre agradecendo por estar ao lado de pessoas queridas, de ter conquistado algumas coisas e querer ir além. Isso me motiva muito e me faz um bem danado. Enquanto isso, espero conquistar aquele sítio na serra com uma bela cachoeira nas imediações...

Leia outros posts sobre este assunto:
Lei da Atração - primeira parte
Lei da Atração 2
Alimente os Grandes Sonhos
Lei da Atração na prática
Ainda O Segredo - sobre a reportagem na Veja
Tudo vibra
O Caibalion
Lei da Atração com todos os posts sobre Lei da Atração e O Segredo


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Filosofia para o dia-a-dia

Costumo visitar a banca de jornais uma vez por semana. Normalmente aos sábados. Religiosamente compro a Carta Capital e mais alguma revista que me emocione. São raras, aliás. Duas revistas espanholas de história e a mensal Vida Simples costumam ser as poucas exceções. Às vezes levo uma Rolling Stones, a Caros Amigos, a Época Negócios ou mesmo a Época (esta mais raramente). Cansei de gastar dinheiro com revistas com pautas fracas, abordagens superficiais e muitas vezes com viés político, como a Veja e a Exame. Por isso, decidi só comprar o que me dá prazer na leitura. E a Vida Simples é uma delas. Não que adore todas as edições. Acho que há um descompasso nas pautas, o que faz alguns números serem muito bons e outros medianos. Mas mesmo assim, na média, não ofende e sempre tem algo de interessante.

Mas toda esta volta é para citar um DVD que a revista acaba de lançar. Na minha visita à banca, esbarrei no produto da Vida Simples chamado "Filosofia para o dia-a-dia". Já está à venda o primeiro número (são dois) que aborda em três capítulos "Sêneca e a raiva", "Schopenhauer e o amor" e "Montaigne e a auto-estima". Tudo baseado na obra do escritor suíço Alain de Botton, que tenta em sua trabalho levar a filosofia para o cotidiano das pessoas. Claro que por ser filmes de 24 minutos não é possível uma abordagem muito profunda, mas o pouco que oferece já é muito estimulante e vale pagar os 30 reais pedidos.

Não vi todo o DVD ainda. Consegui assistir a dois dos três capítulos. Alain apresenta o documentário e procura mostrar quem é o filósofo abordado, contextualizar a obra dentro do período em que viveu e como podemos aplicar aquele pensamento em nosso dia-a-dia. No caso de Sêneca, por exemplo, a raiva vem da nossa necessidade de querer que o mundo funcione à nossa maneira. Por isso, temos que estar sempre preparados para quando as coisas fujam do controle. Prever o que pode dar errado faz com que nossa irritação seja bem menor e não nos frustremos. No trânsito, por exemplo, saber que existem motoristas barbeiros e que a qualquer momento vc pode ser fechado por um deles elimina a raiva quando isso realmente acontece.

Ver o documentário dá vontade de ir mais fundo no tema, comprar livros, pesquisar na internet etc. O problema é que muitas vezes esta busca acaba sendo frustrante porque quem fala ou escreve sobre o tema pode não ter o mesmo didatismo de Alain de Botton e aí alguns conceitos são quase impenetráveis. Mas só o fato de o DVD instigar a querer saber mais sobre temas filosóficos já é um grande mérito.

Leia também os posts
Sêneca e a tranqüilidade da alma
Maus efeitos da riqueza

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Alimente os grandes sonhos

Recebi um e-mail de um internauta que me pergunta se é possível tornar realidade desejos muito difíceis. Em tese, segundo os adeptos da Lei da Atração, seria possível sim. Como não sou o maior especialista vivo sobre este assunto, recorri aos alfarrábios. O livro Peça e será atendido tem um tópico chamado Alimente os grandes sonhos que esclarece um pouco mais esta questão e mostra outra pegadinha da tal lei (ver as outras no post Lei da Atração 2). Reproduzo um trecho:

"Não se impressione com a dimensão dos seus desejos. Use a imaginação para criar qualquer sonho e alimente seus grandes sonhos com tanta freqüência que eles acabarão se tornando familiares, e sua manifestação será a etapa lógica seguinte.
Por exemplo, uma mãe e sua filha adulta estavam pretendendo comprar uma casa grande em uma área agradável para nela instalarem uma pensão. A filha disse à mãe: "Se pudéssemos comprar essa casa, eu ficaria feliz pelo resto da vida. Se isso acontecesse, compensaria todas as coisas que eu quis e que não aconteceram".
Explicamos que a vibração do desejo da filha ainda não estava no lugar certo para permitir que essa experiência se concretizasse. Quando você tem a sensação de que o seu desejo é tão grande que parece inalcançável, ele não está próximo da manifestação. Mas quando tem a impressão de que o seu desejo é a próxima etapa lógica, então ele fica à beira da manifestação"


Outros posts sobre o assunto:
Lei da Atração - primeira parte
Lei da Atração 2
Tudo vibra
O Caibalion
Branas para leigos
Lei da Atração (marcador com todos os posts sobre o tema)

Pesquise no Buscapé preços dos livros O Segredo e Peça e Será atendido

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Mais bem-aventurança

No post especial desta sexta, volto ao tema da bem-aventurança. É um conceito poderoso para mim que estou nesta busca pessoal. Começo um novo momento em minha vida e estou na expectativa que as portas se abram, que o poder de atração não me abandone e que tudo dê certo. Acredito que minhas vibrações estejam positivas. Torçam por mim!
Bom, hoje vou mencionar aqui um outro trecho de Joseph Campbell explicando a bem-aventurança no livro O Poder do Mito. No final, coloquei links para outros posts que abordam esta obra e têm mais partes interessantes transcritas. Clicando no marcador bem-aventurança você pode ler todos de uma vez. Boa leitura.

"CAMPBELL:...Voltei da Europa, como estudante, em 1929, exatamente três semanas antes da quebra da Bolsa de Nova Iorque, de modo que fiquei desempregado por cinco anos. Simplesmente não havia emprego. Para mim foi um período esplêndido.

MOYERS: Esplêndido? O auge da Depressão? O que havia de maravilhoso nisso?

CAMPBELL: Eu não me sentia pobre, apenas sabia que não tinha dinheiro. As pessoas eram muito boas umas com as outras, naquele tempo. Por exemplo, descobri Frobenius, que de repente me entusiasmou, e eu quis ler tudo o que ele tinha escrito. Então simplesmente fiz a encomenda a uma livraria que tinha conhecido, em Nova Iorque, e eles me enviaram os livros, dizendo que não precisava pagar, até conseguir emprego - o que aconteceu quatro anos depois.
Havia um velhinho maravilhoso, em Woodstock, que tinha uma propriedade com uns poucos quartinhos que ele alugava por vinte dólares ao ano, pouco mais, pouco menos, a qualquer jovem que, na opinião dele, tivesse algum futuro nas artes. Não havia água corrente, apenas aqui e ali um poço e uma bomba. Ele dizia que não mandava instalar água corrente porque não gostava do tipo de gente que isso atraía. Foi lá que realizei a maior parte das minhas leituras básicas. Foi esplêndido. Eu estava no encalço da minha bem-aventurança.
Bem, eu cheguei a esta idéia de bem-aventurança porque em sânscrito, a grande linguagem espiritual do mundo, há três termos que representam a margem, o trampolim para o oceano da transcendência: Sat, Chit e Ananda, A palavra Sat significa "ser"; Chit significa "consciência"; Ananda significa "bem-aventurança" ou "enlevo". Pensei: "Não sei se minha consciência é propriamente consciência ou não; não sei se o que entendo pelo meu ser é o meu próprio ser ou não; mas sei onde está o meu enlevo. Então vou apegar-me ao meu enlevo, e isso me trata tanto a minha consciência como o meu "ser". Creio que funcionou.

MOYERS: Será que chegamos a saber a verdade? Será que chegamos a encontrá-la?

CAMPBELL: Cada um possui a sua própria profundidade, a sua própria experiência, e alguma convicção quanto a estar em contato com sua própria sat-chit-amanda, seu próprio ser, através da consciência e da bem-aventurança. Os religiosos dizem que não chegamos a experimentar verdadeiramente a bem-aventurança antes de morrermos e irmos para o céu. Mas eu acredito em atingir o máximo possível dessa experiência enquanto estamos vivos.

MOYERS: A bem-aventurança é agora.

CAMPBELL: No céu, você terá um enlevo tão maravilhoso contemplando Deus que nem terá condições de se dedicar à sua própria experiência. O céu não é o lugar para ter essa experiência - o lugar para ela é aqui.

MOYERS: Você já teve a sensação, como eu tenho às vezes, ao perseguir a sua bem-aventurança, de estar sendo ajudado por mãos invisíveis?

CAMPBELL: O tempo todo. É milagroso. Tenho até mesmo uma superstição, que se desenvolveu em mim como resultado dessas mãos invisíveis agindo o tempo todo, a superstição, por exemplo, de que, pondo-se no encalço da sua bem-aventurança, você se coloca numa espécie de trilha que esteve aí o tempo todo, à sua espera, e a vida que você tem que viver é essa mesma que você está vivendo. Quando consegue ver isso, você começa a encontrar pessoas que estão no campo da sua bem-aventurança, e elas abrem as portas para você. Eu costumo dizer: Persiga a sua bem-aventurança e não tenha medo, que as portas se abrirão, lá onde você não sabia que havia portas.

MOYERS: Você já sentiu simpatia pelo homem que não dispõe desse tipo de apoio invisível?

CAMPBELL: Quem não tem esse tipo de apoio? Bem, esse é o tipo que evoca compaixão, o pobre coitado. Vê-lo tropeçando, desajeitado, quando todas as águas da vida estão exatamente ali, ao alcance da mão, realmente desperta piedade.

MOYERS: As águas da vida eterna estão exatamente ali? Onde?

CAMPBELL: Onde quer que você esteja, se estiver no encalço da sua bem-aventurança, você estará desfrutando aquele frescor, aquela vida intensa dentro de você, o tempo todo.

Livro: O Poder do Mito - editora Palas Athena - páginas 126, 127 e 128

Veja abaixo outros links para posts sobre Joseph Campbell, O Poder do Mito e a bem-aventurança:
Especial de sexta
Em busca da bem-aventurança

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quinta-feira, 3 de maio de 2007

Lei da Atração 2

Já vimos como em tese a Lei da Atração usa a vibração para atrair os desejos de quem pede. Porém, há uma grande confusão entre pedir e achar que vai ser facilmente atendido. Na comunidade de O Segredo no Orkut reparei que a grande maioria das questões no fórum eram de pessoas que desdenhavam com vários exemplos mal-sucedidos da tal lei. O problema é que há algumas pegadinhas que tornam a possibilidade de ser atendido mais difícil, no entanto pouca gente repara nisso. Obviamente, com terreno tão pantanoso, os céticos têm alguma razão em desconfiar. Veja abaixo um check-list do que pode dar errado na Lei da Atração:
1) Bem-estar - vc precisa estar feliz com a vida, ter pensamentos positivos, estar em busca da felicidade, sumir com as emoções negativas. Tudo isso ajuda a ter uma vibração positiva. Deu para reparar na dificuldade de estar assim a maior parte do tempo?
2) Poder da vibração - pessoas ainda no "pré-primário" da Lei da Atração tendem a ter uma força menor do que os iniciados. Isso porque os pensamentos são confusos, há pouca concentração, a pessoa deseja o que não quer etc. A prática correta só virá com o tempo e muito treinamento.
3) Tempo - mesmo com um alto poder de vibração, leva algum tempo para conseguir o que se deseja. A Lei da Atração, dizem os entendidos, não é uma rede fast food com entrega imediata. E aí vc tem que ter paciência e aguardar, mesmo sem saber se conseguiu passar pelos itens 1 e 2...
4) Permitir receber - Esta é a pior de todas. Tudo o que vc pede é atendido, mas vc precisa permitir receber a resposta! Caso contrário, nada acontece. No livro Peça e será atendido essa regra chama-se Arte da Permissão. Sua vibração precisa estar sintonizada e em harmonia com o universo. Voltamos ao ponto 1...
Portanto, a Lei da Atração não é a panacéia que faz parecer à primeira vista. Não é almoço grátis. Para dar certo vai exigir uma série de mudanças em atitudes e comportamentos. Fácil de falar, mas difícil de fazer.
No livro Peça e será atendido tem alguns trechos sobre o tema acima que reproduzo aqui para fechar este post e deixá-los com seus pensamentos e reflexões:

"Se vc decidir "ir em busca da felicidade", mas estiver pensando em uma situação de vida problemática, sua decisão não será bem-sucedida, porque a Lei da Atração não pode atrair um pensamento com tanta diferença vibrátil...Mais uma vez: cada emoção indica quanta Energia você está atraindo por causa do seu desejo; as crenças e os pensamentos predominantes que você mantém com relação a esse desejo é que permitem que a Energia flua em maior ou menor quantidade...Quando suas emoções fortes são negativas (como depressão, medo ou raiva) você está oferecendo resistência ao seu desejo....Parece óbvio que a situação criadora perfeita consiste em querer muito algo que você verdadeiramente acredita ser possível. Quando essa combinação de desejo e crença está presente em você, as coisas se desenrolam de maneira fácil e rápida na sua experiência..."

Alguns links interessantes:

Lei da Atração - primeira parte
Alimente os Grandes Sonhos
Lei da Atração na prática
Você acredita na Lei da Atração?
Tudo vibra

O Caibalion
Branas para leigos
Lei da Atração

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