Leio perplexo que a deputada federal e ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, foi condenada em última instância a devolver R$ 350 mil por um anúncio publicado na Folha de São Paulo sobre uma greve que ocorreu em seu mandato. Diante do resultado do julgamento, ela teve seu apartamento e dois veículos penhorados, que juntos, não chegaram perto de pagar a dívida. Amigos estão levatando recursos por meio de jantares e em depósito em conta corrente (leia o relato aqui).
A minha perplexidade é que algumas coisas neste país não fazem muito sentido. Como pode a Erundina, uma política honesta, ser condenada por algo tão prosaico enquanto pessoas que quebraram bancos para eleger sucessores ou construíram túneis mais caros do que o do Canal da Mancha continuam livres, soltos e fagueiros?
Talvez o preconceito e a má vontade com certas pessoas explique um pouco isso. No dia da eleição da Erundina eu trabalhava em uma rádio de notícias aqui em São Paulo e atendi na recepção um jovem que se dizia promotor e que estava estarrecido com a vitória dela, que isso não era possível e que São Paulo iria virar um caos. Aquele momento foi emblemático para mim de como se comportam alguns setores da elite, principalmente de São Paulo.
O resultado é que nunca vi administração mais perseguida do que a da Erundina nos anos seguintes. Sua administração foi cercada por todos os lados. Era pau diário na imprensa. Ela tinha menos de 15 dias no cargo e houve uma daquelas inundações de verão braba. Resultado: críticas de todos os lados...Má fé e má vontade caminhando juntas.
Vereadores, que anos depois alguns deles foram presos ou se envolveram em casos de corrupão na adminsração Maluf/Pitta, se viram no direito de até pedir o impechment de Erundina. E quase conseguiram. Foi por pouco.
Mas a ferida de morte na administração ocorreu quando o Tribunal de Justiça suspendeu a cobrança do IPTU de forma proporcional ao bairro. Quem mora em bairro bom paga mais do que aquele que mora em um bairro distante e mais pobre. Com a queda da aplicação de alíquotas diferenciadas, a prefeitua foi obrigada a cobrar pela alíquota menor. Ou seja, muito menos dinheiro do que o orçamento previa.
Pouco tempo depois o presidente do Tribunal que concedeu a liminar foi ser secretário de segurança do tal governador que foi eleito graças à quebra de um banco. Anos mais tarde a justiça reconhecia como correta a cobrança do IPTU e hoje já é prática adotada em muitos municípios brasileiros.
Como se vê, é quase um milagre nesta nossa sociedade que surjam pessoas que sejam honestas ou que procurem mudar as (más) práticas habituais de se fazer política neste país. Minha total solidariedade à Erundina.
Ciência, lógica, antropologia, mitos, sonhos, universos e outras dimensões
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Erundina
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Mark Lobato
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O caso Uniban do ponto de vista da comunicação
Sim, sei que o assunto sobre a aluna com vestido curto na Uniban está velho, mas quero apenas registrar o caso do ponto de vista de comunicação. Existe em agências de comunicação e de relações públicas um item em seu portfólio denominado Gerência de Crise. São situações graves em que se metem (ou são metidos) alguns clientes dessas empresas. A ideia é pegar aquele episódio negativo e trabalhá-lo para que seu efeito não seja tão devastador perante a opinião pública.
Dependendo do caso, esses especialistas apresentam para jornalistas aspectos positivos do caso, procuraram não deixar sem (uma boa) resposta nenhuma questão colocada, fazem media traning com porta vozes eventuais da empresa, centralizam a comunicação, acompanham não só a imprensa mas também as redes sociais para ver o impacto das notícias etc.
Pois bem. Todos com algum nível de conhecimento sabem disso. O que me espanta é que um lugar em que deveria ser um difusor de informação não tenha se preocupado minimamente com um cuidado maior com a comunicação. Que não tenha se preparado de forma eficiente para suportar as críticas feitas no episódio. Pior, quando o assunto já parecia ter sumido da imprensa, os gênios resolvem expulsar a aluna...Para, no dia seguinte à desastrosa repercussão, terem que voltar atrás.
Comunicação é um assunto muito sério para ser tratado levianamente. E quem desdenha disso vai ser dar mal. Como aprenderam da pior maneira os administradores da Uniban.
Dependendo do caso, esses especialistas apresentam para jornalistas aspectos positivos do caso, procuraram não deixar sem (uma boa) resposta nenhuma questão colocada, fazem media traning com porta vozes eventuais da empresa, centralizam a comunicação, acompanham não só a imprensa mas também as redes sociais para ver o impacto das notícias etc.
Pois bem. Todos com algum nível de conhecimento sabem disso. O que me espanta é que um lugar em que deveria ser um difusor de informação não tenha se preocupado minimamente com um cuidado maior com a comunicação. Que não tenha se preparado de forma eficiente para suportar as críticas feitas no episódio. Pior, quando o assunto já parecia ter sumido da imprensa, os gênios resolvem expulsar a aluna...Para, no dia seguinte à desastrosa repercussão, terem que voltar atrás.
Comunicação é um assunto muito sério para ser tratado levianamente. E quem desdenha disso vai ser dar mal. Como aprenderam da pior maneira os administradores da Uniban.
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Mark Lobato
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comunicação
A falta de energia virou cabo eleitoral
Nesta questão em torno do blackout de terça-feira o que mais me chamou a atenção desde o primeiro momento ao ouvir alguns entrevistados na rádios aqui de São Paulo era o evidente prazer em aproveitar a situação anormal para bater pesado no governo. Não que o governo não tenha que ser criticado, mas reparo sempre que há uma inegável dose de rancor quando alguns entrevistados resolvem soltar a voz para falar mal dos atuais ocupantes do poder executivo. Até mercadores esportivos - aqueles que falam mais de propaganda em seus programas do que de esporte - se aventuram a criticar a falta de energia com a profundidade de um pires.
E aí você percebe como setores da mídia, TV Globo e jornais Folha, Estado e Globo, passam longe de uma cobertura crítica e isenta e fazem desse caso motivo para escândalo. Hoje o editorial da Folha diz que o governo demorou para restabelecer a energia, informação desmentida em suas próprias páginas mais adiante. Em 99 foram 10 estados atingidos, 70% da carga cortada e 4h15 para restabelecer a energia. Em 2002 (reparem que os dois períodos no governo FHC) foram 10 estados atingidos, 56,7% da carga cortada e 4h26 ara voltar a energia. No episódio de terça foram 18 estados atingidos,51,5% da carga cortada e 3 horas de falta de energia.
Diante disso, se você gosta de exercitar o espírito crítico, cuidado com o que lê, vê e ouve em nossa mídia, que está jogando pesado, novamente, para ver se consegue prejudicar o atual governo. Para finalizar, um trecho do artigo de hoje do jornalista Janio de Freitas publicado na Folha que mostra com muita acuidade o jogo que está seno montado por parte da imprensa neste lamentável caso.
Mais apagão
O apagão deu a amostra do que virá dos meios de comunicação na campanha eleitoral. Já durante a escuridão, um comentário radiofônico explicava à população ansiosa que a redução do IPI de geladeiras, fogões, televisões, e demais produtos da chamada linha branca, levara a muitas compras, que provocaram excesso o consumo de energia. Logo, também o apagão.
Na manhã de ontem, desta vez pela TV, um outro dava o seu bom dia com a sugestão de que o apagão poderia dever-se a ato do MST ou de índios. Horas depois, outra vez pelo rádio, uma intervenção chamada de comentário político já começava com tudo: "Dilma não fica imune nesse apagão". Com o esclarecimento geométrico: "No centro da questão fica a capacidade de gestão da ministra".
Causa explicada, fontes do ato causador indicadas, responsabilidade pessoal apontada -para que tanta procura da origem do apagão pelos técnicos? E, sobretudo, para que tanta determinação, nas áreas oficiais, de não citar a Cesp entre os prováveis motivadores do apagão, o que seria dado como propósito de chutar a responsabilidade para o governo José Serra?
O apagão não foi só de luz
E aí você percebe como setores da mídia, TV Globo e jornais Folha, Estado e Globo, passam longe de uma cobertura crítica e isenta e fazem desse caso motivo para escândalo. Hoje o editorial da Folha diz que o governo demorou para restabelecer a energia, informação desmentida em suas próprias páginas mais adiante. Em 99 foram 10 estados atingidos, 70% da carga cortada e 4h15 para restabelecer a energia. Em 2002 (reparem que os dois períodos no governo FHC) foram 10 estados atingidos, 56,7% da carga cortada e 4h26 ara voltar a energia. No episódio de terça foram 18 estados atingidos,51,5% da carga cortada e 3 horas de falta de energia.
Diante disso, se você gosta de exercitar o espírito crítico, cuidado com o que lê, vê e ouve em nossa mídia, que está jogando pesado, novamente, para ver se consegue prejudicar o atual governo. Para finalizar, um trecho do artigo de hoje do jornalista Janio de Freitas publicado na Folha que mostra com muita acuidade o jogo que está seno montado por parte da imprensa neste lamentável caso.
Mais apagão
O apagão deu a amostra do que virá dos meios de comunicação na campanha eleitoral. Já durante a escuridão, um comentário radiofônico explicava à população ansiosa que a redução do IPI de geladeiras, fogões, televisões, e demais produtos da chamada linha branca, levara a muitas compras, que provocaram excesso o consumo de energia. Logo, também o apagão.
Na manhã de ontem, desta vez pela TV, um outro dava o seu bom dia com a sugestão de que o apagão poderia dever-se a ato do MST ou de índios. Horas depois, outra vez pelo rádio, uma intervenção chamada de comentário político já começava com tudo: "Dilma não fica imune nesse apagão". Com o esclarecimento geométrico: "No centro da questão fica a capacidade de gestão da ministra".
Causa explicada, fontes do ato causador indicadas, responsabilidade pessoal apontada -para que tanta procura da origem do apagão pelos técnicos? E, sobretudo, para que tanta determinação, nas áreas oficiais, de não citar a Cesp entre os prováveis motivadores do apagão, o que seria dado como propósito de chutar a responsabilidade para o governo José Serra?
O apagão não foi só de luz
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terça-feira, 10 de novembro de 2009
Vivo - sinal de qualidade?
Não sei quanto a vocês, mas tenho reparado que os serviços de atendimento estão se voltando contra o consumidor. Os atendentes, se podemos chamá-los assim, com raras em honrosas exceções, praticamente chutam a nossa cara ao telefone. Desdenham de nossos problemas. Fazem pouco caso da nossa situação. Como se escondem covardemente atrás de um telefone e de nomes fictícios e sabem que são acobertados pelos superiores, não estão nem aí para os chatos que se aventuram a pedir uma ajuda. E nós, consumidores, ficamos reféns deste cinismo corporativo. A empresa cria um serviço que teoricamente seria para auxiliar o consumidor desamparado e, na verdade, monta uma trincheira para estressar de tal modo o cliente para que ele nunca mais na vida pense em reclamar novamente.
Cansado dessa situação, vou criar um marcador chamado consumidor. Caso você tenha um caso para compartilhar com a comunidade deste blog, por favor, envie sua história. Vamos criar aqui nosso muro das lamentações. Assim, quando alguém for pesquisar no Google uma empresa qualquer vai esbarrar em nossas histórias e, com certeza, pensará duas vezes antes de comprar o serviço.
O meu mais recente episódio foi com a Vivo. E notem que sou um os primeiros clientes da operadora, nunca migrei para outra empresa e ainda tenho débito automático. Ou seja, sou um bom cliente. Meu erro, talvez, tenha sido o de mimar muito esta companhia. Nunca ameacei sair, nunca briguei ou criei caso. Enfim sou aquele usuário doce e amável e que deixa a empresa em uma posição confortável e acomodada.
Talvez pela minha boa ficha corrida, um belo dia recebo uma ligação do telemarketing da Vivo. A moça muito simpática e articulada disse que estava me oferecendo uma promoção: modem de graça e conexão de 250 mb por R$24 durante seis meses. Um produto que eu estava precisando e uma promoção interessante. Por que não aceitar? Topei, confirmei os dados e ela me disse que o modem seria entregue em cinco dias úteis.
Claro que os tais cinco dias úteis passaram, 10 dias e nada. Aí liguei para a Vivo. Para minha surpresa, o atendente me disse que não havia nada registrado e que ele, por limitação no sistema, não poderia fazer nada, mas me orientou a enviar uma mensagem no fale conosco. Resignado e chateado com a situação fiz isso. Recebi a mensagem automática que em cinco dias úteis receberia a resposta.
Este prazo foi cumprido e no último dia estabelecido recebi um simpático e-mail assinado por Patrícia Rodrigues que dizia assim: " Bom dia ! Em atenção ao seu e-mail, informamos que a sua linha possui 31684 pontos onde (sic) poderá efetuar o resgate do modem gratuito (sic)" . Depois apresentava uma tabela de tarifas, com preços superiores ao oferecido na primeira oferta e nenhuma palavra sobre o meu caso.
Respondi que não iria usar os meus pontos para comprar modem algum e que eu queria uma resposta sobre o motivo de a Vivo ter me oferecido uma promoção e depois não ter cumprido com a entrega. Resposta? Só daqui a cinco dias úteis...Manterei vocês informados.
Cansado dessa situação, vou criar um marcador chamado consumidor. Caso você tenha um caso para compartilhar com a comunidade deste blog, por favor, envie sua história. Vamos criar aqui nosso muro das lamentações. Assim, quando alguém for pesquisar no Google uma empresa qualquer vai esbarrar em nossas histórias e, com certeza, pensará duas vezes antes de comprar o serviço.
O meu mais recente episódio foi com a Vivo. E notem que sou um os primeiros clientes da operadora, nunca migrei para outra empresa e ainda tenho débito automático. Ou seja, sou um bom cliente. Meu erro, talvez, tenha sido o de mimar muito esta companhia. Nunca ameacei sair, nunca briguei ou criei caso. Enfim sou aquele usuário doce e amável e que deixa a empresa em uma posição confortável e acomodada.
Talvez pela minha boa ficha corrida, um belo dia recebo uma ligação do telemarketing da Vivo. A moça muito simpática e articulada disse que estava me oferecendo uma promoção: modem de graça e conexão de 250 mb por R$24 durante seis meses. Um produto que eu estava precisando e uma promoção interessante. Por que não aceitar? Topei, confirmei os dados e ela me disse que o modem seria entregue em cinco dias úteis.
Claro que os tais cinco dias úteis passaram, 10 dias e nada. Aí liguei para a Vivo. Para minha surpresa, o atendente me disse que não havia nada registrado e que ele, por limitação no sistema, não poderia fazer nada, mas me orientou a enviar uma mensagem no fale conosco. Resignado e chateado com a situação fiz isso. Recebi a mensagem automática que em cinco dias úteis receberia a resposta.
Este prazo foi cumprido e no último dia estabelecido recebi um simpático e-mail assinado por Patrícia Rodrigues que dizia assim: " Bom dia ! Em atenção ao seu e-mail, informamos que a sua linha possui 31684 pontos onde (sic) poderá efetuar o resgate do modem gratuito (sic)" . Depois apresentava uma tabela de tarifas, com preços superiores ao oferecido na primeira oferta e nenhuma palavra sobre o meu caso.
Respondi que não iria usar os meus pontos para comprar modem algum e que eu queria uma resposta sobre o motivo de a Vivo ter me oferecido uma promoção e depois não ter cumprido com a entrega. Resposta? Só daqui a cinco dias úteis...Manterei vocês informados.
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Voltei!
Como diriam os antigos, depois de um longo e tenebroso inverno, voltei. Cansei de ser bagaço de laranja e parti para um período sabático. Vou seguir o mestre Joseph Campbell e encontrar a minha bem-aventurança. Agora, entre os afazeres de um projeto pessoal, posso me dedicar mais a este blog que me dava tantas alegrias. Espero recuperar com o tempo a audiência deste sítio, ainda que modesta. E vamos que vamos. Bem-vindos a bordo novamente!
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Mark Lobato
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sábado, 8 de setembro de 2007
Pitbulls e a deformação da opinião pública
Tenho uma cadela da raça pitbull. Seu nome é Mel e está com quase 8 meses e 18 quilos. Rápida e brincalhona, o animal é companhia constante nas minhas caminhadas pelas ruas do bairro. Seriam até passeios diários se o dia-a-dia no trabalho não fosse tão massacrante. O engraçado é que nunca dei muita bola para cachorros em geral. Um dia, como a patroa implorava por ter um, fomos até um desses mega-petshops. Lá minha esposa se encantou justamente com um filhotinho de pitbull. A raça ela só foi saber depois. Pensava que fosse um vira-lata ou um labrador.
A Mel realmente engana porque não é pitbull do tipo red noise, aquele mais comum que vemos em fotos. Tem o focinho comprido e pelo curto da cor creme sem manchas brancas, outras características que não combinam com um pitbull do nosso imaginário. Como decidimos não cortar as orelhas e o rabo (providência largamente utilizada pelos donos destes cães), muitas pessoas não reconhecem de imediato a nossa cachorra como um pitbull. Brincam, passam a mão no pelo, fazem mil agrados e depois perguntam: que raça é? Quando dizemos que é pitbull, as reações são fantásticas. Alguns pulam de lado, outros mudam rapidamente a feição e se afastam só uns poucos, os que conhecem realmente cachorro, é que não se importam e continuam a brincar com a cadela.
E essas reações negativas se baseiam principalmente na lavagem cerebral que parte da imprensa faz a partir dos tais ataques de pitbulls a crianças e idosos, por exemplo. Não se discute aqui se o fato ocorreu ou não. Claro que existiu. Pessoas se machucaram ou morreram por causa de algum ataque destes animais. Mas o que me incomoda é que se faz um jornalismo preguiçoso, alarmista, de manchete fácil. É muito melhor tratar o assunto como um drama do que investigar o que levou o pitbull a ter aquele comportamento. Porém, fazer essa investigação dá trabalho, exige tempo e recursos. E assim ficamos na epiderme do assunto e a deformação da opinião pública vai se perpetrando. Daí para aparecer algum político oportunista propondo uma lei absurda do tipo extermínio da raça de pitbull, será um passo.
Aí com um projeto desses na pauta e a mídia bombando desinformação é claro que haverá quase um clamor popular para ocorrer alguma bobagem dessas. Não terá governante com coragem suficiente para comprar uma briga dessas. É quase um prato-feito. Ninguém que dependa de votos vai se opor a uma medida que contrarie os "mais nobres anseios da população". Afinal, logo logo tem eleição...
Para mim, a discussão sobre o pitbull deve antes passar por uma investigação mais criteriosa das causas que levaram esses animais a ter um comportamento agressivo. E isso não se vê nas reportagens. Só a seguinte estrutura é mostrada: cão ataca e pessoa morre - família indignada - vizinhos temerosos - cão é morto no centro de zoonoses. Certo, mas o que levou o cão a fazer isso? Que treinadores respeitados de animais foram ouvidos para explicar como se desperta o lado agressivo de um cachorro? Claro, que nada disso foi questionado e optou-se pelo caminho mais fácil e demagógico.
Não sou o maior especialista vivo em cachorros. Estou aprendendo a cuidar de um, mas já li livros e conversei com vários treinadores. Todas as fontes são unânimes em dizer que o pitbull não é um cachorro agressivo. Ele só se torna agressivo se o dono cometer vários erros, como treiná-lo para atacar, bater e maltratá-lo, deixá-lo confinado diariamente em um curto pedaço de terreno, mantê-lo preso o tempo todo em uma corrente, não fazer nenhum tipo de atividade rotineira com o cão etc etc. Um coisa dessas feitas regularmente prejudica o comportamento de qualquer cachorro e não só de pitbull. É uma fórmula infalível para transformar cães normais em maníacos de quatro patas.
Portanto, a lei tem que existir é para o dono do cachorro. É ele quem precisa cuidar corretamente do cão para que o animal não vire um delinquente canino. Ou seja, a pessoa tem que ter responsabilidade e não achar que pode tratar de qualquer jeito um cachorro. Eu sou um dono responsável e minha pitbull Mel é brincalhona e adora carinho, principalmente de crianças. Como eu outras pessoas têm cachorros desta raça com o mesmo comportamento pacífico. Será uma injustiça que todos sejam prejudicados por causa de meia dúzia de celerados que não trataram corretamente o seu cão.
A Mel realmente engana porque não é pitbull do tipo red noise, aquele mais comum que vemos em fotos. Tem o focinho comprido e pelo curto da cor creme sem manchas brancas, outras características que não combinam com um pitbull do nosso imaginário. Como decidimos não cortar as orelhas e o rabo (providência largamente utilizada pelos donos destes cães), muitas pessoas não reconhecem de imediato a nossa cachorra como um pitbull. Brincam, passam a mão no pelo, fazem mil agrados e depois perguntam: que raça é? Quando dizemos que é pitbull, as reações são fantásticas. Alguns pulam de lado, outros mudam rapidamente a feição e se afastam só uns poucos, os que conhecem realmente cachorro, é que não se importam e continuam a brincar com a cadela.
E essas reações negativas se baseiam principalmente na lavagem cerebral que parte da imprensa faz a partir dos tais ataques de pitbulls a crianças e idosos, por exemplo. Não se discute aqui se o fato ocorreu ou não. Claro que existiu. Pessoas se machucaram ou morreram por causa de algum ataque destes animais. Mas o que me incomoda é que se faz um jornalismo preguiçoso, alarmista, de manchete fácil. É muito melhor tratar o assunto como um drama do que investigar o que levou o pitbull a ter aquele comportamento. Porém, fazer essa investigação dá trabalho, exige tempo e recursos. E assim ficamos na epiderme do assunto e a deformação da opinião pública vai se perpetrando. Daí para aparecer algum político oportunista propondo uma lei absurda do tipo extermínio da raça de pitbull, será um passo.
Aí com um projeto desses na pauta e a mídia bombando desinformação é claro que haverá quase um clamor popular para ocorrer alguma bobagem dessas. Não terá governante com coragem suficiente para comprar uma briga dessas. É quase um prato-feito. Ninguém que dependa de votos vai se opor a uma medida que contrarie os "mais nobres anseios da população". Afinal, logo logo tem eleição...
Para mim, a discussão sobre o pitbull deve antes passar por uma investigação mais criteriosa das causas que levaram esses animais a ter um comportamento agressivo. E isso não se vê nas reportagens. Só a seguinte estrutura é mostrada: cão ataca e pessoa morre - família indignada - vizinhos temerosos - cão é morto no centro de zoonoses. Certo, mas o que levou o cão a fazer isso? Que treinadores respeitados de animais foram ouvidos para explicar como se desperta o lado agressivo de um cachorro? Claro, que nada disso foi questionado e optou-se pelo caminho mais fácil e demagógico.
Não sou o maior especialista vivo em cachorros. Estou aprendendo a cuidar de um, mas já li livros e conversei com vários treinadores. Todas as fontes são unânimes em dizer que o pitbull não é um cachorro agressivo. Ele só se torna agressivo se o dono cometer vários erros, como treiná-lo para atacar, bater e maltratá-lo, deixá-lo confinado diariamente em um curto pedaço de terreno, mantê-lo preso o tempo todo em uma corrente, não fazer nenhum tipo de atividade rotineira com o cão etc etc. Um coisa dessas feitas regularmente prejudica o comportamento de qualquer cachorro e não só de pitbull. É uma fórmula infalível para transformar cães normais em maníacos de quatro patas.
Portanto, a lei tem que existir é para o dono do cachorro. É ele quem precisa cuidar corretamente do cão para que o animal não vire um delinquente canino. Ou seja, a pessoa tem que ter responsabilidade e não achar que pode tratar de qualquer jeito um cachorro. Eu sou um dono responsável e minha pitbull Mel é brincalhona e adora carinho, principalmente de crianças. Como eu outras pessoas têm cachorros desta raça com o mesmo comportamento pacífico. Será uma injustiça que todos sejam prejudicados por causa de meia dúzia de celerados que não trataram corretamente o seu cão.
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quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Tranqüilidade no trabalho existe?
Esta é uma dúvida que me assola vez ou outra. E quando chega, desanima a tal ponto que nem as coisas legais, como postar neste blog, me dão alguma alegria. Será que existe algum ambiente de trabalho que seja legal, com poucos problemas, com equipe comprometida e que não cause confusões e ainda traga soluções? Sei lá. Nunca encontrei um lugar assim e cada vez mais me convenço que estou atrás de um Santo Graal, do unicórnio, de um dragão...
O fato é que às vezes me dá vontade de largar tudo e ir para algum lugar bem distante onde possa ter alguma atividade econômica bem básica que gere alguma renda (por menor que seja) mas que em contrapartida me garanta paz e sossego. Será que estou querendo muito? Olho para meu guru Joseph Campbell e ficou pensando: cadê as minhas portas???
Num destes estados de melancolia fui a um evento de trabalho. Não conhecia ninguém e estava só representando uma entidade. Logo puxei papo com outro deslocado na festa. Uns 20 minutos depois chegou para minha surpresa um velho conhecido e diretor de marketing. Papo vem e papo vai o assunto da rodinha envereda para trabalho e felicidade. E saibam que nem provoquei o tema. Surgiu misteriosamente.
Os dois colegas defenderam a tese que não existe vida fácil em ambientes corporativos, mas que todos os executivos sempre reclamam da pressão mas adoram fazer o que fazem. A tese é que quando sua empresa (ou o ambiente de trabalho) o motiva intelectualmente e/ou o instiga a ser desafiado e o coloca à prova regularmente, você gosta do que faz. Sente prazer. Trabalha como um burro, mas adora aquilo e não o trocaria por nada neste mundo.
Como se vê as percepções das pessoas podem ser muito díspares. Enquanto acho que esta vida que levamos é uma insanidade, outras querem mais disso. E até acham que a felicidade está lá, neste mundo corporativo caótico. Já experimentei um pouco destas euforias e sempre foram efêmeras. O problema todo é que não consigo dar este salto para o outro lado do rio. Me libertar de um destes círculos do inferno de Dante...Enquanto isso, vou batalhando diariamente nesta minha Bagda particular.
O fato é que às vezes me dá vontade de largar tudo e ir para algum lugar bem distante onde possa ter alguma atividade econômica bem básica que gere alguma renda (por menor que seja) mas que em contrapartida me garanta paz e sossego. Será que estou querendo muito? Olho para meu guru Joseph Campbell e ficou pensando: cadê as minhas portas???
Num destes estados de melancolia fui a um evento de trabalho. Não conhecia ninguém e estava só representando uma entidade. Logo puxei papo com outro deslocado na festa. Uns 20 minutos depois chegou para minha surpresa um velho conhecido e diretor de marketing. Papo vem e papo vai o assunto da rodinha envereda para trabalho e felicidade. E saibam que nem provoquei o tema. Surgiu misteriosamente.
Os dois colegas defenderam a tese que não existe vida fácil em ambientes corporativos, mas que todos os executivos sempre reclamam da pressão mas adoram fazer o que fazem. A tese é que quando sua empresa (ou o ambiente de trabalho) o motiva intelectualmente e/ou o instiga a ser desafiado e o coloca à prova regularmente, você gosta do que faz. Sente prazer. Trabalha como um burro, mas adora aquilo e não o trocaria por nada neste mundo.
Como se vê as percepções das pessoas podem ser muito díspares. Enquanto acho que esta vida que levamos é uma insanidade, outras querem mais disso. E até acham que a felicidade está lá, neste mundo corporativo caótico. Já experimentei um pouco destas euforias e sempre foram efêmeras. O problema todo é que não consigo dar este salto para o outro lado do rio. Me libertar de um destes círculos do inferno de Dante...Enquanto isso, vou batalhando diariamente nesta minha Bagda particular.
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Mark Lobato
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Independência
Sempre me preocupei em não ser uma pessoa dependente. Nunca dependi, por exemplo, de aluguel. Aos 24 anos entrei em um financiamento da CEF e comprei uma casa. Procurei poupar para ter algum colchão financeiro que me protegesse das intempéries. Nunca dei um passo maior que a perna. Também nunca usei cheque especial. Enfim, só gasto o que tenho. E, se possível, poupo algum dindim.
Não sei qual a motivação psicológica que me levou a ser assim, mas o fato é que isso virou um hábito que tem sido muito útil na minha vida. Com planejamento consigo comprar algumas coisas à vista e pechinchar descontos. Acho que a única vez que me meti em dívida foi com o financiamento da CEF e, se na época era o único meio de adquirir a casa própria, depois me arrependi ao ver que "comprei" quase duas casas com o valor final ao somar tudo o que foi pago.
Recentemente estava lendo a boa revista Época Negócios (edição de agosto) e me deparei com uma entrevista com Manoel Horácio, presidente do banco Fator, no qual ele menciona o hábito de poupar e como isso lhe garantiu segurança até para demitir seus chefes (algo que também aconteceu comigo este ano). Vejam os principais trechos:
"Sempre usei os conceitos econômicos ensinados por minha mãe, uma mulher muito forte. Um deles é o do pote. Quando o dinheiro é pouco, que todos depositem o seu num mesmo pote para que possa se multiplicar. Isso valeu para mim e meus irmãos até os 21 anos. É o conceito de caixa único, que utilizei na reestruturação de empresas. Ela também me ensinou que, sem dinheiro, não se deve comprar nada. Nunca usei cheque especial. O único financiamento que fiz foi para adquirir um apartamento. Nunca mais tive uma dívida.
Não dá para crescer na carreira sem gostar do que se faz. Por isso é importante ser independente, o que significa construir uma poupança que possibilite, quando preciso, mandar o empregador passear e procurar outra coisa. "
Fantástico! Fiquei até emocionado. A mesma estratégia que eu costumo usar e até as mesmas situações vividas. Enfim, achei que valia a pena compartilhar com vcs este modo de viver. Não sei se é o melhor nem o mais recomendável, mas para mim funciona. Planejamento financeiro é como dieta. Cada um tem que escolher um caminho que seja o mais confortável possível.
Não sei qual a motivação psicológica que me levou a ser assim, mas o fato é que isso virou um hábito que tem sido muito útil na minha vida. Com planejamento consigo comprar algumas coisas à vista e pechinchar descontos. Acho que a única vez que me meti em dívida foi com o financiamento da CEF e, se na época era o único meio de adquirir a casa própria, depois me arrependi ao ver que "comprei" quase duas casas com o valor final ao somar tudo o que foi pago.
Recentemente estava lendo a boa revista Época Negócios (edição de agosto) e me deparei com uma entrevista com Manoel Horácio, presidente do banco Fator, no qual ele menciona o hábito de poupar e como isso lhe garantiu segurança até para demitir seus chefes (algo que também aconteceu comigo este ano). Vejam os principais trechos:
"Sempre usei os conceitos econômicos ensinados por minha mãe, uma mulher muito forte. Um deles é o do pote. Quando o dinheiro é pouco, que todos depositem o seu num mesmo pote para que possa se multiplicar. Isso valeu para mim e meus irmãos até os 21 anos. É o conceito de caixa único, que utilizei na reestruturação de empresas. Ela também me ensinou que, sem dinheiro, não se deve comprar nada. Nunca usei cheque especial. O único financiamento que fiz foi para adquirir um apartamento. Nunca mais tive uma dívida.
Não dá para crescer na carreira sem gostar do que se faz. Por isso é importante ser independente, o que significa construir uma poupança que possibilite, quando preciso, mandar o empregador passear e procurar outra coisa. "
Fantástico! Fiquei até emocionado. A mesma estratégia que eu costumo usar e até as mesmas situações vividas. Enfim, achei que valia a pena compartilhar com vcs este modo de viver. Não sei se é o melhor nem o mais recomendável, mas para mim funciona. Planejamento financeiro é como dieta. Cada um tem que escolher um caminho que seja o mais confortável possível.
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quarta-feira, 22 de agosto de 2007
Mais paixões históricas
Outra das minhas paixões históricas é a Revolução Cubana. Acho fantástica a maneira como os revolucionários tomaram o poder. Principalmente quando se leva em consideração que o desembarque dos primeiros combatentes à ilha foi um desastre e só escaparam 12 pessoas. Foi a partir deste pequeno núcleo (com Fidel, Guevara e Raul) que a longa jornada até Havana começou. Eles se embrenharam em Sierra Maestra, fizeram articulações com os camponeses e conseguiram ajuda no esforço da sociedade cubana para derrubar o ditador Fulgêncio Batista.
É interessante observar como Fidel desempenhava o papel político, o articulador entre as várias facções. Em suma, o animador cultural da campanha. Outro personagem fascinante é Che Guevara. Ele começa a aventura como médico do grupo. Aos poucos foi se destacando tanto nos combates quanto com atos de coragem. E tudo isso mesmo sendo asmático...Logo vira um dos comandantes junto com Camilo Cienfuegos (um camponês brilhante) e Raul (o irmão mais novo de Fidel). Nesta época Fidel passa a comandante-em-chefe.
Uma excelente maneira de entender com profundidade esta história é ler a biografia de Che Guevara escrita pelo jornalista americano John Lee Anderson. O trabalho foi considerado uma das melhores biografias já escritas. Realmente o trabalho é impecável e ajuda a desmistificar as bobagens que são ditas por desinformados e mal-intencionados que querem estigmatizar a vitória dos guerrilheiros.
Acho que os pecados graves cometidos a posteriori pela trupe foi tentar criar o tal homem socialista (o ser humano gosta de ter coisas, possuir, lutar para conquistar melhores condições de vida), não permitir uma distensão política organizada (o que acabou entronizando Fidel no poder por décadas e instigou os EUA a manterem o criminoso bloqueio comercial à Cuba) e ter colocado no papel as estratégias usadas nos combates. A obra escrita por Guevara pretendia ser um manual para incentivar outras ações guerrilheiras pelo continente. Erro crasso. Nem serviu a este propósito e ainda deu de bandeja informações valiosas à CIA, que, com o uso desses dados, conseguiu caçar e assassinar Che na Bolívia.
Mas o que fica para mim como moral da história é que na vida temos sempre que manter um pensamento revolucionário. Isso é fundamental. É inspirador ver aqueles 12 jovens pouco armados e sem mantimentos conseguir dois anos depois chegar ao poder. É quase tudo uma questão de esforço, determinação e a busca pela realização de um sonho.
Pesquise no Buscapé o preço de Che Guevara, uma biografia, de John Lee Anderson
É interessante observar como Fidel desempenhava o papel político, o articulador entre as várias facções. Em suma, o animador cultural da campanha. Outro personagem fascinante é Che Guevara. Ele começa a aventura como médico do grupo. Aos poucos foi se destacando tanto nos combates quanto com atos de coragem. E tudo isso mesmo sendo asmático...Logo vira um dos comandantes junto com Camilo Cienfuegos (um camponês brilhante) e Raul (o irmão mais novo de Fidel). Nesta época Fidel passa a comandante-em-chefe.
Uma excelente maneira de entender com profundidade esta história é ler a biografia de Che Guevara escrita pelo jornalista americano John Lee Anderson. O trabalho foi considerado uma das melhores biografias já escritas. Realmente o trabalho é impecável e ajuda a desmistificar as bobagens que são ditas por desinformados e mal-intencionados que querem estigmatizar a vitória dos guerrilheiros.
Acho que os pecados graves cometidos a posteriori pela trupe foi tentar criar o tal homem socialista (o ser humano gosta de ter coisas, possuir, lutar para conquistar melhores condições de vida), não permitir uma distensão política organizada (o que acabou entronizando Fidel no poder por décadas e instigou os EUA a manterem o criminoso bloqueio comercial à Cuba) e ter colocado no papel as estratégias usadas nos combates. A obra escrita por Guevara pretendia ser um manual para incentivar outras ações guerrilheiras pelo continente. Erro crasso. Nem serviu a este propósito e ainda deu de bandeja informações valiosas à CIA, que, com o uso desses dados, conseguiu caçar e assassinar Che na Bolívia.
Mas o que fica para mim como moral da história é que na vida temos sempre que manter um pensamento revolucionário. Isso é fundamental. É inspirador ver aqueles 12 jovens pouco armados e sem mantimentos conseguir dois anos depois chegar ao poder. É quase tudo uma questão de esforço, determinação e a busca pela realização de um sonho.
Pesquise no Buscapé o preço de Che Guevara, uma biografia, de John Lee Anderson
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Mark Lobato
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quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Paixões históricas
O general americano George Patton foi um dos mais brilhantes e polêmicos militares na época da Segunda Guerra Mundial. Ele surpreendia as pessoas dizendo que em vidas passadas tinha acompanhado grandes militares, como Júlio César, e de ter participado de várias batalhas históricas. Às vezes acho que tive uma experiência parecida. Por exemplo, devo ter lutado na Guerra Civil Espanhola (1936-39) ou pelo menos vivido naquele momento. É uma das minhas pequenas obsessões. A outra é a revolução Cubana (1959).
Tenho livros, filmes, gravações sobre os dois momentos mais interessantes, na minha opinião, do século XX. O que me apaixona na Guerra Civil Espanhola é o esforço de vários voluntários de todas as partes do mundo em lutar para defender a República. Este contingente estrangeiro deu origem às aguerridas brigadas internacionais. Em nenhum momento da história da humanidade houve tal engajamento por um ideal. Vc consegue se imaginar abandonando casa, família, país, enfim, tudo, para lutar e até morrer por uma causa? Pois é. Acho que agora vcs entenderam a minha admiração.
Claro que não estou sozinho neste fã-clube. Milhares de livros e filmes já foram produzidos sobre o tema. Alguns exemplos: George Orwell (A Revolução dos Bichos) escreveu "Homenagem à Catulunha", Ernest Hemingway fez sua única peça de teatro sobre a guerra civil: "A Quinta Coluna". Ele usou ainda o conflito como pano de fundo no romance "Por quem os sinos dobram". André Malraux legou "A Esperança". O conflito teve até a participação de um brasileiro notável, Apolônio de Carvalho, que depois de lutar na Espanha foi ajudar a resistência francesa contra os nazistas. No excelente livro "Vale a Pena Sonhar" ele conta suas aventuras. No cinema, gosto muito de "Terra e Liberdade", de Ken Loach. Ele faz um belo apanhado da história e mostra como a chegada dos soviéticos acabou com o sonho das brigadas internacionais e foi um dos pontos determinantes na derrocada da República frente aos fascistas do general Franco.
Para minha alegria, uma boa e antiga obra histórica sobre o período foi lançada finalmente no Brasil. É a "A Batalha pela Espanha", do consagrado Antony Beevor (autor de Stalingrado e Berlim - 1945). Ele usa uma linguagem jornalística, mas detalha e analisa como ninguém os episódios do conflito. Já li os livros anteriores dele e comecei agora a ler este lançamento. Enfim, a cada página me vejo lá participando das batalhas. Quem sabe não estive por lá assim como Patton, em seus delírios, tinha lutado contra os cartagineses?
Pesquise no Buscapé preços de A Batalha pela Espanha e de outros livros sobre a Guerra Civil Espanhola
Tenho livros, filmes, gravações sobre os dois momentos mais interessantes, na minha opinião, do século XX. O que me apaixona na Guerra Civil Espanhola é o esforço de vários voluntários de todas as partes do mundo em lutar para defender a República. Este contingente estrangeiro deu origem às aguerridas brigadas internacionais. Em nenhum momento da história da humanidade houve tal engajamento por um ideal. Vc consegue se imaginar abandonando casa, família, país, enfim, tudo, para lutar e até morrer por uma causa? Pois é. Acho que agora vcs entenderam a minha admiração.
Claro que não estou sozinho neste fã-clube. Milhares de livros e filmes já foram produzidos sobre o tema. Alguns exemplos: George Orwell (A Revolução dos Bichos) escreveu "Homenagem à Catulunha", Ernest Hemingway fez sua única peça de teatro sobre a guerra civil: "A Quinta Coluna". Ele usou ainda o conflito como pano de fundo no romance "Por quem os sinos dobram". André Malraux legou "A Esperança". O conflito teve até a participação de um brasileiro notável, Apolônio de Carvalho, que depois de lutar na Espanha foi ajudar a resistência francesa contra os nazistas. No excelente livro "Vale a Pena Sonhar" ele conta suas aventuras. No cinema, gosto muito de "Terra e Liberdade", de Ken Loach. Ele faz um belo apanhado da história e mostra como a chegada dos soviéticos acabou com o sonho das brigadas internacionais e foi um dos pontos determinantes na derrocada da República frente aos fascistas do general Franco.
Para minha alegria, uma boa e antiga obra histórica sobre o período foi lançada finalmente no Brasil. É a "A Batalha pela Espanha", do consagrado Antony Beevor (autor de Stalingrado e Berlim - 1945). Ele usa uma linguagem jornalística, mas detalha e analisa como ninguém os episódios do conflito. Já li os livros anteriores dele e comecei agora a ler este lançamento. Enfim, a cada página me vejo lá participando das batalhas. Quem sabe não estive por lá assim como Patton, em seus delírios, tinha lutado contra os cartagineses?
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Mark Lobato
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