quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Três cantoras e o you tube

Estou aqui matando o meu tempo fora de casa. Graças a um computador, acesso à internet e o You Tube passei horas (literalmente) agradáveis na companhia de três cantoras das quais sou fã ardoroso. Comecei meu passeio virtual com a vocalista do extinto Cramberries, Dolores O'Riordan. Encontrei várias músicas e entrevistas. Tem até um clipe da música Ordinary Day que faz parte do recém-lançado primeiro álbum solo dela "Are You Listening". Para minha alegria ela fará um show agora no final do mês em SP. Já garanti o meu ingresso.

Outra cantora que me emociona é a Joan Baez. Não só por sua linda voz, mas principalmente pela coerência na defesa dos direitos civis. O You Tube tem registros de performances antológicas, como um show que ela fez na famosa prisão de Sing Sing, além de dobradinhas com Bob Dylan. Selecionei para este post um trecho mais inusitado: Joan Baez cantando Me and Bobby Mc Gee com o acompanhamento da orquestra Boston Pops.

Finalizo esta homenagem com a Madeleine Peyroux . A mulher é fantástica. A voz lembra a Billie Holiday, mas ela tem um estilo próprio e acompanha todas as músicas com seu violão. Já fez uma apresentação no Brasil (estive lá!) e repetirá a dose agora em setembro (estarei lá!). Adorei este vídeo no You Tube com a música Careless Love. Jazz e improviso da melhor qualidade. Uma bela amostra da capacidade de madame Peyroux.

Espero que gostem desta modesta seleção.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

O Guia Cético para assistir a Quem somos nós

Depois de algum tempo voltei a entrar no blog Dragão da Garagem e vi com alegria que está publicada a terceira e ultima parte do O Guia Cético para assistir a “What the Bleep do We Know?”, o tal Quem Somos Nós. Texto muito bom, argumentações pertinentes e material bem pesquisado. Ajuda a refletir sobre o filme e as motivações dos autores. Podemos até não concordar com uma ou outra análise, mas é sempre motivo de louvor que alguém exerça o espírito crítico neste mundo insensato em que vivemos. Vale uma leitura atenta.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Ainda o acidente e a mídia

Sei que estou fugindo totalmente da temática deste blog, me perdoem, mas o acidente com o avião da TAM e o comportamento da mídia e de parte da elite golpista deste país exigia um posicionamento. Mesmo que fosse uma voz solitária na blogsfera, tinha que fazer meus alertas e dividir minhas aflições sobre a maneira criminosa como as coisas estavam sendo conduzidas. Por isso, postei deste a semana passada acho que uns 8 textos sobre o assunto. Se não for mais obrigado a emitir uma opinião, paro por aqui. Porém, como dizem os escoteiros, estou sempre alerta. Bom, mas para finalizar esta série chamo a atenção para três textos publicados em blogs que são muito didáticos sobre o papel ridículo da imprensa neste trágico episódio e o não menos desastroso assodamento de certos setores golpistas da elite nacional.

Blog Luis Nassif
A marcha da insensatez
Essa atoarda da chamada grande mídia em relação à situação do país está extrapolando os limites do razoável.Faço parte do grupo de analistas que julga que o país está perdendo a maior oportunidade da história. Falta plano de vôo, pensamento estratégico, sucumbiu-se aos desígnios do mercado, deixou-se iludir e não se aproveitaram as oportunidades extraordinárias trazidas pelo boom da China.Mas não é disso que os grandes jornais se queixam. Pelo contrário, têm aprovado incondicionalmente essa política econômica que permitiu aos detentores de capitais, nesse primeiro semestre, um dos maiores ganhos da história, e que continuou consumindo parcela expressiva do orçamento público em detrimento dos investimentos.
No entanto, desde o acidente com o avião da TAM - que, ao que tudo indica em decorrência de problemas técnicos e/ou falha humana - parece que nada funciona no país. Como assim?É facílimo manipular a opinião pública, ainda mais quando se juntam veículos com poder de mercado.Se se quiser medir o poder de manipulação da informação, montem-se dois grupos de leitores. Alimente-se o primeiro com noticiário exclusivamente negativo. Não precisa ir muito longe. Se um brigadeiro diz que a pista de Cumbica está ruim, e todas as associações de pilotos e usuários dizem que não, dê destaque apenas à declaração do brigadeiro. Em cada Ministério será possível encontrar falhas que, colocadas em manchetes, joguem quaisquer méritos para segundo plano.Ao segundo grupo, forneça apenas notícias positivas. Fale dos superávits da balança comercial, como se nada tivesse a ver com efeito-China. Celebre a apreciação do câmbio, como se fosse sinal de saúde da economia. Mostre o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o PAC da Tecnologia, o PAC da Saúde, o PAC da Educação. Destaque os recordes sucessivos do setor imobiliário, o bom desempenho da indústria de máquinas e equipamentos, e esconda todos os setores que estão sendo dizimados pelo câmbio.O primeiro grupo achará que tudo está perdido e o segundo que o país está à beira do paraíso. Toda essa diferença em cima de uma mesma realidade, valendo-se apenas do poder de manipulação da informação.
Quando se tem equilíbrio, se mostra o certo e o errado, passa ao leitor objetividade e, ao governo, pressão certa. Analisa-se um problema localizado e cobra-se a sua solução.Quando se cria essa zorra em que, aparentemente, nada funciona, a intenção não é resolver nada. Ao leitor desnorteado por tantos problemas apresentados simultaneamente, sem nenhuma proposta de solução, a única alternativa que ocorre é mudar tudo. Como? Pedindo a cabeça do responsável maior pelo suposto caos: o Presidente da República.Aí se geram dois efeitos simultâneos, ambos radicalizantes. De um lado, um público indignado, querendo a cabeça do presidente. Do outro, um público indignado, querendo o fígado da mídia.Pior: quando a crítica ao Lula extrapola e assume ares de campanha sistemática, desarma todas as críticas relevantes que deveriam ser feitas aos inúmeros problemas reais que existem na administração pública.Até onde irá essa marcha da insensatez, não sei.

Blog Paulo Henrique Amorin
Entrevista a filósofa Marilena Chauí que analisa o comportamento da imprensa:
" A imprensa noticiou o acidente da TAM dando explicações como se fossem favas contadas sobre as causas do acontecimento antes que qualquer informação segura pudesse ser transmitida à população. Primeiro, atribuiu o acidente à pista de Congonhas e à Infraero; depois aos excessos da malha aérea, responsabilizando a ANAC; em seguida, depois de haver deixado bem marcada a responsabilidade do governo, levantou suspeitas sobre o piloto (novato, desconhecia o AIRBUS, errou na velocidade de pouso, etc.); passou como gato sobre brasas acerca da responsabilidade da TAM; fez afirmações sobre a extensão da pista principal de Congonhas como insuficiente, deixando de lado, por exemplo, que a de Santos Dumont e Pampulha são menos extensas;
estabeleceu ligações entre o acidente da GOL e o da TAM e de ambos com a posição dos controladores aéreos, da ANAC e da INFRAERO, levando a população a identificar fatos diferentes e sem ligação entre si, criando o sentimento de pânico, insegurança, cólera e indignação contra o governo Lula. Esses sentimentos foram aumentados com a foto de Marco Aurélio Garcia e a repetição descontextualizada de frases de Guido Mântega, Marta Suplicy e Lula;
definiu uma cronologia para a crise aérea dando-lhe um começo no acidente da GOL, quando se sabe que há mais de 15 anos o setor aéreo vem tendo problemas variados; em suma, produziu uma cronologia que faz coincidir os problemas do setor e o governo Lula;
vem deixando em silêncio a péssima atuação da TAM, que conta em seu passivo com mais de 10 acidentes, desde 1996, três deles ocorridos em Congonhas e um deles em Paris – e não dá para dizer que as condições áreas da França são inadequadas! A supervisão dos aparelhos é feita em menos de 15 minutos; defeitos são considerados sem gravidade e a decolagem autorizada, resultando em retornos quase imediatos ao ponto de partida; os pilotos voam mais tempo do que o recomendado; a rotatividade da mão de obra é intensa; a carga excede o peso permitido (consta que o AIRBUS acidentado estava com excesso de combustível por haver enchido os tanques acima do recomendado porque o combustível é mais barato em Porto Alegre!); etc. não dá (e sobretudo não deu nos primeiros dias) nenhuma atenção ao fato de que Congonhas, entre 1986 e 1994, só fazia ponte-aérea e, sem mais essa nem aquela, desde 1995 passou a fazer até operações internacionais. Por que será? Que aconteceu a partir de 1995?
não dá (e sobretudo não deu nos primeiros dias) nenhuma atenção ao fato de que, desde os anos 1980, a exploração imobiliária (ou o eterno poder das construtoras) verticalizou gigantesca e criminosamente Moema, Indianópolis, Campo Belo e Jabaquara. Quando Erundina foi prefeita, lembro-me da grande quantidade de edifícios projetados para esses bairros e cuja construção foi proibida ou embargada, mas que subiram aos céus sem problema a partir de 1993. Por que? Qual a responsabilidade da Prefeitura e da Câmara Municipal?

Blog do Mino Carta
Clamores novelescos
Clama O Globo na primeira página de hoje: empresas aéreas avisam que não podem cumprir novas rotas. E esclarece que denunciam a intervenção do governo no mercado. Enfim, a conclusão é simples: Lula não acerta uma e, como se não bastasse, porta-se ditatorialmente. Sempre da primeira página, enquadrada, uma nota sobre as revelações de oficiais que ouviram as gravações feitas a bordo do Airbus segundos antes da explosão: terror dos tripulantes e gritos de desespero dos passageiros. Clara a intenção novelesca, de notória extração global, mesclada com uma espécie de estupor diante do óbvio. Doloroso, mas óbvio. Não vai ser fácil que o jornal reconheça outras revelações da caixa preta, o erro humano e a falha do equipamento. Suponho que os gritos de pavor, ao menos estes, sejam culpa do Lula. Pergunto-me, aliás, se o ex-metalúrgico não seria também culpado pela morte de Bergman e Antonioni.

E a crise? E os slogans?E agora, como fica a crise aérea? Houve erro humano, possivelmente complicado por um defeito, grave, do próprio avião. Faz dias, aliás, que se fala de outros acidentes já ocorridos com o Airbus, cujas instruções de vôo poderiam levar o piloto a cometer erros. Constato que vai faltar munição para esta campanha anti-Lula, sempre culpado de tudo e por tudo, em movimento de diversos quadrantes. Inclusive o movimento Cansei terá de renunciar a um dos slogans inventados sob medida por Nizan Guanaes, o George Clooney da publicidade nativa. O duce da OAB de São Paulo e o Iconoclasta Mor devem mastigar fel, entre um canapé de caviar e um flute de Dom Pérignon. Gelado a 7,5 graus, exatamente.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Cansei, CRIA e outros ecos de 64

Parte da mídia acordou para estes movimentos golpistas que estão sendo preparados com aquela sutileza característica de nossa elite. Aqui e ali surgem vozes criticando e alertando contra estas mobilizações suspeitas conforme estamos antecipando há tempos aqui no blog. Hoje a Folha publica artigo do jornalista Janio de Fretas que desnuda esta armação. Eu ate ia mas longe e acrescentaria um tal movimento denominado CRIA, formado por jovens riquinhos totalmente tucanos que com seus carros importados fizeram uma manifestação no domingo de manhã aqui em SP. Mas sobre eles falarei mais tarde. Agora apreciem o texto do Janio de Freitas:


Cansei de "basta!"

O que mais deseja a riqueza do país, além das condições inigualáveis que o governo Lula lhe proporcionou?

O ODOR EXALADO pelo movimento "Cansei", ainda que nem todos os seus fundadores tenham propósitos precisamente iguais, é típico do golpismo que sempre foi a vocação política mais à vista na riqueza, não importa se cansada ou não. A fonte de onde surge não lhe nega a natureza pressentida: um escritório de negócios em São Paulo, tal como se identificaria nos primórdios de todos os golpes e tentativas de golpe desde 1944/1945, pelo menos.
Também denominada "Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros" -batismo que os padrinhos relegaram, por considerarem o apelido "Cansei" mais representativo dos seus propósitos- o que a iniciativa sugere, de fato, é uma interrogação.
O que mais deseja a riqueza brasileira, além das condições inigualáveis que o governo Lula lhe proporcionou? O fim da inflação, o emudecimento do sindicalismo e das reivindicações sociais; concessões transgênicas para todos os tipos de grandes empresas e negócios, Bolsa farta e imposto baixinho ou a zero; e, sobretudo, a transferência gratuita de um oceano de dinheiro dos cofres públicos para os da riqueza privada, por intermédio dos juros recordistas concedidos pelo próprio governo aos títulos de sua emissão. Ainda não basta?
O que deseja a riqueza não pode ser a correção das deformidades socioeconômicas, institucionais e políticas que refreiam o Brasil, enquanto países do seu aparente status desenvolvem-se a níveis exuberantes. É da não-correção que vem grande parte das facilidades pelas quais a riqueza se multiplica sem cessar: a fraqueza ética do Congresso, a corrupção administrativa que só tem o corrupto e não o corruptor, as eleições movidas a marketing endinheirado, e por aí.
Além disso, nunca se viu a riqueza movendo-se, de fato, por correções e reformas a serviço do interesse do país. Os seus lobbies e outros meios só se movem, historicamente, por alterações que privilegiem os interesses da própria riqueza privada. Assim é a história parlamentar e administrativa do Brasil, para dizer o mínimo, do último meio século.
O governo Lula deu e dá à riqueza privada a situação que a ela deu o "milagre econômico" da ditadura, porém, agora sem os inconvenientes produzidos pela força. A quem vive no Brasil em nível de primeiríssimo mundo, conviria, portanto, demonstrar um pouco mais de compostura. Se não para aparentar recato que lhe falte, por um grão a mais de esperteza.
"Cansei" -e daí? Vai fazer ou, pelo menos, propõe o quê, de objetivo, prático e necessário? Disse um dos "cansados": "Queremos despertar em cada indivíduo o que ele pode fazer para mudar o país". Pois façam isso no seu próprio movimento. Sem que, para tanto, o seu alegado cansaço exale sentidos que, intencionais ou não, negados ou não, vão até onde não devem.

domingo, 29 de julho de 2007

O piloto errou - estrondoso silêncio na mídia

A revista Veja desta semana divulgou as primeiras informações da caixa preta do avião da TAM . A conclusão dos peritos é que o piloto errou ao acionar os manetes (controles da turbina). Três outros acidentes idênticos com Airbus já aconteceram no mundo nos últimos 10 anos. A matéria vai além e diz que o avião não aquaplanou na pista! Pois bem, esperei manchetes no Jornal Nacional de sábado, destaques nas primeiras páginas nos jornais e não encontrei uma escassa linha. Só agora há pouco (domingo, 8 da noite) a TV Record mencionou a revista e fez ampla reportagem. Por que o silêncio? Não é por causa do furo ter sido dado por outro órgão de imprensa. Outras reportagens da revista já foram mencionadas no passado. Por que não agora? Por que não interessa divulgar? E por que não interessa divulgar? Bom, talvez porque a mídia conservadora e a elite predadora deste país perdem o principal mote de agitação contra o governo, que pode ser acusado de tudo, menos de responsabilidade neste trágico acidente. Enquanto isso, voltamos a 64 com a nova marcha da família com Deus pela tradição que ocorreu hoje de manhã. O pretexto oficial era protestar contra o Governo por causa do acidente da TAM, mas assim como no passado o interesse oculto era (e é) outro.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Ainda a deformação da opinião pública

Leio na coluna do jornalista Nélson de Sá que a manchete do Jornal Nacional de quarta-feira foi a seguinte:

"A crise aérea derruba o ministro Waldir Pires e o presidente Lula empossa Nelson Jobim, ex-ministro do governo Fernando Henrique."
De WILLIAM BONNER, na manchete do "Jornal Nacional".

Repararam que na manchete, texto curto em que só devem ser colocadas as informações principais e relevantes, o editor da Globo colocou que Nélson Jobim foi ministro de FHC? Não deixa de ser verdade, mas por que o destaque? Qual sua relevância? Seguindo a lógica, toda vez que o jornal falasse de Renan Calheiros tinha que informar que ele foi ministro de FHC. E da Justiça!

Depois tem gente que diz que faz jornalismo isento...Claro, claro..

Os agitadores saem da toca

Parece 64. Não, não sou tão velho assim, mas já li muito e adoro História. Naquela época organizações como IPES/IBAD criadas pela elite tupiniquim, entenda-se empresários, mídia conservadora e políticos à direita e os oportunistas de sempre, tinham como objetivo desestabilizar o regime democrático no país e criar as condições para o golpe militar, o que acabou acontecendo e lançou o Brasil nas trevas. Mais tarde, parte da mesma elite criou a até hoje ainda mal-esclarecida Operação Bandeirante, praticamente um grupo paramilitar de combate aos esquerdistas e oposição.

Pois bem. Pouco mais de 40 anos depois e lá vem a mesma tática. Leio na coluna da Monica Bergamo na Folha que empresários, banqueiros, mídia etc estão se reunindo para iniciar um suposto movimento cívico...Mesma conversa fiada da época do IPES/IBAD e quem sabe com os mesmos propósitos obscuros. Vale uma leitura de artigo publicado na revista História Viva e que conta como a elite brasileira articulou o golpe de 64. Vejam as semelhanças...

O pior de tudo é ver associações assistenciais ou ONGs envolvidas nisso. Talvez o pragmatismo de se juntar aos poderosos para conseguir ajuda financeira explique esta posição, mas para mim isso é como vender a alma ao demo. O mais inacreditável é que muitos que hoje tocam estes projetos sociais viveram 64 e estavam do outro lado das barricadas.

Enfim, vamos ver até onde vai este circo. Se a história se repete, como já disse alguém, é bem provável que vejamos este triste filme mais uma vez. Abaixo as notas publicadas na coluna da Monica Bergamo e que tratam do tal movimento cívico da elite deste país. Não, não tinha nenhum torneiro mecânico entre os presentes...

Moral e cívica
Representantes da Fiesp, de bancos, de publicitários e de alguns meios de comunicação fizeram reunião anteontem no escritório do empresário João Doria, em SP, para finalizar o lançamento de um "Movimento Cívico" no Brasil. Preocupados com a possibilidade de se colocar frontalmente contra o governo Lula - ou, como diz o informe produzido por um dos presentes ao encontro, "para evitar conotações políticas"-, ficou decidido que a única entidade que assinará a campanha será a OAB.
As propostas do já batizado "Movimento Cívico" são: marcar um minuto de silêncio para o dia 17 de agosto, um mês depois da tragédia de Congonhas; elaborar peças publicitárias para TV e rádio, convocando as pessoas para o ato com frases como "cansei de corrupção", "cansei de apagão aéreo", "cansei de bala perdida"; criar blog de protesto na internet.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

A politização das mortes

Este é o título de artigo do jornalista Fernando Rorigues na Folha desta quarta-feira. Ele faz uma análise isenta de toda esta briga política que virou a tragédia do acidente com o avião da TAM. O único reparo que faço é que, apesar de que ambos os lados (oposição e governo) estarem em guerra, as armas da oposição, com o barulho incansável de boa parte da mídia e forte apoio em setores da elite, desequilibram muito o jogo e, como já disse em posts anteriores, há um evidente flerte com o golpismo. Temos que ficar atentos. De qualquer modo, coloco abaixo a íntegra do texto. Leiam e reflitam:

"A politização da tragédia do acidente do Airbus da TAM está no ar. Contaminou governo e oposição. Desde o "top, top, top" de Marco Aurélio Garcia até o desastrado deputado federal Efraim Filho (DEM-PB). O governo torce freneticamente para que as investigações concluam pela irrelevância da pista de Congonhas no acidente. Daí Marco Aurélio ter comemorado de maneira efusiva ao saber do defeito num equipamento do avião (o sistema de reversão da turbina direita).

Da mesma forma, o político paraibano Efraim Filho foi comissionado pelo Democratas para faturar em Washington. Advogado de 28 anos, acompanhou a abertura da caixa-preta -mesmo sendo neófito em assuntos aeronáuticos. Sem cerimônia, apresentou uma conclusão peremptória sem base científica: o piloto da TAM não tentou arremeter. Quis frear e a pista escorregadia não teria permitido. Efraim Filho acabou recuando. Mas ficou o estigma. Ao escalar o rapaz para função tão relevante, o Democratas, nesse episódio, parece ter dado o pior de si. Em público, lulistas e oposicionistas fingem consternação. Nos bastidores, há uma torcida gigante sobre o resultado das apurações.

Repórteres recebem telefonemas irados dos dois lados. Lulistas e oposicionistas cobram "imparcialidade", sobretudo quando se trata de noticiar algo que possa vir a favorecer o lado de quem reclama. Existem, é claro, aqui e ali, algumas cabeças ancoradas no bom senso. São a minoria. A regra mais geral tem sido politizar as notícias ao osso. Patético. O efeito eleitoral final será pequeno ou nenhum no longo prazo. Uma parcela ínfima do eleitorado viaja de avião. No fundo, o saldo para os partidos será talvez apenas uma degradação maior da imagem dos políticos como um todo. Tudo somado, péssimo para a democracia."

Post 100

Quatro meses depois de lançar este blog chegamos ao post 100! Nem eu acredito que consegui chegar a esta marca. Mas está sendo muito divertido, enriquecedor e espero que esteja fazendo a diferença para algumas pessoas. Obrigado pela paciência e continuem prestigiando o Branas.

terça-feira, 24 de julho de 2007

A mídia aproveita-se da fogueira parte 2

Estou muito preocupado com a toada irresponsável que certos setores da mídia e da elite deste país estão produzindo após o trágico acidente com o avião na TAM. Estão querendo colocar o governo contra a parede. Isso no mínimo. Agora a troco de quê, não sei. Não que este governo seja uma maravilha. Está longe disso, mas também está muito distante do grau de incompetência e desonestidade que querem lhe atribuir.

Acho que realmente a hipótese mais certa para a motivação desta campanha seja o inconformismo de alguns setores com a alta popularidade do presidente, mas só este fator não explica tudo. Enquanto isso, somos conduzidos como massa de manobra. Temos que tomar cuidado e não se deixar envolver por esta histeria coletiva provocada artificialmente.

O que me consola é que não sou o único que pensa assim. Outros blogs (sim, vida inteligente e informação de qualidade só mesmo nos blogs) vão desnudando este Carnaval fora de época em que vivemos. Vejam abaixo alguns deles e links para os posts:

No blog do Luis Nassif há uma texto muito curioso que mostra bem a má vontade que existe hoje contra este governo e como na época do FHC o tratamento era diferente. Havia muito mais condescendência. Vcs vão entender o que eu quis dizer com "curioso" depois de ler tudo até o final.

Já o blog do Mino Carta vai mais longe e mostra em um post como os fatos atuais remetem para um passado tenebroso que, infelizmente, já presenciamos em nosso país.

Paulo Henrique Amorim vai mais longe e diz em seu blog que "o golpe consiste em derrubar o Presidente Lula ou torná-lo impotente. De modo que a experiência de o Brasil eleger um presidente pobre, nordestino e de “esquerda” jamais se repita.""..É provável que a mídia conservadora (e golpista) consiga levar o golpe até o fim..."

A jornalista Helena Chagas mostra em seu blog como oposição (principalmente) e governo tentam utilizar o acidente da TAM para a guerra política. E tudo com a ajuda "inestimável" da mídia. Em outro post ela matou a pau a questão e finalizo este blog com a íntegra da análise:

A maior vítima do jogo de empurra é a verdade
Está acontecendo uma coisa muito estranha nas investigações do acidente com o airbus da TAM.Não existe ainda uma explicação com começo, meio e fim. Mas cada dado, cada pista que vaza é usado politicamente. Por exemplo: o pessoal da oposição fica satisfeito toda vez que parece que a culpa é da pista de Congonhas. Por que?Porque aí eles podem responsabilizar o governo federal pela liberação da pista sem ranhuras e pelo uso em dia de chuva. Já o outro lado festeja todos os indícios de que a causa foi falha mecânica. Porque aí a maior culpa não é do governo, é da TAM. Ora, nesse jogo de empurra, só tem um perdedor: a verdade. Investigação não pode ter lado. E é uma investigação isenta que as autoridades, o governo, a oposição - o país inteiro - devem aos mais de duzentos mortos de Congonhas.