Não sei se é o avançar da idade ou a busca pelo auto-conhecimento, talvez uma mistura dos dois, mas o fato é que tenho dado cada vez mais valor a momentos que antes não reparava com a mesma atenção. Por exemplo, apreciar uma tarde de outono. Nunca me senti tão bem ao caminhar com aquele friozinho no rosto, um pouco de sol e o céu azul.
E passear com o cachorro então? Todo o dia chego à noite e dou uma volta de 20 a 30 minutos. Posso estar cansado depois de um dia duro, mas tudo isso desaparece ao começar o passeio. Se for noites tropicais com aquele calor gostoso, ótimo. Se for com frio, como na última semana, tudo bem também. É prazeroso sentir as mudanças do clima, da temperatura, o cheiro das flores. Melhor ainda se consigo levar a alma gêmea na caminhada. Aí aproveitamos tudo isso e ainda colocamos a conversa em dia. Com calma e sem a correria de rápidos telefonemas ou trocas de e-mail.
Alguns filósofos argumentavam que a felicidade não estava necessariamente na riqueza ou na posse de bens materiais, mas nas coisas simples. Buda dizia que o que faz o homem sofrer é a necessidade de querer ter e um infinito apego ao mundo material. Como muitas vezes não conseguimos alcançar nosso objetivo, temos frustração, raiva e sofrimento. Portanto, prestem atenção no seu dia-a-dia e reparem se vcs estão aproveitando bem aqueles momentos simples, frugais, singelos, porém extremamente valiosos e próximos do que podemos definir como felicidade.
Ciência, lógica, antropologia, mitos, sonhos, universos e outras dimensões
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Coisas simples
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domingo, 27 de maio de 2007
Você acredita na Lei da Atração?
Esta é a principal questão que vivo recebendo no e-mail branas@uol.com.br. Alguns gostam de provocar e chegam a dizer que sou contraditório. Não é bem assim. Claro que tudo é uma questão de fé, porém este blog tem a missão de discutir estes temas metafísicos contudo sem esquecer de exercer o espírito crítico.
Explico o que eu quero dizer com um exemplo. Trabalhei durante muito tempo em uma grande editora. Como em toda grande corporação há um departamento chamado Tecnologia da Informação (TI para os íntimos). Também para não fugir à regra esta TI era odiada pelos funcionários. Chegavam a dizer que o setor era o Ladro Negro da Força (uma analogia à Guerra nas Estrelas e o vilão Darth Vader). Pois bem. Um dia um gênio de lá nos impôs um mecanismo de busca para ser colocado nos sites da empresa. Dizia que era o estado da arte em busca (mesmo não sendo do Google, mas esta é outra história). Beirava a perfeição, alardeava.
Claro que não era nada disso. O sistema dependia de tantas variáveis e keywords cadastradas para dar certo que era pior que o cubo mágico ou um destes joguinhos do tipo Lego de montar. Vc solucionava um problema no entanto causava um desequilíbrio em outra forma de busca que até então funcionava muito bem. Aí vc ia reclamar que o sistema não funcionava e o informata dizia que a ferramenta era boa. A culpa do não fucionamento correto era sua...E não adiantava argumentar.
Esta historinha real da série comédia corporativa cabe como uma luva na Lei da Atração. Parece ser realmente uma excelente ferramenta (diferentemente da minha busca). No entanto possui tantas variáveis e premissas (que já denominei de "pegadinhas" em posts anteriores) que tornam sua execução uma tarefa bem menos simples do que aparenta ser ou como é vendida nos fimes e livros.
Por ser um conceito muito empolgante e do bem não nos custa nada estudar a respeito e tentar colocá-lo em prática. Começo o dia, por exemplo, sempre agradecendo por estar ao lado de pessoas queridas, de ter conquistado algumas coisas e querer ir além. Isso me motiva muito e me faz um bem danado. Enquanto isso, espero conquistar aquele sítio na serra com uma bela cachoeira nas imediações...
Leia outros posts sobre este assunto:
Lei da Atração - primeira parte
Lei da Atração 2
Alimente os Grandes Sonhos
Lei da Atração na prática
Ainda O Segredo - sobre a reportagem na Veja
Tudo vibra
O Caibalion
Lei da Atração com todos os posts sobre Lei da Atração e O Segredo
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Explico o que eu quero dizer com um exemplo. Trabalhei durante muito tempo em uma grande editora. Como em toda grande corporação há um departamento chamado Tecnologia da Informação (TI para os íntimos). Também para não fugir à regra esta TI era odiada pelos funcionários. Chegavam a dizer que o setor era o Ladro Negro da Força (uma analogia à Guerra nas Estrelas e o vilão Darth Vader). Pois bem. Um dia um gênio de lá nos impôs um mecanismo de busca para ser colocado nos sites da empresa. Dizia que era o estado da arte em busca (mesmo não sendo do Google, mas esta é outra história). Beirava a perfeição, alardeava.
Claro que não era nada disso. O sistema dependia de tantas variáveis e keywords cadastradas para dar certo que era pior que o cubo mágico ou um destes joguinhos do tipo Lego de montar. Vc solucionava um problema no entanto causava um desequilíbrio em outra forma de busca que até então funcionava muito bem. Aí vc ia reclamar que o sistema não funcionava e o informata dizia que a ferramenta era boa. A culpa do não fucionamento correto era sua...E não adiantava argumentar.
Esta historinha real da série comédia corporativa cabe como uma luva na Lei da Atração. Parece ser realmente uma excelente ferramenta (diferentemente da minha busca). No entanto possui tantas variáveis e premissas (que já denominei de "pegadinhas" em posts anteriores) que tornam sua execução uma tarefa bem menos simples do que aparenta ser ou como é vendida nos fimes e livros.
Por ser um conceito muito empolgante e do bem não nos custa nada estudar a respeito e tentar colocá-lo em prática. Começo o dia, por exemplo, sempre agradecendo por estar ao lado de pessoas queridas, de ter conquistado algumas coisas e querer ir além. Isso me motiva muito e me faz um bem danado. Enquanto isso, espero conquistar aquele sítio na serra com uma bela cachoeira nas imediações...
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Filosofia para o dia-a-dia
Costumo visitar a banca de jornais uma vez por semana. Normalmente aos sábados. Religiosamente compro a Carta Capital e mais alguma revista que me emocione. São raras, aliás. Duas revistas espanholas de história e a mensal Vida Simples costumam ser as poucas exceções. Às vezes levo uma Rolling Stones, a Caros Amigos, a Época Negócios ou mesmo a Época (esta mais raramente). Cansei de gastar dinheiro com revistas com pautas fracas, abordagens superficiais e muitas vezes com viés político, como a Veja e a Exame. Por isso, decidi só comprar o que me dá prazer na leitura. E a Vida Simples é uma delas. Não que adore todas as edições. Acho que há um descompasso nas pautas, o que faz alguns números serem muito bons e outros medianos. Mas mesmo assim, na média, não ofende e sempre tem algo de interessante.
Mas toda esta volta é para citar um DVD que a revista acaba de lançar. Na minha visita à banca, esbarrei no produto da Vida Simples chamado "Filosofia para o dia-a-dia". Já está à venda o primeiro número (são dois) que aborda em três capítulos "Sêneca e a raiva", "Schopenhauer e o amor" e "Montaigne e a auto-estima". Tudo baseado na obra do escritor suíço Alain de Botton, que tenta em sua trabalho levar a filosofia para o cotidiano das pessoas. Claro que por ser filmes de 24 minutos não é possível uma abordagem muito profunda, mas o pouco que oferece já é muito estimulante e vale pagar os 30 reais pedidos.
Não vi todo o DVD ainda. Consegui assistir a dois dos três capítulos. Alain apresenta o documentário e procura mostrar quem é o filósofo abordado, contextualizar a obra dentro do período em que viveu e como podemos aplicar aquele pensamento em nosso dia-a-dia. No caso de Sêneca, por exemplo, a raiva vem da nossa necessidade de querer que o mundo funcione à nossa maneira. Por isso, temos que estar sempre preparados para quando as coisas fujam do controle. Prever o que pode dar errado faz com que nossa irritação seja bem menor e não nos frustremos. No trânsito, por exemplo, saber que existem motoristas barbeiros e que a qualquer momento vc pode ser fechado por um deles elimina a raiva quando isso realmente acontece.
Ver o documentário dá vontade de ir mais fundo no tema, comprar livros, pesquisar na internet etc. O problema é que muitas vezes esta busca acaba sendo frustrante porque quem fala ou escreve sobre o tema pode não ter o mesmo didatismo de Alain de Botton e aí alguns conceitos são quase impenetráveis. Mas só o fato de o DVD instigar a querer saber mais sobre temas filosóficos já é um grande mérito.
Leia também os posts
Sêneca e a tranqüilidade da alma
Maus efeitos da riqueza
Mas toda esta volta é para citar um DVD que a revista acaba de lançar. Na minha visita à banca, esbarrei no produto da Vida Simples chamado "Filosofia para o dia-a-dia". Já está à venda o primeiro número (são dois) que aborda em três capítulos "Sêneca e a raiva", "Schopenhauer e o amor" e "Montaigne e a auto-estima". Tudo baseado na obra do escritor suíço Alain de Botton, que tenta em sua trabalho levar a filosofia para o cotidiano das pessoas. Claro que por ser filmes de 24 minutos não é possível uma abordagem muito profunda, mas o pouco que oferece já é muito estimulante e vale pagar os 30 reais pedidos.
Não vi todo o DVD ainda. Consegui assistir a dois dos três capítulos. Alain apresenta o documentário e procura mostrar quem é o filósofo abordado, contextualizar a obra dentro do período em que viveu e como podemos aplicar aquele pensamento em nosso dia-a-dia. No caso de Sêneca, por exemplo, a raiva vem da nossa necessidade de querer que o mundo funcione à nossa maneira. Por isso, temos que estar sempre preparados para quando as coisas fujam do controle. Prever o que pode dar errado faz com que nossa irritação seja bem menor e não nos frustremos. No trânsito, por exemplo, saber que existem motoristas barbeiros e que a qualquer momento vc pode ser fechado por um deles elimina a raiva quando isso realmente acontece.
Ver o documentário dá vontade de ir mais fundo no tema, comprar livros, pesquisar na internet etc. O problema é que muitas vezes esta busca acaba sendo frustrante porque quem fala ou escreve sobre o tema pode não ter o mesmo didatismo de Alain de Botton e aí alguns conceitos são quase impenetráveis. Mas só o fato de o DVD instigar a querer saber mais sobre temas filosóficos já é um grande mérito.
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sábado, 26 de maio de 2007
Lei da atração na prática
Tive uma experiência surpreendente ao visitar a sede de um pioneiro canal de vendas pela televisão. No interior do prédio reparei em uma escada bem larga e iluminada por janelões no alto. Abaixo dos vidros, em uma parede branca, vi vários quadros com montagem de fotos sobrepostas. Eram imagens de prédios de apartamento, casa no campo e na praia, automóveis etc. Uma pessoa que me acompanhava, vendo o meu interesse, me disse que cada quadro daqueles foi feito por um funcionário a pedido do dono e principal apresentador do canal. Ele queria que cada um colocasse naqueles quadros um desejo. Olhei supreso para meu interlocutor e disse em tom de pergunta, quase espanto: O Segredo? Mais admirado ficou o meu guia, que não trabalhava lá, com o meu conhecimento, mas confirmou na hora. "É isso mesmo. Desde dezembro o dono vem falando sobre este filme. Eu nunca dei bola sobre isso até ver na capa da Veja". Bom, lá estava eu na frente de um monte de quadros (acho que eram uns 50) e com clara referência à Lei da Atração. Uma coisa é vc ler e ver um filme a respeito, muitas vezes com autores e depoentes que nunca ouvimos falar antes. A outra é enxergar com seus próprios olhos a Lei da Atração sendo colocada em prática em sua primeira fase. Foi muito interessante e motivador. Para quem assistiu ao filme O Segredo sabe que um dos principais pontos da fita é sobre mentalizar o que vc quer até conseguir. Uma dos trechos detalha a história de uma pessoa que colocou em um quadro a foto de uma casa (na verdade uma mansão) em que gostaria de morar. Anos depois ele se mudou para uma nova residência. Quando estava desempacotando as coisas viu junto com o filho o quadro com a foto. Qual não foi a surpresa dele ao constatar que a casa que ele queria no passado era a mesma que ele havia comprado... Bom, e eu aqui presenciando a gênese de sonhos parecidos de pelo menos umas 50 pessoas. Espero que a Lei da Atração funcione para cada uma delas.
Leia outros posts sobre este assunto:
Lei da Atração - primeira parte
Lei da Atração 2
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terça-feira, 22 de maio de 2007
Carrapatos, alergia e o aquecimento global
Li esta nota no Globo e resolvi compartilhar com vcs. Que os céticos sobre o aquecimento global leiam e reflitam.
" A mudança climática pode ampliar a temporada de pólen e facilitar a difusão de carrapatos transmissores de doenças no norte da Europa, além de permitir que mosquitos prosperem em novas áreas da África e da Ásia, disseram autoridades de saúde pública nesta semana.
De acordo com especialistas presentes na assembléia anual da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Genebra, o aquecimento global já começou a alterar os padrões de doenças parasitárias e transmitidas pela água em áreas vulneráveis a secas e inundações.
Problemas respiratórios e cardíacos podem se tornar mais marcantes depois de ondas de calor e de um aumento da presença de material particulado (poeira, por exemplo) no ar, de acordo com Bettina Menne, da divisão européia da OMS. Ela afirmou que o pólen, responsável por muitas alergias, pode ser liberado antes pelas plantas e ficar mais tempo no ar quando o clima é mais quente.
Ela também citou o movimento dos carrapatos transmissores da doença de Lyme para o norte da Europa, num exemplo dos novos desafios sanitários que vão acompanhar o contínuo aquecimento da Terra, um fenômeno que os cientistas atribuem principalmente à atividade humana. "A mudança climática já afetou a saúde humana", disse ela na noite de segunda-feira, durante uma reunião técnica da OMS.Surtos de cólera e malária em países em desenvolvimento são resultado de mudanças ambientais que afetam os parasitas e as fontes de água, segundo a especialista. O sul da Ásia foi descrito no evento como um local particularmente ameaçado, por ter países propensos a inundações, como Bangladesh, além do degelo de glaciais do Himalaia, áreas desertas e grandes cidades litorâneas, onde a mudança climática poderia facilitar a transmissão de doenças e exacerbar as pressões da desnutrição.Maria Neira, diretora da OMS para saúde pública e meio ambiente, disse ser importante que os políticos lembrem que a mudança climática pode ter um impacto mais amplo do que outras ameaças ambientais e econômicas muito debatidas."
" A mudança climática pode ampliar a temporada de pólen e facilitar a difusão de carrapatos transmissores de doenças no norte da Europa, além de permitir que mosquitos prosperem em novas áreas da África e da Ásia, disseram autoridades de saúde pública nesta semana.
De acordo com especialistas presentes na assembléia anual da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Genebra, o aquecimento global já começou a alterar os padrões de doenças parasitárias e transmitidas pela água em áreas vulneráveis a secas e inundações.
Problemas respiratórios e cardíacos podem se tornar mais marcantes depois de ondas de calor e de um aumento da presença de material particulado (poeira, por exemplo) no ar, de acordo com Bettina Menne, da divisão européia da OMS. Ela afirmou que o pólen, responsável por muitas alergias, pode ser liberado antes pelas plantas e ficar mais tempo no ar quando o clima é mais quente.
Ela também citou o movimento dos carrapatos transmissores da doença de Lyme para o norte da Europa, num exemplo dos novos desafios sanitários que vão acompanhar o contínuo aquecimento da Terra, um fenômeno que os cientistas atribuem principalmente à atividade humana. "A mudança climática já afetou a saúde humana", disse ela na noite de segunda-feira, durante uma reunião técnica da OMS.Surtos de cólera e malária em países em desenvolvimento são resultado de mudanças ambientais que afetam os parasitas e as fontes de água, segundo a especialista. O sul da Ásia foi descrito no evento como um local particularmente ameaçado, por ter países propensos a inundações, como Bangladesh, além do degelo de glaciais do Himalaia, áreas desertas e grandes cidades litorâneas, onde a mudança climática poderia facilitar a transmissão de doenças e exacerbar as pressões da desnutrição.Maria Neira, diretora da OMS para saúde pública e meio ambiente, disse ser importante que os políticos lembrem que a mudança climática pode ter um impacto mais amplo do que outras ameaças ambientais e econômicas muito debatidas."
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sábado, 19 de maio de 2007
Reaproveitando e consertando
Todos que acompanham este blog sabem que para nós sustentabilidade nada mais é que consumir menos e com racionalidade. A mídia, por razões publicitárias óbvias, não gosta muito de enfocar este conceito e prefere ficar na epiderme da frase: "temos que deixar um planeta melhor para as gerações futuras". Bacana, né? Mas como alcançar isso? Basicamente consumindo menos, reaproveitando mais, consertar e não descartar etc.
Frijof Capra, em seu As Conexões Ocultas, foi um dos primeiros a levantar seriamente a questão indo até mais longe na idéia (ver trechos abaixo). Na época, a proposta beirava o realismo fantástico, mas hoje em dia até programas de rádio já mencionam uma parte do conceito.
Outro dia ouvi uma jornalista indicar um site que auxilia não só a escolher os aparelhos que consumam menos energia, mas que também dá boas dicas de como reutilizá-los ou consertá-los. É o my green eletronics . O site é simples, direto e tem dicas que vão além do lugar-comum. O único galho é que está todo em inglês. Tem calculadoras de consumo e links interessantes. Um deles remete para o site greener choises, especializado em informações sobre reutilização e reciclagem de materiais eletrônicos.
Abaixo coloco um trecho do mencionado livro do Capra para vcs irem mais fundo neste conceito de reaproveitamento, reutilização, reuso e reciclagem. Só isso vai nos salvar. O resto é conversa para boi dormir. Fica sendo nosso especial de sexta, mas com cara de sábado...
"Numa sociedade industrial sustentável, todos os produtos, materiais e resíduos serão nutrientes biológicos ou técnicos...Se o conceito dos ciclos técnicos fosse plenamente implementado, provocaria uma reestruturação fundamental das relações econômicas. Afinal de contas, o que nós queremos dos produtos técnicos não é a sensação de possuí-los, mas os serviços que eles nos proporcionam. Queremos diversão do nosso vídeocassete, mobilidade do nosso automóvel, bebidas geladas da nossa geladeira, etc. ...Nós não compramos um televisor para ser donos de uma caixa que contem 4 mil substâncias tóxicas; compramo-lo porque queremos assistir à televisão.
Do ponto de vista do projeto ecológico, não há sentido algum em adquirir esses produtos para jogá-los fora ao término de sua vida útil. É muito mais coerente adquirir os serviços desses produtos, ou seja, alugá-los ou arrendá-los. O produto continuaria sendo propriedade da fábrica; quando não quiséssemos mais um produto ou quiséssemos uma versão mais nova, o fabricante tomaria de volta o produto velho, reduzi-lo-ia a seus componentes básicos - "os nutrientes técnicos" - e usá-los-ia para a fabricação de produtos novos ou para vender a outras empresas. A economia resultante não seria mais baseada na propriedade dos bens, mas seria uma economia de serviço e fluxo. As matérias-primas e componentes técnicos industriais circulariam continuamente entre os fabricantes e os usuários, bem como entre as diversas indústrias.
...(Nesta economia denominada serviço e fluxo) os fabricantes precisam ser capazes de desmontar facilmente os seus produtos a fim de redistribuir a matéria-prima. Esse fato terá efeitos notáveis sobre o projeto dos produtos. Os produtos de maior sucesso serão os que contiverem um número pequeno de materiais e cujos componentes possam ser facilmente desmontados, separados, recondicionados e reutilizados....Quando isso acontecer, a oferta de trabalho (para a desmontagem, a separação e a reciclagem) vai aumentar e a quantidade de resíduos vai diminuir. Assim, a economia de serviço e fluxo se apóia menos sobre o uso de recursos naturais, que são escassos, e mais sobre o uso de recursos humanos, que são abundantes.
Outro efeito dessa nova concepção de projeto será a harmonização dos interesses dos consumidores e dos fabricantes no que diz respeito à durabilidade dos produtos. Numa economia baseada na venda de bens, a obsolescência e a substituição freqüente dos bens atende aos interesses financeiros dos fabricantes, muito embora prejudique o meio ambiente e saia caro para os consumidores. Numa economia de serviço e fluxo, por outro lado, interessa tanto aos fabricantes quanto aos consumidores que se criem produtos duráveis, com um uso mínimo de energia e materiais".
Trechos do livro As Conexões Ocultas, de Fritjof Capra. Editora Cultrix
Leia aqui outros posts sobre sustentabilidade
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Frijof Capra, em seu As Conexões Ocultas, foi um dos primeiros a levantar seriamente a questão indo até mais longe na idéia (ver trechos abaixo). Na época, a proposta beirava o realismo fantástico, mas hoje em dia até programas de rádio já mencionam uma parte do conceito.
Outro dia ouvi uma jornalista indicar um site que auxilia não só a escolher os aparelhos que consumam menos energia, mas que também dá boas dicas de como reutilizá-los ou consertá-los. É o my green eletronics . O site é simples, direto e tem dicas que vão além do lugar-comum. O único galho é que está todo em inglês. Tem calculadoras de consumo e links interessantes. Um deles remete para o site greener choises, especializado em informações sobre reutilização e reciclagem de materiais eletrônicos.
Abaixo coloco um trecho do mencionado livro do Capra para vcs irem mais fundo neste conceito de reaproveitamento, reutilização, reuso e reciclagem. Só isso vai nos salvar. O resto é conversa para boi dormir. Fica sendo nosso especial de sexta, mas com cara de sábado...
"Numa sociedade industrial sustentável, todos os produtos, materiais e resíduos serão nutrientes biológicos ou técnicos...Se o conceito dos ciclos técnicos fosse plenamente implementado, provocaria uma reestruturação fundamental das relações econômicas. Afinal de contas, o que nós queremos dos produtos técnicos não é a sensação de possuí-los, mas os serviços que eles nos proporcionam. Queremos diversão do nosso vídeocassete, mobilidade do nosso automóvel, bebidas geladas da nossa geladeira, etc. ...Nós não compramos um televisor para ser donos de uma caixa que contem 4 mil substâncias tóxicas; compramo-lo porque queremos assistir à televisão.
Do ponto de vista do projeto ecológico, não há sentido algum em adquirir esses produtos para jogá-los fora ao término de sua vida útil. É muito mais coerente adquirir os serviços desses produtos, ou seja, alugá-los ou arrendá-los. O produto continuaria sendo propriedade da fábrica; quando não quiséssemos mais um produto ou quiséssemos uma versão mais nova, o fabricante tomaria de volta o produto velho, reduzi-lo-ia a seus componentes básicos - "os nutrientes técnicos" - e usá-los-ia para a fabricação de produtos novos ou para vender a outras empresas. A economia resultante não seria mais baseada na propriedade dos bens, mas seria uma economia de serviço e fluxo. As matérias-primas e componentes técnicos industriais circulariam continuamente entre os fabricantes e os usuários, bem como entre as diversas indústrias.
...(Nesta economia denominada serviço e fluxo) os fabricantes precisam ser capazes de desmontar facilmente os seus produtos a fim de redistribuir a matéria-prima. Esse fato terá efeitos notáveis sobre o projeto dos produtos. Os produtos de maior sucesso serão os que contiverem um número pequeno de materiais e cujos componentes possam ser facilmente desmontados, separados, recondicionados e reutilizados....Quando isso acontecer, a oferta de trabalho (para a desmontagem, a separação e a reciclagem) vai aumentar e a quantidade de resíduos vai diminuir. Assim, a economia de serviço e fluxo se apóia menos sobre o uso de recursos naturais, que são escassos, e mais sobre o uso de recursos humanos, que são abundantes.
Outro efeito dessa nova concepção de projeto será a harmonização dos interesses dos consumidores e dos fabricantes no que diz respeito à durabilidade dos produtos. Numa economia baseada na venda de bens, a obsolescência e a substituição freqüente dos bens atende aos interesses financeiros dos fabricantes, muito embora prejudique o meio ambiente e saia caro para os consumidores. Numa economia de serviço e fluxo, por outro lado, interessa tanto aos fabricantes quanto aos consumidores que se criem produtos duráveis, com um uso mínimo de energia e materiais".
Trechos do livro As Conexões Ocultas, de Fritjof Capra. Editora Cultrix
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quinta-feira, 17 de maio de 2007
País de hipócritas
Economia é um dos assuntos que este blog procura mencionar de vez em quando. Afinal, não adianta nada estar em busca de novos universos e experiências metafísicas quando o dia-a-dia continua aí implacável. Bom, uma das coisas que não entendia é o motivo pelo qual a imprensa brasileira adora este dólar que vai indo ladeira abaixo. Chega a ser criminosa a omissão do governo e este silêncio da mídia. Não entendia a lógica até ler hoje um post do jornalista Luís Nassif. Claro que uma análise dessas só podia sair mesmo de um blog independente. Viva o blog! Reproduzo abaixo o post e o link para vcs visitarem o blog dele que é muito bom.
O país da hipocrisia
Para entender a posição de parte relevante da mídia com o câmbio
1) Imagine um jornal ou revista com:
100 de receita
35 de custo de papel
40 de custos administrativos e de pessoal
15 de custo de distribuição
10 de margem.
Câmbio a R$ 2,30.
2) Se o câmbio cair a R$ 1,80, todos os valores permanecem os mesmos, menos o custo do papel que cai para 27,4. Só com essa redução, a rentabilidade sobe para 17,61, ou 76% a mais.
3) Suponha, para efeito da simulação, que o custo de conquistar uma assinatura nova corresponda a 30% do seu valor no primeiro ano. Na verdade, o custo é bem maior. Pode chegar a 100% do valor da assinatura no primeiro ano. Só a partir da renovação é que a publicação começa a faturar com o novo assinante.
Mas fiquemos com os 30% de custo.
Para obter o mesmo aumento de rentabilidade que ganha com o dólar caindo a R$ 1,80, uma publicação teria que aumentar em 38% sua carteira de assinantes.
Na verdade, a apreciação do real, ao reduzir o custo do papel e da compra de enlatados estrangeiros, ajudou a encobrir a ineficiência de parte relevante da mídia, em geral aquela que chama de ineficiente o setor que é penalizado com a valorização do real. É o país da hipocrisia.
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O país da hipocrisia
Para entender a posição de parte relevante da mídia com o câmbio
1) Imagine um jornal ou revista com:
100 de receita
35 de custo de papel
40 de custos administrativos e de pessoal
15 de custo de distribuição
10 de margem.
Câmbio a R$ 2,30.
2) Se o câmbio cair a R$ 1,80, todos os valores permanecem os mesmos, menos o custo do papel que cai para 27,4. Só com essa redução, a rentabilidade sobe para 17,61, ou 76% a mais.
3) Suponha, para efeito da simulação, que o custo de conquistar uma assinatura nova corresponda a 30% do seu valor no primeiro ano. Na verdade, o custo é bem maior. Pode chegar a 100% do valor da assinatura no primeiro ano. Só a partir da renovação é que a publicação começa a faturar com o novo assinante.
Mas fiquemos com os 30% de custo.
Para obter o mesmo aumento de rentabilidade que ganha com o dólar caindo a R$ 1,80, uma publicação teria que aumentar em 38% sua carteira de assinantes.
Na verdade, a apreciação do real, ao reduzir o custo do papel e da compra de enlatados estrangeiros, ajudou a encobrir a ineficiência de parte relevante da mídia, em geral aquela que chama de ineficiente o setor que é penalizado com a valorização do real. É o país da hipocrisia.
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quarta-feira, 16 de maio de 2007
Alimente os grandes sonhos
Recebi um e-mail de um internauta que me pergunta se é possível tornar realidade desejos muito difíceis. Em tese, segundo os adeptos da Lei da Atração, seria possível sim. Como não sou o maior especialista vivo sobre este assunto, recorri aos alfarrábios. O livro Peça e será atendido tem um tópico chamado Alimente os grandes sonhos que esclarece um pouco mais esta questão e mostra outra pegadinha da tal lei (ver as outras no post Lei da Atração 2). Reproduzo um trecho:
"Não se impressione com a dimensão dos seus desejos. Use a imaginação para criar qualquer sonho e alimente seus grandes sonhos com tanta freqüência que eles acabarão se tornando familiares, e sua manifestação será a etapa lógica seguinte.
Por exemplo, uma mãe e sua filha adulta estavam pretendendo comprar uma casa grande em uma área agradável para nela instalarem uma pensão. A filha disse à mãe: "Se pudéssemos comprar essa casa, eu ficaria feliz pelo resto da vida. Se isso acontecesse, compensaria todas as coisas que eu quis e que não aconteceram".
Explicamos que a vibração do desejo da filha ainda não estava no lugar certo para permitir que essa experiência se concretizasse. Quando você tem a sensação de que o seu desejo é tão grande que parece inalcançável, ele não está próximo da manifestação. Mas quando tem a impressão de que o seu desejo é a próxima etapa lógica, então ele fica à beira da manifestação"
Outros posts sobre o assunto:
Lei da Atração - primeira parte
Lei da Atração 2
Tudo vibra
O Caibalion
Branas para leigos
Lei da Atração (marcador com todos os posts sobre o tema)
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"Não se impressione com a dimensão dos seus desejos. Use a imaginação para criar qualquer sonho e alimente seus grandes sonhos com tanta freqüência que eles acabarão se tornando familiares, e sua manifestação será a etapa lógica seguinte.
Por exemplo, uma mãe e sua filha adulta estavam pretendendo comprar uma casa grande em uma área agradável para nela instalarem uma pensão. A filha disse à mãe: "Se pudéssemos comprar essa casa, eu ficaria feliz pelo resto da vida. Se isso acontecesse, compensaria todas as coisas que eu quis e que não aconteceram".
Explicamos que a vibração do desejo da filha ainda não estava no lugar certo para permitir que essa experiência se concretizasse. Quando você tem a sensação de que o seu desejo é tão grande que parece inalcançável, ele não está próximo da manifestação. Mas quando tem a impressão de que o seu desejo é a próxima etapa lógica, então ele fica à beira da manifestação"
Outros posts sobre o assunto:
Lei da Atração - primeira parte
Lei da Atração 2
Tudo vibra
O Caibalion
Branas para leigos
Lei da Atração (marcador com todos os posts sobre o tema)
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segunda-feira, 14 de maio de 2007
O tempo que resta
O embaixador Rubem Ricupero anda se esmerando em seus artigos dominicais da Folha. O último colocou o dedo na ferida em relação ao aquecimento global e a posição do Brasil. Mostra que o governo está totalmente alheio ao risco que corremos. Diz ele no artigo O tempo que nos resta:
TEMOS APENAS oito anos para salvar o planeta. O relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre mudanças climáticas deixa claro que, para limitar o aumento da temperatura a 2C, é preciso que as emissões de gases-estufa se estabilizem em 2015 e caiam, em seguida, a algo entre 50% e 80% do nível de 2000.
Depois, será impossível evitar que as temperaturas aumentem até em 5C ou mais -a margem que nos separa da última era glacial, só que na direção oposta. A Terra se transformaria em planeta inóspito devido à aceleração do degelo na Groenlândia e na Antártida, à rápida elevação dos oceanos e à inundação de terras baixas, afogando cidades como Londres, Nova York, Miami e Rio.
O Brasil seria um dos países mais afetados, conforme estudo do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Perderíamos quase toda a floresta, o deserto se implantaria no Nordeste, boa parte das vantagens comparativas da agricultura e de nossa biodiversidade desapareceriam.
Diante desse perigo, o lógico é que o tema fosse a prioridade brasileira "número um", que permeasse todos os objetivos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e que um mecanismo de alto nível estivesse em ação para elaborar uma política urgente de atenuação dos efeitos da mudança climática. Nada mais longe da realidade. O governo, que se preocupa tanto em desviar do São Francisco águas que não existirão mais e viaja com comitivas presidenciais de centenas de pessoas, enviou apenas dois representantes à reunião da ONU que redigiu e aprovou um dos relatórios de conseqüências mais graves para o nosso futuro.
...A ironia é que acabamos não crescendo em mais de 20 anos e assistimos a Amazônia ser destruída ao ritmo de 24 mil km2 por ano -como comparação, mais do que os 21,9 mil km2 de extensão do Estado de Sergipe. O Brasil teria tudo para ser uma potência ambiental -aliás, a única área em que nossa aspiração a potência é realista.
Temos a maior floresta tropical do planeta, um dos principais reservatórios de água doce, biodiversidade riquíssima, equação energética limpa e a melhor experiência em biocombustível. Em vez disso, 75% das emissões que nos tornaram o quarto maior emissor de CO2 vêm das queimadas e apenas os 25% restantes vêm do setor moderno que impulsiona o crescimento, o que prova a falsidade do argumento desenvolvimentista.
Reféns de incendiários e devastadores, somos incapazes de assumir liderança moral e pró-ativa de negociações de futuro Protocolo de Kyoto que salve a Terra da destruição e contribua para defender nosso próprio patrimônio.
Não compreendemos que a alternativa desenvolvimento ou redução das emissões não existe porque não haverá o que desenvolver num planeta tórrido e semimorto. Se o pior acontecer, serão nossos descendentes aqui, não em Londres, que verão a Amazônia virar fumaça, o sertão se converter em novo deserto do Saara e as galerias de Copacabana se tornarem tocas de polvos e meros, como profetizou Rubem Braga em 1958. "
Leia outros posts sobre sustentabilidade
Pesquise no Buscapé preços de livros sobre sustentabilidade e do cientista James Lovelock
TEMOS APENAS oito anos para salvar o planeta. O relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre mudanças climáticas deixa claro que, para limitar o aumento da temperatura a 2C, é preciso que as emissões de gases-estufa se estabilizem em 2015 e caiam, em seguida, a algo entre 50% e 80% do nível de 2000.
Depois, será impossível evitar que as temperaturas aumentem até em 5C ou mais -a margem que nos separa da última era glacial, só que na direção oposta. A Terra se transformaria em planeta inóspito devido à aceleração do degelo na Groenlândia e na Antártida, à rápida elevação dos oceanos e à inundação de terras baixas, afogando cidades como Londres, Nova York, Miami e Rio.
O Brasil seria um dos países mais afetados, conforme estudo do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Perderíamos quase toda a floresta, o deserto se implantaria no Nordeste, boa parte das vantagens comparativas da agricultura e de nossa biodiversidade desapareceriam.
Diante desse perigo, o lógico é que o tema fosse a prioridade brasileira "número um", que permeasse todos os objetivos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e que um mecanismo de alto nível estivesse em ação para elaborar uma política urgente de atenuação dos efeitos da mudança climática. Nada mais longe da realidade. O governo, que se preocupa tanto em desviar do São Francisco águas que não existirão mais e viaja com comitivas presidenciais de centenas de pessoas, enviou apenas dois representantes à reunião da ONU que redigiu e aprovou um dos relatórios de conseqüências mais graves para o nosso futuro.
...A ironia é que acabamos não crescendo em mais de 20 anos e assistimos a Amazônia ser destruída ao ritmo de 24 mil km2 por ano -como comparação, mais do que os 21,9 mil km2 de extensão do Estado de Sergipe. O Brasil teria tudo para ser uma potência ambiental -aliás, a única área em que nossa aspiração a potência é realista.
Temos a maior floresta tropical do planeta, um dos principais reservatórios de água doce, biodiversidade riquíssima, equação energética limpa e a melhor experiência em biocombustível. Em vez disso, 75% das emissões que nos tornaram o quarto maior emissor de CO2 vêm das queimadas e apenas os 25% restantes vêm do setor moderno que impulsiona o crescimento, o que prova a falsidade do argumento desenvolvimentista.
Reféns de incendiários e devastadores, somos incapazes de assumir liderança moral e pró-ativa de negociações de futuro Protocolo de Kyoto que salve a Terra da destruição e contribua para defender nosso próprio patrimônio.
Não compreendemos que a alternativa desenvolvimento ou redução das emissões não existe porque não haverá o que desenvolver num planeta tórrido e semimorto. Se o pior acontecer, serão nossos descendentes aqui, não em Londres, que verão a Amazônia virar fumaça, o sertão se converter em novo deserto do Saara e as galerias de Copacabana se tornarem tocas de polvos e meros, como profetizou Rubem Braga em 1958. "
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O brasileiro e a religião
Passei batido no especial religiões da Folha publicado em 6 de maio, mas tento recuperar o tempo perdido. Aliás, excelente caderno e merece uma leitura atenta. O jornal fez uma bela pesquisa de opinião e praticamente referendou o que todo mundo já sabia: ao mesmo tempo que existe um sincretismo religioso nato do brasileiro também há muita desinformação e preconceito. Por exemplo, 57% dos entrevistados acreditam que os umbandistas têm parte com o demônio. 49% vinculam a religião muçulmana com o terrorismo.
Já o sincretismo está patente nos seguintes dados na interpretação de Reginaldo Prandi: "17% dos brasileiros freqüentam cultos ou serviços religiosos de alguma religião diferente da que professam. Esse número sobe a 19% entre os católicos, cresce para 37% entre os umbandistas e chega a 48% entre os seguidores do candomblé. Mais sectários, os evangélicos pentecostais se mostram numa cifra bem mais modesta: 9%. E o que vão fazer numa religião que não é a sua? Uns vão participar de atos com finalidade religiosa. Outros, presenciar ritos como casamento e funeral, numa atividade mais social que religiosa. Não raro, a coisa se faz por necessidade religiosa ou mágica, uma religião complementando outra. Isso é comum no Brasil, pelo caráter sincrético de nossas religiões. Umas mais, outras menos, toda religião é sincrética. "
Mas para mim o melhor foi o texto do publicitário Nizan Guanaes. Com o título Sou católico, apostólico, baiano, ele discorre sobre sua religião o candomblé. Alguns trechos:
"O candomblé não é religião. É culto aos antepassados, às forças da natureza. É moderno. Já era ecológico antes que a ecologia entrasse em voga. Não exclui opções sexuais. Ao contrário, acolhe. Os deuses do candomblé têm ira, inveja e raiva. Xangô é colérico. Oxum é ciumenta e chorosa. Ogum tem o pavio curto. Não é muito chique ser do candomblé. Pelo menos na parte do país em que vivo. Como toda cultura vinda dos vencidos, é visto como desvio, coisa de gente desajustada ou artista. E confesso que isso, ao contrário de me afastar dele, sempre me instigou a caminhar contra o vento. Toda sexta-feira vejo o olhar jocoso com que algumas pessoas me olham vestido de branco. O candomblé é o culto do bem. Tantas vezes confundido com feitiço. Se alguém usou esses poderes santos para o mal, é descaminho. E contra ele a força deve ter se voltado. O catolicismo não pode ser julgado a partir de padres pedófilos. E o candomblé não pode ser julgado a partir de pais-de-santo picaretas. Candomblé é magia."
Abaixo links para ler o especial e os artigos mencionados (para assinantes)
Artigo de Nizan Guanaes
Texto completo de Reginaldo Prandi
Já o sincretismo está patente nos seguintes dados na interpretação de Reginaldo Prandi: "17% dos brasileiros freqüentam cultos ou serviços religiosos de alguma religião diferente da que professam. Esse número sobe a 19% entre os católicos, cresce para 37% entre os umbandistas e chega a 48% entre os seguidores do candomblé. Mais sectários, os evangélicos pentecostais se mostram numa cifra bem mais modesta: 9%. E o que vão fazer numa religião que não é a sua? Uns vão participar de atos com finalidade religiosa. Outros, presenciar ritos como casamento e funeral, numa atividade mais social que religiosa. Não raro, a coisa se faz por necessidade religiosa ou mágica, uma religião complementando outra. Isso é comum no Brasil, pelo caráter sincrético de nossas religiões. Umas mais, outras menos, toda religião é sincrética. "
Mas para mim o melhor foi o texto do publicitário Nizan Guanaes. Com o título Sou católico, apostólico, baiano, ele discorre sobre sua religião o candomblé. Alguns trechos:
"O candomblé não é religião. É culto aos antepassados, às forças da natureza. É moderno. Já era ecológico antes que a ecologia entrasse em voga. Não exclui opções sexuais. Ao contrário, acolhe. Os deuses do candomblé têm ira, inveja e raiva. Xangô é colérico. Oxum é ciumenta e chorosa. Ogum tem o pavio curto. Não é muito chique ser do candomblé. Pelo menos na parte do país em que vivo. Como toda cultura vinda dos vencidos, é visto como desvio, coisa de gente desajustada ou artista. E confesso que isso, ao contrário de me afastar dele, sempre me instigou a caminhar contra o vento. Toda sexta-feira vejo o olhar jocoso com que algumas pessoas me olham vestido de branco. O candomblé é o culto do bem. Tantas vezes confundido com feitiço. Se alguém usou esses poderes santos para o mal, é descaminho. E contra ele a força deve ter se voltado. O catolicismo não pode ser julgado a partir de padres pedófilos. E o candomblé não pode ser julgado a partir de pais-de-santo picaretas. Candomblé é magia."
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Texto completo de Reginaldo Prandi
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